quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Força meninos e meninas que vão ao Porto!

Junto a minha voz a outras vozes da blogosfera para dizer a todos aqueles que irão no próximo domingo à Maratona do Porto,

FORÇA!!!

Estou a torcer por todos vós.
Que consigam terminar, que atinjam os vossos objectivos, que terminem felizes e satisfeitos e que se divirtam muito!

Aos estreantes, desfrutem da viagem pois só há uma primeira vez. E não há nada que se compare à sensação de estarmos a correr a nossa primeira maratona. É algo de mágico e único.
Dói aqui, dói acolá? Estão cansados, transpirados, esgotados? Sorriam, estão vivos. Mais vivos que nunca.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

20 km de Almeirim, isto sim é uma corrida!

Ora aqui está uma corrida mesmo ao meu gosto!

Eu já suspeitava que iria gostar desta corrida, mas ontem confirmou-se. E foi exactamente aquilo que uma corrida deve ser, convívio, alegria, prazer e algum sofrimento.

Fui até Almeirim para um belo dia de convívio com a Mafalda, o João, a Sandra e o Nuno. Dia que amanheceu com nevoeiro e frio. Meia hora antes da partida estava cá um friozinho. Mas depois o sol apareceu e com ele até algum calor. Ah mas depois da maratona já não temo o calor como antes :)
Antes da corrida ainda houve tempo para algum convívio e fotos.

4 ao km!!!
João, eu e Eberhard.
Foto tirada pela Mafalda.
Eu com a Sandra e o João.
Foto tirada pelo Nuno antes da prova.
Comecei a corrida ao lado da Sandra e do João. O meu único objectivo era desfrutar da corrida. Mas os objectivos mudam.... ;)

Desde sexta-feira que andava com os músculos das coxas doridos. É o que dá treinar séries quando não estamos habituados. E assim que comecei a correr percebi logo que ainda não tinha recuperado a 100%. O importante é que dava para ir correndo. A Sandra com o seu ritmo mais certo acabou por seguir e eu e o João ficámos para trás. Não abrandámos propriamente muito mas seguimos um pouco mais confortavelmente pois eu ainda não me tinha soltado. Ou melhor, as minhas pernas ainda não se tinham soltado...já sabem como estas duas são...

Os primeiros km's desta prova foram feitos dentro de Almeirim com algumas pessoas a animarem. Acabou por se passar bem. Depois saímos de Almeirim e seguimos por uma estrada bem bonita. Quando começámos a descer por essa estrada comecei a soltar-me. O João disse-me para eu seguir. Quando é assim tento sempre puxar por ele, para ele vir comigo. Mas ele disse para eu seguir e eu lá segui. Tinha chegado o 2º fôlego. Segui por ali abaixo, passei pela Ana, corri um pouco com ela. Trocámos umas palavras, ela não ia a 100% mas dava para ir correndo. Despedi-me dela desejando-lhe uma boa corrida e uma excelente maratona do Porto e continuei a correr. Seguia numa zona plana com muitos pinheiros a fazerem sombra. Estrada bonita. De um lado muitas árvores, do outro planície. Apanhei o Eberhard, desejei-lhe uma boa prova e continuei. 
Alguém me gritou "Força Isa!", não reconheci mas agradeci e retribui o "Força!".
Ultrapassei dezenas de pessoas. Cheguei a ir tão "lançada" que tive de me controlar e travar-me a mim própria, pois sabia que iria estourar se continuasse a correr assim. Mas sentia-me bem e continuei a correr relativamente depressa (para os meus parâmetros relembro). Cheguei a Alpiarça e virámos à direita. Seguimos junto ao lago. Desviei o olhar da estrada para admirar a beleza. Um dia bonito de sol, patos e gansos dentro e à beira de água. Gente de camisolas coloridas a correr pela estrada. A beleza da corrida.

Nesta altura iamos a subir, nada de especial mas tinha uma ligeira inclinação. Quando cheguei ao retorno tinha quase apanhado a Sandra. Comecei a descer, cruzei-me com o João, depois com a Ana, depois com o Eberhard. Mais à frente apanhei a Sandra que ia a correr com outro atleta. Sentia-me bem por isso continuei, deixando-os para trás. Segui sozinha. Estava novamente na bela estrada a ultrapassar ainda alguns atletas mas já não ia a acelerar tanto como na ida. A certa altura vão dois atletas à minha frente, um deles fica para trás e diz ao outro para seguir com "essa menina". Era eu =) Lá seguimos lado a lado ainda durante algum tempo. Apeteceu-me comer qualquer coisa, pois já estava farta de emborcar água, e tirei os meus cajus e as minhas amêndoas. Ofereci ao senhor que aceitou e segui correndo e comendo. Entretanto a Sandra apanhou-me e ainda vinha uns metros atrás quando gritou "Isa, vais a lanchar?" hehehe. Perguntei se ela também queria e disse que se queria teria de apanhar-me ;)
Ela até nem queria mas lá me apanhou. Seguimos juntas algum tempo onde comentei com ela que iamos a fazer um bom tempo. Não o disse alto mas pensei para comigo que era bem possível que sem o ter planeado acabasse por bater o meu recorde pessoal dos 20 km. Aos 16 km ia com 1h33m. Mesmo dando margem para quebrar um pouco achei que era bem possível conseguir bater a 1h59m25s de Cascais.

Sim porque os últimos km's já não foram o mar de rosas dos ultimos km's. O cansaço já se começava a sentir e abrandei ligeiramente. A Sandra e mais uns colegas passaram para a minha frente. Mesmo assim durante mais de 2 km consegui manter-me atrás deles apenas uns 2 ou 3m. Só no último km acabei por ficar um pouco mais para trás mas não estava preocupada. Tinha sido uma boa corrida e estava prestes a bater o meu recorde pessoal na distância. Quando avistei a meta olhei para o relógio. Só um último sprint para acabar abaixo da 1h57m. 

1h56m54s é o meu novo recorde da distância. A hora e 59 minutos já era! =)

Fiquei muito satisfeita com a minha corrida. Apenas 3 semanas após a maratona não estava à espera de bater recordes mas aconteceu. Mais uma vez sem eu planear a coisa. Quando menos esperamos...

Uma corrida feita em verdadeiro prazer onde ora corri acompanhada, ora corri sozinha. Ora troquei palavras de apoio, ora ofereci frutos secos. E para rematar um recorde pessoal batido =)

A Sandra também bateu o seu recorde pessoal da distância. No final tirámos esta foto:
Dois recordes pessoais deixados em Almeirim.
Foi bom amiga. (Foto do Nuno)
Minutos depois chegou o João, ainda abaixo da hora.
Todos abaixo da 2h.
Os sorrisos pré-corrida mantém-se no pós-corrida. (Foto do Nuno)
Após tão agradável corrida, soube bem um duche nos balneários disponibilizados pela organização. E depois também incluído na festa dos 20 km de Almeirim, a bela da sopa da pedra, pãozinho, suminhos e fruta. E convívio animado entre estas 5 pessoas:

Obrigada companheiros pelo agradável dia.
Isto sim é a corrida.
Convívio e amizade.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Treinando para "Bolt's"

Hoje acordei às 6h15 para ir fazer séries com o Bolt, perdão, João, às 7h e pouco ;) 
O local escolhido foi o EUL e começámos a correr ainda estava de noite. Espectáculo! Acordar cedo para ir fazer séries. Sinto-me uma atleta a sério.

Fizemos um aquecimento de 3 km onde fiz de guia turística e mostrei quase todo o complexo do EUL ao João. O resto fica para a próxima sexta. Depois fomos para a pista....

Eu nunca treinei em pista. Nunca treinei séries a sério. Já tinha feito alguns treinos em que fazia uma espécie de séries mas nada assim a sério.

O João tinha tudo bem delineado e lá fomos fazendo a coisa. Não me perguntem a ordem das coisas e as distâncias que eu já não me lembro. Vejam aqui.

