terça-feira, 30 de outubro de 2012

Corrida do Monge

Dizia eu noutro dia que não fazia treinos longos, com mais de 1h, desde a Meia.
Bem, para percorrer os 11,458m da Corrida do Monge demorei 1h57m!

Querias 1 treino longo? Pois levas com um treino longo e bem intenso!

Domingo amanheceu um dia quentinho...ou não...
Estava cá um friozinho gelado. E eu de calçõezinhos. Felizmente que levei um casaco.
Tinha combinado com a Rute para ela me dar boleia (mais uma vez obrigada) e antes da hora combinada já ambas estávamos no ponto de encontro. Ela tinha decorado bem o caminho e chegámos sem qualquer problema ao local de partida. Levantámos os dorsais, fizemos tempo e mais perto da hora de partida vimos o Jorge Branco (que foi quem nos deu a conhecer esta prova) e trocámos umas palavras. Também encontrámos o João e o Vitor. Tivemos na converseta até à hora de partida e às 10h30 foi dada a partida.

Para começar em beleza nada como uma rampa. Por aí aos 500m já não víamos o Jorge... Só o voltámos a ver na meta.
Algures durante a subida juntou-se a nós um conhecido do João, seguimos sempre os 5.
Fomos subindo, subindo, subindo e basicamente foi quase sempre a subir até por volta dos 4km. Uma coisa levezinha portanto...
Os rapazes já gozavam sempre que chegávamos a um cruzamento. Se para a esquerda era a descer e para a direita era a subir, claro que o caminho só poderia ser para a direita =P
Esta foto foi tirada de cima. Nós subimos isto!

Vale ou não vale a pena fazer esta prova?
Por volta do km 4 havia abastecimento e se bem me lembro a partir desta altura começamos a descer.

Está um bocado desfocada esta.
Só prova que eu ia a correr nesta altura...
Ali está a marca do 5ºkm e o pessoal lá à frente a correr.
Como podem ver pelas fotos, o percurso é lindissimo, mas é mesmo pelo meio do mato.
Nas descidas tinhamos de nos agarrar aos ramos das árvores e ver bem onde punhamos os pés. Mais do que uma vez escorreguei e não sei como não torci um pé. Por vezes colocava mal os pés e não sei como não terminei a prova com um pé todo torcido. Os meus ténis não são, de todo, adequados ao trail running, mas estiveram à altura do desafio. Mas tenho de pensar em comprar uns ténis mais adequados a este tipo de piso, até porque a maior parte dos meus treinos são feitos em Monsanto, em terra batida.

Entre o km 5 e 8 mais ou menos foi a zona do percurso mais espectacular. Sinceramente só me apetecia parar em cada sítio para tirar fotos, mas os rapazes já iam um pouco à frente e eu e a Rute começamos a ficar um pouco para trás. Por isso se querem mesmo saber como é esta zona têm de participar no próximo ano =P.
Vou só dizer que tem um riacho e o percurso vai andando mais ou menos aos "esses" enquanto vamos passando por ínumeras pontezinhas de madeira. Lindo, lindo, lindo!

Estes kms foram tão "técnicos" e tão bonitos que eu nem me sentia cansada, até porque uma pessoa vai tão maravilhada e tão concentrada em ver onde põe os pés, que nem dá pelo cansaço.

Por volta do km 8 começamos de novo a subir, foi quando um senhor da organização nos disse que ainda vinha aí a "jeitosa". Ora quem é esta jeitosa?

Como é obvio vamos todos a andar.
Não sei se percebem que isto parece mais
uma parede de escalada...

Foto tirada mais ou menos a meio da subida.
Já tinhamos subido isto, já só faltava...

isto.
Mas íamos todos a correr...claro que sim...=P
 Mas a subida compensa:
A foto é o que se arranja. Foi tirada com o telemóvel.
Mas vê-se até à Ponte 25 de Abril.


Depois desta subida do outro mundo, se bem me lembro, ainda subíamos mais um bocado até chegarmos a mais um abastecimento, onde simpaticamente nos disseram que daí para a frente era sempre a descer até à meta.
Oh que alegria!

Os rapazes lançaram-se descida abaixo como se não houvesse amanhã. E nós as duas íamos atrás.
Não consigo ter grande confiança numa descida onde há montes de pedras no chão e inclusivé algumas zonas enlameadas. Ainda por cima com os meus ténis nada adequados a este tipo de piso. Fui ficando para trás. Até que a certa altura começou a dar-me uma dor de burro, mas uma "Sra. dor de burro". Era uma dor bem aguda e que não me queria deixar.
Já tenho tido dores de burro noutras ocasiões, mas normalmente não chego a parar, porque passam passados uns segundos ou uns minutos. Para além disso não costumam ser tão fortes.
Comecei a ficar mais para trás. Até que tive de começar a andar...em plena descida. Não suportava a dor.
Não deixa de ser irónico que quando todos se lançam pela encosta abaixo, eu tenha de andar...
A Rute percebeu que se passava alguma coisa, mas incentivou-me a continuar. A descida foi quase um suplicio. Corria, andava, tentava correr mais um pouco, andava.
Já estávamos na povoação e havia alguns sítios com pessoal da organização a indicar-nos o caminho. Perguntei a um senhor quanto faltava para a meta. Pareceu-me perceber 150m. Corri mais um pouco. Cheguei ao pé de outro senhor. Voltei a perguntar. Este sim disse 150m(ou seriam 250?já nem sei). Vi que o João e a Rute tinham esperado por mim e lá tentei correr mais um bocadinho.
Eu e a Rute cruzámos a meta de mãos no ar.

Passados uns minutos já me tinha passado a dor. Felizmente.

À chegada tivemos direito a pão com chouriço (tão bom), um sumo, uma maçã, água e uma t-shirt.

Cheguei com as pernas um pouco sujas da terra e um arranhãozito numa das pernas.
E eu preocupada...

A organização esteve 5*.
Não tenho falhas a apontar. O percurso todo bem sinalizado, ora por fitas, ora por pessoal da organização. Nunca nos perdemos.
Um percurso muito variado e de fazer inveja a muitas provas.
E dois abastecimentos sempre com pessoas muito simpáticas a motivarem-nos.
E no final pãozinho com chouriço!
(pelo que sei ainda tinhamos direito a duches e massagens!)
O que se pode pedir mais?

A experiência é para repetir, pois eu adorei!
Sempre fui aventureira e já tinha o feeling que iria adorar esta experiência. Não estava à espera de um percurso tão duro e tão técnico. Na minha cabeça visualizava um género de Monsanto, talvez com algumas zonas mais dificeis mas, de facto, as parecenças são poucas.
Mas gostei mesmo muito e quero repetir. Muitas, muitas vezes =D

Obrigada caros companheiros de prova! A vossa companhia foi optima. Até breve!
E obrigada Jorge por me teres indicado esta prova.

18 comentários:

  1. Ahhhh, adorei o relato! E essa foto da "jeitosa" em que estamos todos a subir seguidinhos e encurvados!!! :) (Realmente na foto não dá para perceber que em alguns daqueles buracos cabia lá uma perna!)

    Gostei muito da experiência e de a ter partilhado com vocês!

    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Podes crer.
      Parece que todos adorámos a experiência. Um dia destes repetimos :)
      Bjs e bons treinos.

      Eliminar
  2. Um lindo relato para uma linda prova

    Parabéns :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada.
      A prova realiza-se num sítio belissimo e felizmente tivemos sorte com o tempo.

      Eliminar
  3. Parabéns pela experiência, eu sabia que ia gostar. Ainda tenho de falar com os padrinhos a ver se arranjamos aí uma mais favorável e bonita, aqui perto vai haver algumas no próximo ano e eu gostava de vos fazer companhia. Desejo boa recuperação, principalmente as pernas, já que este tipo de provas deixa sempre algumas mazelas.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada. Eu gostei imenso.
      Há-de haver oportunidades de fazermos uma prova deste género juntos. Até breve!