Após alguma alternância de velocidades e distâncias chegou o momento de darmos o tudo por tudo nos 400 m. 
Eu sei que sou rápida nos 100 m, agora nos 400 m já não tinha tanta certeza. Mesmo assim nunca pensei levar a abada que levei ;)
Os primeiros 100 m fomos taco a taco, aos cento e tal o João passou para a frente, antes sequer de chegarmos aos 200 comecei a ver o que ainda me faltava correr e percebi que era impossível manter aquela velocidade durantes os 400m. Por volta dos 200 m comecei a ver o João a ir. Eu soltei um sorriso e disse "Esqueçe lá isso." Percebi mesmo que não iria mais apanhá-lo. Eu ainda tinha pernas, mas já não tinha ar. Não conseguiria manter aquele ritmo até ao fim. E foi assim que fui vendo o João ganhar cada vez mais espaço e chegar aos 400 m 8 segundos antes de mim...

Cum caraças que o homem é rápido!!!

Mas...ele não costuma ser assim tão rápido...ele hoje DIZIMOU o seu recorde dos 400 m por mais de 2 segundos!!! What?!? 
Grande atleta!!! 
Isto só prova que é mesmo benéfico treinarmos séries com outras pessoas pois acabamos por dar mais. Fiz bem em picá-lo ;)
Enquanto eu fiz 1m31s, ele fez 1m23s. 

Depois destes 400 m a velocidade vertiginosa abrandámos o ritmo, andámos, depois voltámos ao trote e depois fizemos os 100 m. Aqui já fui eu mais rápida. Soltei a Bolt(a) que há em mim e corri como se não houvesse amanhã. Já não o fazia há muito tempo e soube-me bem.

Daqui para a frente eu e o João iremos fazer séries todas as sextas-feiras, faz parte do plano de Sevilha, o que significa que iremos desafiar-nos semana após semana. Ele irá tentar apanhar-me nos 100 m, eu irei tentar apanhá-lo nos 400 m. Nos 200 m ficámos na dúvida quem será o mais rápido, mas havemos de tirar essa dúvida ;) Agora a sério, gostei deste treino diferente do habitual e com companhia faz-se super bem. As séries fazem bem e sabem bem! Mas claramente prefiro correr 2 ou 3h a correr 100, 200 ou 400 m :)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

2h de corrida solitária ou I'm in heaven

Isa is back! =)

Mas vamos com calma. 
Colocando para trás das costas a semana menos boa, comecei esta semana com o pé direito e decidida a voltar aos treinos "a sério". 
Ontem fui correr. O objectivo eram só 30 a 45 minutos, tipo treino de recuperação. Não resisti a fazê-los em Monsanto. Sim, devia estar tudo enlameado. Sim, não deveria haver muitas pessoas por lá. Sim, está perfeito. Não me demorei por lá muito tempo mas soube-me bem correr no pulmão de Lisboa. Corri cerca de 40 minutos e não foram espectaculares mas souberam-me bem. Entretanto durante o treino comecei a magicar um treino para hoje. Tinha a manhã livre o que é coisa rara. E se eu fosse simplesmente correr por aí? Ao ritmo a que a corrida me levasse? Sem a pressão do tempo pois tinha a manhãzinha toda só para mim. Talvez umas duas horas? Mas ir rolando e logo se vê onde as pernas me levam.

Quarta-feira de manhã, ou seja, hoje =)
Acordo cedo, saio com a minha mãe, ela vai trabalhar, eu vou correr. 
Monto o "acampamento" no estádio universitário. A senhora do pavilhão já me conhece. Equipo-me e saio para correr. Não sei como estarão as minhas pernas. Não sei como estará a minha cabeça, o meu coração. Não me interessa. Vou correndo até onde as pernas me levarem.

Começo então a correr. Corro um bocadinho na zona de terra batida do EUL, depois abro asas e voo dali para fora. Ah que saudades disto! Correr sozinha por Lisboa. 
Atravesso a Cidade Universitária, o Campo Grande. Sinto-me bem. Ainda é cedo para o afirmar, mas já sinto que vou correr mesmo à volta de duas horas. Há bastante trânsito, há várias pessoas nas paragens. 
Um autocarro passa por mim. 755. Ai queres desafio? Desafio aceite! Vou umas quantas paragens a par com o autocarro. Ora me ultrapassa, ora o ultrapasso. Graças a paragens e semáforos pelo meio. Vamos nisto algum tempo. Quando finalmente o perco de vista sorrio. Que gozo enorme!

Sigo correndo. Já vou na Avenida de Roma e sigo em direcção ao Estádio 1ºde Maio. Penso para mim "já que estou aqui tão pertinho, dou por lá uma voltinha". E dou. Acabo por aproveitar mais uma vez a zona de terra batida. Para alcatrão e passeio já me basta o resto do percurso. 

Saio do estádio. Não sem antes ter aproveitado para beber água. Sigo no percurso inverso ao da antiga maratona. Penso (e quando penso....provavelmente quer dizer que um dia vou fazê-lo...) para mim que gostava de fazer a antiga maratona de Lisboa. Ou seja, o percurso anterior, o do ano passado. Para já não. Mas um dia hei-de fazer esta maratona. Em treino.

Continuo a correr e à medida que vou correndo vou lembrando-me do percurso e sigo sempre por ele. Chego à Almirante Reis. Descer a Almirante Reis é quase tão mau como subi-la. Não. Acho que é pior. Desço, desço, desço e nunca mais avisto o Martim Moniz. Passo por tanta gente. Continuo a descer e penso que subir a Almirante Reis é mais rápido que descer. Eu até vou a uma boa velocidade mas parece que nunca mais acabo de descer. 

Finalmente chego ao Martim Moniz. Já bebia água. Não vejo nenhum chafariz. Viro para os Restauradores. Decido iniciar a viagem de regresso mas por outro percurso. Vou pela Avenida da Liberdade. Avisto um chafariz. Água!!!!! Não. Não tem. Sei que há um no Marquês mas subir aquilo tudo quando já vou cheia de sede? Pois lá terá que ser. Ainda por cima tinha comido um cubo de marmelada e alguns frutos secos que levei comigo e ia mesmo com sede. Lá fui subindo e quase já no Marquês lá descobri um chafariz com água. Agora sim. Siga. 

Continuo a subir até ao Saldanha. Alterno entre momentos de garra com momentos de cansaço. Começa a chover. Aleluia! As pessoas correm a abrigar-se, eu corro feliz da vida à chuva. Saldanha, Campo Pequeno, EntreCampos. Entretanto parou de chover. Campo Grande. Estou quase a chegar ao meu ponto de partida e também ponto de chegada. Fiz um percurso mais ou menos circular. Volto a beber alguma água no Campo Grande e sigo para a etapa final. O Estádio Universitário é já ali. Chego. 2h depois de ter começado. Não corria tanto desde a maratona. Mas fez-me bem. Física e psicologicamente. 

Horas mais tarde tenho uma agradável surpresa do João. Um vídeo feito por ele com toda a minha viagem até ao dia da minha estreia na maratona. Mais uma vez obrigada. Adorei!

Decididamente um dia bom.

Sexta vou fazer séries com o João. Ganda abada que lhe vou dar =P

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Semana da treta + Corrida do Aeroporto

A semana passada não foi grande coisa. Em termos pessoais o que acabou por afectar também a corrida. Mesmo assim esforcei-me e fui correr quarta e sexta. Dois treinos sem grande prazer, dois treinos sem grandes momentos. Quando cheguei a domingo, ao dia da Corrida do Aeroporto estava a ver a minha vida negra. Não me apetecia correr. Não me apetecia estar ali no meio daquela confusão. Não estava com grande vontade. E depois ouvi as habituais bocas quanto à t-shirt da equipa. Eu sou uma pessoa muito pacata, muito pacífica mas se não estou nos meus dias a tampa pode saltar-me. A Isa amorosa e querida desaparece para dar lugar a uma Isa prestes a passar-se. Ainda nem estou na corrida, ainda vou na Quinta das Conchas a caminho da corrida e já vou a ouvir uns atletas a meterem-se comigo por causa da t-shirt que diz "Eu corro NOS 4 ao km", não diz "Eu corro a 4 ao km"!!!! Primeiro respondi na brincadeira, mas depois eles seguiram e continuavam a comentar que os atletas dos 4 ao km não corriam a 4 ao km...Ui....não se metam com uma mulher que não está nos seus dias...
Não gritei, mas num tom de voz um pouco mais alto disse-lhes que na t-shirt não dizia que corriamos a 4 ao km!!!Dizia que corriamos NOS 4 ao km!!! Eles não ligaram e ainda bem porque como eu estava irritada aquilo podia ter descambado para uma troca de palavras menos bonita. Quem me conhece sabe que eu não sou assim, mas não tenho andado muito bem e as bocas parvas não ajudam.

Quando cheguei ao pé do João, Sandra e Nuno não estava muito bem-disposta. Melhorei um bocado depois da corrida mas a Sandra disse, e com toda a razão, que eu estava muito refilona. 

Epá...esta foto que o Nuno me tirou capta na perfeição o meu estado.
Vejam só o meu ar de "Despacha-te lá com  isso que eu hoje estou refilona."
A maratona foi há apenas 2 semanas, tinha planeado fazer esta corrida acima da hora. Só corri duas vezes durante a semana e esses treinos não foram grande coisa. Não valia a pena estar a forçar apenas 2 semanas depois de completar os 42 km.

Desejei uma boa prova à Sandra e ao João. Pelo caminho encontrei a Marta Andrade e o Gil. E dirigi-me para a zona da partida, ficando mais atrás do João e da Sandra que tinham melhores planos que eu para esta prova. Eu nem sabia se conseguiria terminar tal era a minha vontadinha...

E eis que começou a prova. 
Logo nos primeiros metros novos atletas armados em campeões. Relembro que parti do meio do pelotão juntamente com mais pessoas. Cada um à sua velocidade. Nem muito rápidos, nem muito lentos, daí partirmos do meio do pelotão. Então passam por mim uns gaijos. Um deles comenta com o outro "Vamos embora que esta gente não vem para aqui correr." Apetece-me pregar-lhe uma rasteira mas controlo-me. O "atleta" ia a empurrar tudo e todos porque segundo ele as outras pessoas não iam a correr... Até o amigo dele lhe disse para ter calma e que a corrida ainda agora tinha começado...tinham ainda muito tempo para acelerar.

Para mim correr não é fazer tempos. Correr é alegria, amizade, respeito, companheirismo, felicidade, algum sofrimento. Correr não é insultar os outros, gozar com os outros ou empurrar os outros. Correr é sorrir para os outros, é pedir desculpa quando sem querer os empurrarmos ou pisamos. 

Agora se há pessoas que acham que correm muito e que correr é só fazer tempos e os outros que se lixem, bom para eles. Façam bom proveito. Mas tratem os outros com respeito.

Se eu já não gostava das ditas provas mais comerciais, agora passei a gostar ainda menos. E começo a achar, não querendo mesmo assim generalizar, que quanto mais para a frente do pelotão pior. Menos companheirismo, mais empurrões, menos sorrisos, mais preocupação com o tempo que se vai fazer.
E é assim que tomo a decisão que daqui para a frente provas deste género serão escassas para mim. 
Para mim quanto mais espaço entre atletas durante uma corrida melhor. Quanto mais companheirismo, sorrisos e respeito melhor.
10 km agora em principio só dia 31 de Dezembro na S.Silvestre da Amadora.

Continuando então com o relato da prova de cujo percurso gostei e cujos abastecimentos não falharam (que eu tenha dado por isso) e que no geral estava bem organizada.
Começamos com uma subida que segundo o João era a única de relevância durante a prova...Hanhan..claro que sim...Depois damos uma volta pela zona, sou ultrapassada por um atleta que vem falar comigo e que me dá os parabéns pela maratona. Agradeço e fico mais bem-disposta. Ao longo da prova houve mais pessoas a gritar por mim e a dar-me os parabéns pela maratona. Não reconheci a maior parte delas. Mas calculo que sejam leitores deste blogue. A eles muito obrigada. Ontem não estava nos meus melhores dias, mas acreditem que a vossa força e os vossos sorrisos me deixaram mais feliz e bem-disposta.

Seguimos até à Pista do Professor Moniz Pereira o que achei uma ideia interessante e gostei de correr num piso diferente para variar. Aqui já ia perto do João, talvez a uns 50 m, ao longo dos 3 primeiros km's fui ganhando velocidade e como conseguia ver o boné dele fui tentando aproximar-me dele e apanhá-lo. Mas depois da pista entrávamos num jardim para darmos a volta a um lago e a certa altura passávamos em cima duma ponte de madeira. Devido à grande afluência de atletas a esta prova era quase impossível fazer ultrapassagens por isso deixei-me ir e acabei por desistir da ideia de apanhar o João. Ainda há 2 semanas corri a maratona, é melhor não me meter com avarias.

Quando cheguei aos 5 km havia abastecimento. Aproveitei para me molhar e para beber água. Estava nublado e nem estava muito calor mas ao mesmo tempo parecia um bocado abafado.

Continuei a correr e aos poucos comecei a sentir-me mesmo bem por estar a correr. Havia uma descida e depois entrada no Parque das Conchas onde não havia subidas nenhumas...
Só tenho a dizer que acho que nunca vi tanta gente a andar numa corrida de 10 km. Quando chegou tudo aquela zona de trilhos na Quinta das Conchas, aquelas belas subidas...era vê-los quase todos a andar. Mas esta prova só tinha uma subida digna desse nome no inicio dizia o João... =P
Comecei a ultrapassar algumas pessoas. Iam a andar e eu ainda conseguia correr. E então subidas assim mais técnicas do que a simples subida no alcatrão. Assim é que sabe bem. Estava mais feliz. Cruzei-me com a Mafalda por duas vezes.

Lá segue a amarelinha.
Foto tirada pela Mafalda.
Andámos num sobe e desce dentro da Quinta das Conchas. Comentei com outra rapariga que um amigo meu me tinha dito que esta prova não tinha grandes subidas...Tinha sido bem enganada...
A certa altura parei uns segundos  num chafariz só para encher um pouco da minha garrafa que já ia vazia. 
Finalmente lá saímos do parque e já estávamos no km 9. Mais subida agora já em alcatrão  e depois sempre a descer até à meta. Talvez até conseguisse fazer abaixo da hora. Já que ainda havia essa possibilidade lá alarguei a passada e cheguei com 59m33s. Nada mau tendo em conta que há 2 semanas atrás corri o que corri.

Com o meu companheiro João que me enganou bem enganada =P
Em defesa do João tenho que dizer que ele não se lembrava da parte dentro da Quinta das Conchas e não se lembrava mesmo que esta corrida não era assim tão plana como isso.
Eu pessoalmente achei das corridas de 10 km mais difíceis que já fiz. E também foi a corrida de 10 km em que vi mais gente a andar. Não me parece uma boa corrida para quem esteja à procura de recordes. Tem algumas zonas estreitas difíceis para ultrapassar, tem alguma confusão e depois tem várias subidas quer em alcatrão quer em terra batida.