      Eliminar
  4. Ando nos trilhos deste 1995 quando uns "malucos" começaram a correr num circuito de provas organizadas por um "doido"!
    Mas já antes disso tive o meu primeiro contacto com a montanha ao participar na segunda edição do Manteigas-Penhas Douradas que (salvo o erro) leva os atletas dos 700 aos 1500 metros em 12 km.
    Embora sem jeito nenhum para o mesmo adoro o trail!
    Fico imensamente feliz ao ver a tua alegria ao descreveres a tua participação na prova.
    Ainda há muito experiente atleta de estrada que tem medo de se meter nos trilhos!
    Tu e a Rute são uma prova que estas corridas são excelentes e não são nenhum bicho papão.
    Embora não sendo da organização (mas tenho lá amigos) deixa-me agradecer-te a ti e à Rute o terem feito a vossa estreia nos trilhos na 20ª Corrida do Monge. Obrigado!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O mais importante não é termos jeito, é fazermos algo que nos faz felizes, com o benefício de fazer bem à saúde, quer física, quer mental.
      Eu gostei muito =)
      Esta prova fica já guardada com especial carinho por ter sido a nossa primeira em trilhos. Para repetir todos os anos, espero eu :)
      E a organização esteve excelente!

      Eliminar
  5. Muitas vezes as fotografias não mostram verdadeiramente a dureza dos trilhos. 4 kms a subir não é fácil, e se for com lama e pedra solta ainda pior... ainda bem que gostáste.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sim, as fotos dão apenas para ter uma boa ideia.
      Lama só havia nalguns sítios, agora as pedras soltas e algumas raízes das árvores foram mesmo o pior.
      Mas foi uma experiência muito interessante.

      Eliminar
  6. Bonito relato.
    Compreendo o teu entusiasmo por este tipo de provas.
    Correr em trilhos é uma autêntica aventura.
    Bjs

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada.
      Foi mesmo uma grande aventura.
      Acho que depois de experimentarmos este tipo de provas, é impossível não querermos repetir.
      Beijinhos

      Eliminar
  7. Que inveja, fiquei com uma vontade louca de participar numa dessas aventuras!
    Parabéns pelo relato e pela prova.
    Beijos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada.
      Para a próxima tens de vir =)
      Beijinhos

      Eliminar
  8. Pelas imagens, a prova parece realmente do outro mundo, tanto pelo esforço necessário como pelas magnificas vistas sobre toda a zona de Lisboa/Cascais/Sintra! E ainda bem que esteve bom tempo, se com bom tempo foi o que foi então nem imagino com mau tempo...

    E por falar em mau tempo, a grande indecisão deste fim-de-semana: ir correr à chuva ou ir correr para o ginásio? Normalmente vou correr para Belém mas com mau tempo aquela zona não é particularmente agradável.

    Bjs e bom fim-de-semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Com mau tempo teria sido mais desconfortável, para além que não iríamos desfrutar tanto da experiência.

      Correr à chuva só com impermeável e ir para casa logo a seguir tomar um banho quente.
      Eu gosto de correr à chuva, mas na sexta fiz uma série de asneiras que culminaram em gripe...e tive de cancelar o treino de hoje =(
      Por isto eu diria correr à chuva sim, mas com juízo e sem fazer asneiras. Quando tiver a chover mesmo muito, nesse caso se calhar será preferível o ginásio.

      Beijinhos e um resto de bom fim-de-semana!

      Eliminar
  9. Pois, já li as asneiras que fizeste :P

    Para evitar esse tipo de situações (porque também já me constipei após uma prova/treino) agora ando com um saco no carro com um fato de treino e uma tshirt para vestir após a corrida. Se há coisa que aprendi nos últimos tempos é que o arrefecimento tem de ser bem feito, especialmente neste tempo mais frio!

    E eu, entre ir correr na rua à chuva ou correr no ginásio acabei por... ficar a dormir! (também faz parte do treino, não é?)

    E suspeito que tenho uma, digamos, "coisa chata" no tendão de Aquiles da perna direita. Desde a corrida do tejo que por vezes sinto uma dor ligeira no tendão e após um treino de velocidade a coisa ficou pior. E agora estou parado. Mas só nas corridas, porque no ginásio tenho-me dedicado ao RPM :)

    Beijinhos e as melhoras! :)

    ResponderEliminar
  10. Foi uma excelente corrida e com o grupo que fizemos acabou por passar ainda melhor.

    As melhoras da constipação.

    ResponderEliminar