No final a habitual foto-convívio:
João, Nuno, eu, Sandra, Orlando, Catita e Gil
Achei que no geral a organização esteve bastante bem. Não notei falhas. As únicas falhas que notei foram falhas dos atletas para com outros atletas. E isso não é desportivismo. Eu também gosto de pensar em tempos, eu também tenho objectivos, eu também fico feliz e orgulhosa quando consigo bater um recorde pessoal mas não é por isso que ando para aí a empurrar outros atletas ou a mandar-lhes bocas. Principalmente quando tenho plena noção que muitas vezes aqueles que correm a velocidades mais lentas são precisamente aqueles que vão em maior esforço e a quem a corrida vai a custar mais. Basta olharmos para as caras de alguns atletas que chegam alguns bons minutos atrás de nós. Alguns vêm em grande sofrimento. Não andaram a passear a ver as vistas. Estiveram a correr! Todos merecem o nosso respeito. Até o último a chegar. Principalmente o último! É precisa muita determinação, muita vontade para se ir em último, ir ali muitas vezes isolado e com uma ambulância colada aos calcanhares, mas mesmo assim continuar a correr! E para mim é muito mais atleta o último a chegar do que muitos que fazem bons tempos mas que não têm qualquer respeito pelo próximo. E tenho dito.

Venham os 20 km de Almeirim de preferência com mais respeito, mais companheirismo e amizade.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

E agora? O que se segue?

Para não estar para aqui a enrolar vamos já falar de Sevilha e de como esta ideia surgiu.
Uma coisa que tem acontecido ao longo destes meses e que tem imensa piada é a sincronização de ideias entre mim e o João. Tenho uma ideia, comento com o João, ele responde que tinha pensado exactamente na mesma coisa. O João tem uma ideia, comenta comigo, eu já tinha pensado nisso também. Uma dessas ideias foi precisamente a maratona de Sevilha. Um dia ao desfolhar uma revista vejo a anunciarem a Maratona de Sevilha, uma maratona em Fevereiro, plana e a passar nos pontos túristicos da cidade. Outro ponto positivo, não é só rectas! É curva para aqui, curva para ali e o tempo passa que nem devemos dar por ele. Pensei "Hummm...porque não? Sevilha não é assim tão longe. E até lá ainda tenho tempo de pôr algum dinheiro de parte." 
Mal sabia eu que João Lima tinha ficado a pensar a mesma coisa ao desfolhar a mesmíssima revista! 
Um dia...mais precisamente no dia da Corrida do Tejo... no treino que fizemos em grupo após a prova ia eu a correr só com o João a meu lado e os nossos companheiros vinham um pouco atrás, comento com ele que ando a marinar Sevilha na cabeça. Responde-me que tinha pensado exactamente a mesma coisa. Estamos mesmo em sintonia. Digo-lhe que não é ainda para andarmos por aí a gritar aos quatro ventos. Nem me vou inscrever ainda sem sequer saber se consigo ou não correr a de Lisboa. 
Concordamos que só veremos isso depois de dia 6 de Outubro...
Os dois safaditos às escondidas um do outro...após esta conversa foram cuscar mais informações à net sobre a dita cuja. Poucos dias depois recebo email do João "Ah e tal não te zangues comigo mas já andei a ver umas coisas sobre a maratona de Sevilha". Repreendo-o "João! Não foi isso que combinámos...Era suposto só vermos isso depois de dia 6!.........Eu também já andei a ver umas coisas..." Hehehe =)

Ainda eu não tinha corrido a minha primeira maratona e já andava entusiasmada com outra. Só posso mesmo ter uns parafusos a menos. Uma coisa que concordámos a sério foi que a inscrição seria apenas após a minha estreia. Eu tinha os meus receios como é natural. E se corresse mal? E se eu não conseguisse correr uma maratona? Assim decidimos que eu daria o aval final após correr a maratona. No dia a seguir ou após ter corrido a primeira. 

E foi assim que apenas uns minutos depois de ter terminado a minha primeira maratona estava a dar luz verde ao João para ele nos inscrever na Maratona de Sevilha. 

Desta vez os planos são outros. Os treinos semanais serão mais "rigorosos" e quero fazer menos de 5h. Se não conseguir não é grave, mas gostava de fazer menos de 5h em Sevilha. Veremos. 
Por agora ainda estou na fase de recuperação. Embora já me sinta a 100% tenho de ir com calma e nas próximas semanas é ir aos poucos retomando os treinos habituais para depois iniciar novo plano de treinos.

Agora...para além de Sevilha....já há outra maratona na manga mas uma de cada vez que eu não gosto de colocar a carroça à frente dos bois.

Vou é já revelar aqui um plano que tenho para 2016. Para quê esconder algo que já meti na cabeça que vou fazer? E que para variar a única pessoa que já sabia desta minha ideia (desde esse treino do Tejo) é o João.

Primeiro, e para que não se assustem, quero dizer que tenho plena consciência que aquilo em que me vou meter (apenas em 2016) é extremamente duro, requer muito, imenso treino! E não bastam os treinos que tenho feito até aqui. Tenho consciência que, por muito bem que me prepare, as hipóteses de alguma coisa correr mal são grandes. No entanto, acredito que aquilo que planeio já para os próximos meses me irá começar a preparar para aguentar "aquilo" em 2016. Gosto de pensar nas coisas com tempo, gosto de planear as coisas com cuidado e não sonhar demasiado alto demasiado cedo por isso delineei o ano de 2016 como o ano em que farei esta prova. Muito tempo até lá para continuar, com cabeça, a aumentar progressivamente os km's, o tempo de corrida. Muito tempo para acrescentar outro tipo de treinos quer de corrida quer de natação, que quero passar a incluir no meu plano semanal.

Antes de revelar os meus planos para 2016 vou contar-vos uma coisa. Assim ficam já a perceber que esta ideia já anda nesta cabecinha há muito tempo...Quando fui a Paris em Janeiro andei em livrarias a cuscar livros sobre corrida. Ora o orçamento era limitado por isso só tinha possibilidade de escolher um livro. Queria trazer um livro que fosse quase como uma biblia e que demorasse tempo a ler. Comprei um livro da autoria de Guillaume Millet e que se chama...............
"ULTRA-TRAIL. Plaisir, Performance et Santé". Pois... =)
O livro tem vários capítulos, vem ainda com um DVD e o seu único problema é estar escrito em francês...língua que não domino na perfeição. Apesar disso consigo perceber as ideias gerais e quando tenho dúvidas consulto o dicionário. Quando comprei o livro em Janeiro obviamente ainda não me passava pela cabeça correr uma ultra-maratona. Pelo menos no momento. Nunca sem antes ter corrido uma maratona de estrada. Ora, se agora já corri uma maratona sinto que posso começar a dar asas aos pensamentos que já me assolavam a cabeça. E o João bem o sabe.

Sem mais demoras comunico que em 2016 quero fazer o Ultra Trail da.....................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................Serra de São Mamede.

São pouquinhos km's............são só 100.......

Porquê São Mamede? 

100 km é um número bonito e bem redondinho. 
E até lá tenho tempo para me ir aproximando progressivamente desse número com a participação noutras provas mais pequenas, mas igualmente ultras.

Depois porque tenho lido relatos apaixonantes desta prova. 
E depois porque adoro aquela zona e adoro Marvão e sei que vou adorar viver toda a aventura.

Porquê 2016?

Não sou assim tão maluca para me mandar para uma coisa deste tamanhão já para o ano. Nem conseguiria terminar. Ainda estou verdinha em trilhos e apesar da maratona ainda estou verdinha em anos de corridas. Calma lá com os cavalos!
No próximo ano tenciono ir aos 24 km, em 2015 aos 42 km e em 2016 aos 100. Quero fazer as coisas passo a passo. Ir conhecendo a serra aos poucos. Prolongar a paixão.

Mas lá por ir só fazer 24 km no próximo ano em  São Mamede isso não invalida que faça outras distâncias (leia-se maiores distâncias) noutras provas já no próximo ano...

Mas pronto. Para já ficamos assim, que isto já é muita informação e depois queixam-se que eu escrevo muito =P
Era mesmo só para vos dar conhecimento do "Projecto São Mamede" =).

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

1os treinos pós-maratona e Triatlo de Lisboa

Segunda-feira após a maratona estava toda partidinha. Terça já um pouco melhor, quarta já tudo normalizado. Quinta fui treinar que já estava a ressacar por uma corridinha. Era apenas a primeira após a maratona por isso fui só correr 20 minutos a uma velocidade bem lenta só para as pernas voltarem à actividade.

Já tinha dito que ia assistir ao triatlo da Marta e do Jaime por isso combinei um treino com o João na zona de Belém domingo logo pela manhã para depois podermos ficar para assistir à estreia destes dois atletas na modalidade. 

A Carla e o Jaime ainda se juntaram a nós nos primeiros km's mas depois voltaram para trás para iniciarem os preparativos para a prova. Eu segui com o João naquele que foi um treino super agradável de 1h e em que me senti sempre bem a correr. Falámos muito sobre Sevilha, falámos muito sobre 2016...(mais pormenores daqui a uns dias hehehe...), falámos sobre tantas ideias que temos para os nossos treinos para Sevilha, enfim...corremos e falámos sobre corridas. 

Depois do treino fomos então assistir ao Triatlo de Lisboa, mais concretamente às brilhantes provas do Jaime e da Marta. Ambos estiveram muito bem e estão de parabéns! Grandes triatletas! O palco é vosso por isso vocês contarão como vos correu a prova.
Foi bastante interessante assistir a um triatlo. Tirei imensas fotos que mais tarde o João irá publicar.
Já mais que uma vez disse que gostava de experimentar um dia. Mas neste momento há outras prioridades e já tenho tantas ideias na cabeça que se me vou meter também num triatlo fico sem tempo para nada. Mas que um dia vou experimentar lá isso vou!

Fim deste artigo (digam lá que este não foi bem mais curto que o da maratona... ;) ahahahahah)

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Palavras do amigo Manuel Sequeira

A pedido do amigo Manuel Sequeira coloco aqui um texto escrito por si.
Agradecida e sensibilizada pelas amáveis palavras.

"Grande maratonista!
 
Mais 48 horas e terá passado uma semana desde que te tornaste maratonista, uma das poucas mulheres portuguesas, não mais que escassas centenas, que se aventuraram na mítica distância. Devido aos preconceitos existentes durante centenas de anos (já era assim nas antigas Olimpíadas organizadas pelos gregos), a maratona era até há poucos anos interdita às mulheres. Rosa Mota com a sua vitória em Atenas na primeira edição da maratona em Campeonatos da Europa, quebrou esse mito.
 
No domingo, fiquei de entrevistar até seis maratonistas para a revista. Quando a Mafalda que estava na meta a tirar fotos, me disse que o João tinha desistido, o meu pensamento foi logo entrar em contacto com o João.  Assim o fiz e vi bem o drama dele, mais do que a sua desistência, ele estava preocupadíssimo contigo. Afinal, a afilhada portou-se muito bem e mostrou ao padrinho o que é uma mulher valente, qual padeira de Aljubarrota a desancar nos espanhóis. Neste caso, não desancaste nos espanhóis mas sim nas placas dos quilómetros!
 
Suponho que já digeriste todas as emoções tidas antes, durante e após a maratona. É sempre um momento inesquecível nas nossas vidas, um momento que se prolonga para além da simples prática desportiva.  O "ser capaz de" dá-nos maior confiança para o nosso dia a dia, na resolução de situações profissionais, pessoais, etc. Quantas vezes se nos deparam situações em que pensamos: "se fui capaz de fazer isto ou aqueloutro (no atletismo), também serei capaz de resolver agora esta situação, de natureza mais pessoal".
 
A tua maratona ainda teve mais valor por causa da desistência do João. Provaste a ti própria de que eras capaz sozinha de completar a prova. Isso dar-te-á maior confiança para desafios futuros como o de Sevilha em Fevereiro próximo. Logicamente que irás melhorar substancialmente o teu tempo na distância, embora esse não seja o objectivo principal. Mais uma ou duas maratonas e estarás a baixar das cinco horas e vais ver que se continuares a praticar a modalidade com a mesma paixão que agora, daqui a meia dúzia de anos estarás na casa das quatro horas. Tens todas as condições para tal. És nova, tens grande força de vontade e fazes uma coisas que gostas.
 
Até uma próxima corrida.
 
Abraço,
 
Manuel Sequeira"

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A minha estreia na maratona

Aviso:

  1. Artigo/Post extremamente grande. Não estavam à espera que eu corresse uma maratona e escrevesse só umas linhas, não é? Como tal vou tentar dividir o artigo em km's para ser de mais fácil leitura. Estejam à vontade para lê-lo também por fases.
  2. Artigo com muita emoção à mistura. Alta probabilidade de gerar algumas lágrimas e muitos sorrisos. Como tal aconselho que o leiam quando estiverem na privacidade das vossas casas e com uma caixa de lenços de papel ao lado. Não digam que não avisei...


Nem sei por onde hei-de começar. Foram tantas as emoções vividas, tantos os momentos marcantes que provavelmente não vou consegui escrever tudo o que quero.

Imaginamos como poderá correr, imaginamos o que iremos sentir quando cortamos a meta, imaginamos...Mas depois as coisas nunca são como imaginamos. Lembramo-nos dos conselhos dados, lembramo-nos do que nos disseram e chegamos à conclusão que têm razão em muita coisa mas noutras coisas podem ter razão, mas conosco não foi bem assim que as coisas se passaram.

Vivi tantas emoções, passei por tantas fases, corri com o João, corri sozinha, corri com outra atleta de seu nome Carmen, corri com a companhia da Carla, Jaime, Sandra e Nuno. Ri, chorei, dancei.
Posso contar-vos tudo mas só vivendo se percebe bem a dimensão da coisa. E 42 km e 195 m não são coisa fácil. É que não é mesmo nada fácil. Mas, e este mas é importantíssimo, com muita força psicológica e alguma sorte à mistura a coisa faz-se.

Vou então começar a redigir a aventura.

Noite anterior ao dia da maratona


Deitei-me cedo, dormi bem até acordar algures a meio da noite provavelmente 4 ou 5 da manhã e a partir daí já não consegui dormir mais. Estava em pulgas! Voltei para a cama e fechei os olhos mas não consegui adormecer. Virava-me para um lado, virava-me para o outro e não havia maneira do despertador tocar. Que ansiedade! Acalma-te Isa, acalma-te.

Às 7h finalmente toca o despertador. Soltei um "Aleluia!" e pulei da cama, tomei o pequeno-almoço habitual, fiz tudo o que tinha para fazer na casa de banho, equipei-me, espalhei vaselina onde necessário, espalhei protector solar e às 8h estava a sair de casa com a minha mãe.

Momentos pré-maratona

Às 8h o João estava com a Mafalda e o Ricky à nossa espera à porta do prédio. Eu estava um pouco ansiosa. Acho que a estreia numa maratona é razão suficiente para o estar...
Mostrei-lhes o bolo que fiz no dia anterior e que foi a minha maior obra-prima até hoje e que era suposto estar na meta à nossa espera para todos podermos saboreá-lo. Mas com o stress todo da filha estar a correr uma maratona, a minha mãe esqueceu-se dele no carro da Mafalda. É admissível :)
Portanto pessoal que estava lá na meta à minha espera...olhem...fica a intenção...Mas para se babarem um bocado era bolo de chocolate coberto com glacé de limão ;)
Aqui está ele:

Para vocês companheiros desta aventura.
Caso não consigam ler, eu traduzo:
MARATONA DE LISBOA
06.10.2013
A viagem até Cascais correu bem, eu ia pensativa. Finalmente chegara o dia! Eu ia correr uma maratona! E depois olhava pela janela e via um lindo dia de sol e zero nuvens....Tempo perfeito para correr uma maratona...ou não...
O tempo que todos temíamos foi precisamente o tempo com que o S. Pedro nos brindou. Após ter andado a dar-nos esperança durante a semana com chuva e tempo mais fresco, no dia da maratona tinha que estar um dia radiante de sol e calor. Podia não estar aquele calor horrível, mas estava calor.

Após chegarmos a Cascais fomos logo à casa de banho. Eu acabei por ir 2 vezes e na partida já parecia ter outra vez a bexiga cheia mas era tudo psicológico.
Encontrámos várias pessoas conhecidas, inclusive os companheiros estreantes Vitor e Pedro Murtinhal. A atmosfera vivida era de entusiasmo, calma e ansiedade. Tudo ao mesmo tempo.
A certa altura passaram uma música dos Pearl Jam. Oh I'm still alive...Os safaditos da organização a brincarem um bocadinho conosco, só pode! Claro que na partida todos estamos ainda "still alive", mas quando chegássemos à meta estaríamos nearly dead...Mas no fundo no fundo estaríamos mais vivos do que nunca!
Algumas fotos desses momentos pré-maratona:

Afilhada e padrinho.
De sorrisos na cara mal sabiam o que os esperava...
Aqui também com o companheiro Vitor.
Rúben, Joana e Ricky, minha mãe, eu e João.
Obrigada a todos.
O meu pai também me fez uma surpresa e foi ver-me à meta. Apenas tinhamos combinado que ele iria estar em Oeiras a dar-me geis mas ele fez-me esta surpresa e logo me disse que iria também estar a apoiar-me em Algés, Belém e Cais do Sodré.

Fiz muito ligeiro aquecimento e quando uma pessoa dá por ela, já eram quase 10h...AI CA MEDO! Dirigimo-nos para a zona da partida e logo logo a seguir estavam a dar o tiro da partida. Alguns minutos depois estávamos a atravessar o pórtico da Partida. Tinha começado a aventura.

Maratona


km 0 - km 3



Muitos sorrisos, muita animação. Sigo de sorriso na cara pois finalmente estou a viver aquilo com que tanto sonhei.

Logo nas primeiras centenas de metros o Vitor segue, sei perfeitamente que já não o volto a ver durante a prova por isso grito-lhe um "Força Vitor!". Sigo com o meu companheiro, padrinho e amigo, João Lima. Uma maratona que era para ser feita a dois.

Os primeiros km's correram bem, fomos nas calmas, ambos sentíamos as pernas um pouco presas mas isso é natural e mais à frente já devia passar. Mesmo assim o ritmo não era mau. Nalguns sítios havia pessoal a apoiar, eu ia alegre e agradecia. E estava contente com toda a experiência que estava a viver junto do meu companheiro de aventura.
Por volta do km 2,5, no Estoril, um amigo do João e que já correu algumas maratonas ia a andar...Mau, que se passa? Disse que ia desistir, que para ele não dava, estava muito calor. Tentámos dar-lhe força mas ele parecia ter desistido. Aquilo mexeu comigo durante alguns metros. Vermos alguém que já é maratonista a desistir logo no inicio não é fácil e faz-nos questionar a nossa sanidade mental.

Perto do marco do km 3 estava a Carla que nos deu força. É sempre bom ver caras familiares, é sempre bom receber apoio. É como se atestássemos a gasolina nesse momento.

km 3 - km 5

Na descida do Estoril deu para recuperar um pouco, embora depois houvesse mais uma subida, seguida novamente de descida onde haveriam mais pessoas a apoiar-nos.
Aos poucos as pernas pareciam começar a soltar-se. Ao mesmo tempo o João não me parecia a 100%, mas pensei que passasse mais à frente.

Uma banda a tocar uma música do Elvis Presley ou algo dentro do género animava o pessoal. Até dancei de tão entusiasmada que ia!

A paisagem era bonita, consegui desfrutar da vista do mar e apreciar o momento de ir a correr uma maratona. Ia animada, ia sorridente, ia a viver o sonho.

km 5- km 11,5

Enquanto as minhas pernas acabaram por soltar-se e eu ia a correr em verdadeiro prazer de corrida, o João não ia com boa cara. Já corremos tanto juntos, em tantos treinos, em tantas provas, que já percebemos quando o outro não está bem. Mesmo assim perguntei-lhe se ia bem. Ele não respondeu. O facto de não responder foi para mim a resposta. Se ele estivesse bem diria logo que sim todo animado. Eu conheço-o. Mas não. A cara dele dizia tudo. Entrou então em acção a Isa madrinha. Sim, eu sei que eu é que sou a afilhada e o João é o padrinho mas mais que isso nós somos uma equipa! E temos de estar lá um para o outro quando um de nós precisa. E se o João não ia bem, eu ia tentar animá-lo, puxar por ele e distraí-lo. E foi isso que fiz. Fiz tudo o que consegui para distraí-lo e não me foi muito difícil fazê-lo pois eu ia animada e verdadeiramente feliz por estar finalmente a correr a maratona.

De vez em quando ele esboçava um sorriso, depois lá me disse o que sentia. Tentei animá-lo.

Em Carcavelos estavam a Mafalda e a minha mãe. Perguntaram-nos se íamos bem. Eu ia, o João não.
Mais à frente o João começou a andar. Vê-lo a andar tão cedo assustou-me e comecei a temer o pior. Um senhor da organização que ia numa bicicleta perguntou se estava tudo bem. Eu tentei tranquilizá-lo, o João disse que estava um bocado mal disposto e que precisava de andar. Continuei a correr embora muito devagarinho para não deixá-lo para trás. Cheguei a dar meia volta e a voltar para trás uns metros ao encontro dele. Para tentar animá-lo disse que já estava a fazer uns metros extra e que por isso quando acabasse ia dizer que tinha corrido uma ultra e não uma maratona :)
Perguntei-lhe se queria vomitar ou ir à casa de banho, podia ser que aliviasse. Eu esperava por ele. Ele não quis ir, não precisava.

km 11,5- km 15,5

O João lá retomou a corrida mas não ia bem. Felizmente chegámos a Oeiras, celebrei o facto de estar a mudar de concelho. Ao todo atravessámos 3 concelhos ao longo da prova. Em Oeiras faziamos um desvio para dentro da vila e cruzávamo-nos com pessoal. Vimos o Vitor, vimos o Pedro M. e mais pessoal conhecido. Aquilo manteve-o distraído durante um pouco. Depois entrámos no jardim municipal de Oeiras. Fui sempre a distraí-lo com conversa mas está bem está...Ele não ia bem e conhecendo como conheço o João a correr aquilo não era nada bom sinal.

Apanhámos uma senhora, meti conversa com ela. Era brasileira mas residente há 22 anos em Portugal. Lusa de coração :) Também era a estreia dela.

À saída do jardim estava o João Branco. Grande animação por vê-lo. Mais à frente havia um retorno, passávamos ao pé de mais uma banda. Uma coisa que felizmente consegui fazer ao longo de toda a prova foi bater sempre palmas ou acenar sempre que passava por uma banda.
No retorno voltámos a passar pelo João Branco e por mais umas pessoas que estavam ao pé dele. Acho que ele não as conhecia mas disse-lhes o nosso nome e elas gritaram por nós, "Força João!", "Força Isa!". Obrigada, obrigada, obrigada. Disse esta palavra 1000 vezes ao longo de toda a prova.

Mais à frente estava então o meu pai a dar-nos os geis e com ele estava o Miccoli, um dos cães dele e minha grande paixão. Quando percebeu que era a "dona" começou a choramingar. Ainda lhe fiz uma festa mas tinha de seguir. Agradeci os geis ao meu pai, disse-lhe que ia bem e segui com o João.

Umas centenas de metros à frente o João recomeçou a andar e foi-se abaixo. Que não ia conseguir, que me estava a prejudicar, para eu seguir sem ele. Respondi que não, para ele andar um bocado que eu ia seguindo numa corrida mais lenta mas não o ia deixar para trás. Disse tudo o que consegui para o animar, mas infelizmente o problema do João não era psicológico, era físico e estava a atormentá-lo desde o inicio.

Começámos a subir junto à praia de Santo Amaro. Havia um abastecimento. O pessoal de todos os abastecimentos foi sempre 5*, sempre a apoiar-nos. Soube muito bem. Fiquei ligeiramente para trás e fiz sinal ao pessoal para baterem palmas e darem-nos mais apoio. O objectivo era tentar arrebitar o João. Eles foram 5* e colaboraram. Mas o João não estava bem e disse-me que não ia conseguir fazer toda a corrida assim. A certa altura, novamente a andar disse-me "Isa vai! Segue!" Teimosa como sou disse-lhe "Não!". Muito sério disse-me "É uma ordem!" e encostou ao passeio. Saiu da estrada e foi para o passeio. Eu não queria acreditar que aquilo estava a acontecer. Não queria deixá-lo para trás. Perguntei-lhe se estava mesmo a desistir. Disse que sim. Percebi que a corrida a dois acabava ali. Foi...nem há palavras.
Abracei-me a ele a chorar. Ambos chorámos e eu segui. Foi o momento mais duro de toda a prova. Foi desolador perceber que aquilo para que ambos tanto treinámos terminava ali.

Eu não estaria a correr uma maratona se há 7 meses atrás o João não me tivesse desafiado a fazê-lo. Se não fosse ele eu não seria hoje maratonista. Tal como desejei, com 25 anos e no ano 2013.

km 15,5 - km 18

Aquele momento custou-me mais do que todas as dores que tive depois dos 30 km. Segui sozinha a chorar durante umas boas centenas de metros. Disse o único palavrão em todos os 42,195 km. Ao mesmo tempo pensei "Agora é que isto começou". Até então eu ia quase em passeio com o João, os km's passavam sem eu dar por eles, agora via-me sozinha e sabendo que o João estava ainda mais desolado que eu. Mas cerrei os dentes e pensei para mim "Agora é que tenho mesmo de terminar isto! Pelo João!" E continuei a correr. Não me lembro bem destes km's pois ia num estado emocional ainda fragilizado e ia desejosa de chegar a Caxias pois aí estaria a minha mãe, a Mafalda e o João que entretanto tinha apanhado boleia duma carrinha da organização. Penso que devo ter acelerado um bocado nesta altura, nada de especial mas segui um nadinha mais depressa.

Quando deixei o João, os últimos atletas vinham apenas umas dezenas de metros atrás de nós. Era claro pois eu via a ambulância que significava que ali era o fim do pelotão. Quando cheguei a Caxias tinha conseguido ganhar um espaço considerável entre mim e os últimos atletas.

Em Caxias, km 18
Revi o João. Ainda com um ar desolado mas relativamente bem. Deu-me força. Eu disse-lhe para não se preocupar, era para terminar.

km 18 - km 22

Depois de ver o João já com a Mafalda e a minha mãe fiquei um pouco mais descansada e ganhei novo alento. EU IA TERMINAR CARAÇAS!

Pouco depois entrávamos no paredão infernal junto à linha do comboio. Entrei no paredão e já haviam pessoas a andar. O calor já começava a fazer vítimas e naquele sítio então...aquela hora...
Comecei a ultrapassar pessoas. Não que estivesse a acelerar. Os outros atletas é que estavam a desacelerar ou mesmo a andar.
Felizmente que a organização percebeu que aquela zona era uma zona "morta" e ao longo do paredão haviam vários escuteiros e não só com bandeiras de todas as nacionalidades e mais algumas. Aquilo animava um pouco. E para os estrangeiros devia ser uma festa quando se cruzavam com a sua bandeira. Quando passei pela bandeira portuguesa, a rapariga que a segurava gritou-me um "Força!" e começou a gritar por Portugal. Comecei a gritar com ela, ouviram-se mais vozes mais lá para trás. Ânimo é fundamental!

Nesta altura acabou-se-me a água. Até então tinha conseguido gerir muito bem a água que tinha, aceitando sempre uma garrafa nos abastecimentos e a certa altura chegava ao abastecimento seguinte e ainda tinha muita água. Mas aqui à torreira do sol fartei-me de despejar água na cabeça e de beber muita também. Felizmente que ao sairmos do paredão tinhamos novo abastecimento. Mais hidratada segui caminho desejosa de chegar à meia-maratona. Cruzei-me com um atleta que nas costas tinha uma espécie de dorsal e que dizia "John, California, USA", para além disto dizia também "161 Marathons". Já não tenho a certeza se eram 161 ou 163 mas quer dizer....161 maratonas????? Ganda maluco!!! Perguntei-lhe em inglês se tinha terminado mesmo as 161 maratonas. Disse que sim. Eu muito tímida disse apenas "It's my first."

Seguia agora em fila indiana rumo a Algés, quase a entrar no terceiro e último concelho. E perguntam vocês "porquê em fila indiana?". Este percurso podia ser muito lindo mas sombras...praticamente nem vê-las. Então sempre que havia uma sombra, por mais mínima que fosse, o pessoal aproveitava. Assim, íamos 4 atletas em fila indiana todos encostados à linha dos comboios a aproveitar a sombra nas pernas e já não era mau. À frente ia a tal atleta brasileira, depois seguia se não estou em erro outro americano, depois eu e atrás o John. A certa altura juntei-me à tal atleta e começámos a conversar, chamava-se Carmen, contei-lhe que o meu companheiro tinha sido obrigado a desistir, falámos sobre algumas coisas, comentámos que haviamos de terminar, assim devagar lá chegaríamos. Ela era muito bem-disposta e fez-me bem correr com companhia. Cruzámos um pórtico que indicava meia-maratona cumprida. Só faltava mais uma meia-maratona...

Um pouco à frente sabia que o meu pai estaria na estação de Algés, assim como a Joana, o Rúben e o Ricky. E ele lá estava, expliquei ao meu pai que o João teve de desistir, felizmente a Carmen gritou-lhe que tomava conta de mim. Isso deve tê-lo deixado mais descansado. No abastecimento apeteceu-me umas laranjas. 2 gomos que me souberam muito bem. Estava farta de ir só a geis. De 5 em 5 km tomava um gel mas quando vi os gominhos de laranja tão apetitosos não resisti. E que bem me souberam!

Sorridente aos 22 km.
O John vem mesmo atrás de mim.
Ao meu lado segue a Carmen, minha companheira durante uns bons km's.
km 22 - km 28,5

Uns metros à frente teria uma óptima surpresa. A Carla e o Jaime de bicicleta esperavam-me para me acompanhar. Foi muito bom vê-los e mais uma vez animei. Segui com a Carmen e com eles que muito simpáticos ofereceram-se para me guardar os geis e as águas. Disseram-me que o João estava mais à frente. Falámos da desistência do João, eu disse-lhes que ia terminar. Meti na cabeça e ia fazê-lo!

Cruzámo-nos novamente com o João, minha mãe e Mafalda.

Lá venho eu ao fundo com os meus anjos da guarda sobre rodas.
Seguiram-se km's mais ou menos fáceis. Eu já ia com algum cansaço acumulado, mas a conversa com a Carmen, a Carla e o Jaime distraiu-me. Para além disso eles iam só a tirar fotos e eu lá fui tentando sorrir.
Quando passámos em Belém o meu pai não estava lá. O que se passou? Pois que fui mais rápida que o comboio =) Sou mesmo muita rápida...ahahahah!

Em Alcântara por pouco o João, Mafalda e minha mãe não me viam também. Portanto é oficial, sou mesmo MUITA rápida!
O João voltou a dar-me força, disse que eu ia num bom ritmo. Eu descansei-o, disse-lhe que ia conseguir, para ele não estar preocupado.
A minha mãe correu um pouco ao meu lado de calças de ganga hehe. Pedi-lhe uma banana, disse-lhe que ia cansada mas bem. Comi a banana enquanto corria e a certa altura metade da banana partiu-se e caiu no chão, ficando mesmo no meio da estrada. Receando que alguém escorregasse na banana, dou meia volta e volto para trás para chutar a banana para o canto da estrada. Não é por nada mas já são mais uns metros....Então? Posso ou não dizer que corri uma ultra? ;)

Continuei com os meus 3 companheiros entretidos a tirar fotografias. Já não sei bem precisar mas por volta do km 28,5 ou 29 a Carmen disse para nós seguirmos ao nosso ritmo, que ela ia provavelmente ficar um pouco para trás e desejou-me uma boa prova. Desejei-lhe uma boa prova e segui com a Carla e o Jaime.

km 29 - km 31,5

Vou cansada mas vou andando. O meu objectivo desde o inicio era pelo menos aguentar sem andar até aos 30 km, depois é natural que se ande, praticamente toda a gente anda, é quase impossível não andar.
No km 30, no Cais do Sodré está o meu pai que fica feliz por me ver, percebe que ainda vou relativamente bem e diz que já é excelente ter chegado ali. Verdade. Fazer 30 km é um grande feito. E fazer 30 km após tanta emoção vivida é muito bom. Mas isso não me chega. Eu quero ser maratonista! Eu vou ser maratonista! Siga em frente.

Uns metros à frente os meus companheiros fazer um breve desvio pois na estrada está um carro dos bombeiros com uma mangueira a molhar os concorrentes. Após 30 km sempre ao sol sabe mesmo muito bem passar debaixo daquele chuveiro. Fico toda encharcada mas who cares?

Um pouco à frente mais um pouco de gasolina. O Isaac está lá e assim que me vê dá-me força. Fico muito agradecida.

E eis que chego a um sítio indefinido e para mim o maior erro da organização da prova. Quando chegávamos ao Terreiro do Paço tinhamos de ir para dentro até aos Restauradores e não em frente. O que seria de esperar da organização? Não só a estrada ali bem cortada de modo a que os atletas percebessem claramente que era para virar à esquerda e não para seguir em frente, mas também uma sinalização qualquer. Não. Havia umas grades mas afastadas umas das outras e que dava perfeitamente para passarem dois ou três atletas lado a lado entre elas. E havia um polícia que sabe-se lá porquê só indicava a algumas pessoas o caminho correcto, a muitas delas deixou-as seguir caminho em frente, enganadas e possivelmente e valer-lhes uma desclassificação sem culpa nenhuma.

Eu virei à esquerda, embora sabendo que o percurso passava nos Restauradores, vendo tanta gente a seguir em frente deixou-me naturalmente com dúvidas. A Carla ainda voltou atrás para confirmar com o polícia que o caminho da maratona era aquele e ele confirmou. Então porque carga de água estava desatento e deixou passar tantos atletas enganados? Pessoas que se calhar foram desclassificadas visto que havia um controlo do chip nos Restauradores. E de quem é a culpa? Inteiramente da organização. Grande falha na minha opinião. Segui então no percurso certo.

Já no Terreiro do Paço vejo o Jorge Branco. Felicíssima por o ver. Fico com a certeza que é suposto passar ali e que não vou enganada.

km 31,5 - km 32,5

Umas centenas de metros à frente ando pela primeira vez. Não, não cheguei ao muro. Mas estou cansada e quero aproveitar a sombra para recuperar um pouco. Prefiro ter cabeça e chegar bem ao fim do que armar-me em campeã.
Tiro o boné, refresco novamente a cabeça, no fundo aproveito a primeira sombra a sério em todo o percurso. Passado um pouco volto a correr. Há uma festa da SIC, há montes de gente nas esplanadas. Não consigo deixar de pensar na ironia daquele pessoal estar ali todo reunido na descontracção e eu ali a correr uma maratona. Há com cada maluco/a....

Um pouco à frente, nos Restauradores, há um retorno com controlo de chip. Agora é que tenho a certeza absoluta que estou no percurso certo e que muita gente seguiu enganada lá atrás. Passo novamente junto à festa da SIC e depois avisto mais dois anjos, Sandra e Nuno.

Sorriso quando vi a Sandra e o Nuno.
Mesmo assim já foi um sorriso cansado.
Eu com os dois anjos sobre rodas
km 32,5 - km 40

A Sandra e o Nuno juntam-se a nós. Fico feliz por ter mais dois companheiros a correrem comigo. Telefonam ao João enquanto correm a meu lado. Dizem-lhe que estou bem, deve estar preocupadissimo comigo, falo com ele, descanso-o. Claro que estou cansada mas estou bem. Vou terminar.

Falamos um pouco, vou distraída o que é bom, assim nem dou pelos metros a passarem. O Jorge está novamente a apoiar-me junto ao Terreiro do Paço. Obrigada Jorge.

A Carla e o Jaime já me levavam água, agora também a Sandra e o Nuno se oferecem para me levarem as águas. Não me quero separar de uma água. Agarro-me a ela como uma criança se agarra ao seu peluche preferido. Mas lá acabo por ceder e seguir sem nada nas mãos. Só quando me vejo sem nada nas mãos reparo que tenho uma bolha a formar-se na mão, precisamente por estar há mais de 30 km a aplicar força para abrir as garrafas. Ridiculo! Daqui para a frente o pessoal abre-me as garrafas todas.

Vocês bem me avisaram...a partir dos 30 é que começa a maratona...mas só vivendo a coisa é que se percebe. Qualquer tempo que pareça que ganhámos no inicio da prova, vamos perdê-lo nos últimos km's. Agora é que começa a parecer que os km's nunca mais passam! Cada km demora séculos a passar! A certa altura já não sei em que km vou. Já não me lembro se já tomei o gel.

A partir daqui sempre que necessário passo a alternar corrida com caminhada. Vou no km 34 e ainda não bati no muro. Acho estranho. Tento preparar-me psicologicamente para a qualquer momento dar de caras com o famoso muro. Sim, estou cansada, mas não senti ainda aquilo de que tanta gente fala, uma quebra brusca de energia que parece que batemos num muro. Não, por enquanto ainda não bati no muro. Será bom sinal, será mau sinal? Não sei. Continuo em frente.

Por volta do km 35 tomo o último gel. No km 36 há abastecimento. Quero tudo a que tenho direito! Bebidas energéticas, gomos de laranja, metade de uma banana. Não penso. Só quero comer e repor energias.

Nesta altura vou com dores em todo o lado e mais algum. Doiem-me as plantas dos pés, doiem-me as coxas, até me dói quando viro ligeiramente o pescoço para o lado. Isto é o corpo a chamar-me doida, a dizer que já chega de correr. Convenço-o a continuar, dando-lhe alguns momentos de descanso caminhando de vez em quando.

Para ajudar à festa juntam-se duas belas dores de burro. Uma de cada lado. Que bom...Não esbarro no muro mas vou toda partida e com dores de burro. É na boa...

Entretanto o Nuno e a Sandra entretém-se e entretém-me tirando fotografias.
Nalgumas fazem-me rir genuinamente, noutras percebe-se perfeitamente que estou a tentar sorrir e sai-me uma coisa ridícula.
As fotos falam por si. Vocês vão perceber perfeitamente pelas fotos as diferentes emoções que senti durante estes km's finais desde o sofrimento à alegria.

Com o anjo Nuno. Aqui já vou a sorrir a sério.
Vêem a diferença, não vêem?
Com a anja Sandra :)
Gargalhadas dos 3
38 km feitos.
Vocês dizem "Já está quase."
Eu digo "Ainda falta tanto!"
Jaime, Carla, Sandra e eu já desejosa que chegasse a meta...e ainda faltava tanto...
Eu tinha preparado o João para me aturar nos últimos km's. Agora estes dois casais não estavam preparados para me aturar. Penso que aguentei o melhor que pude a "rabugice", mas sei que naqueles últimos km's não fui grande companhia. O João ligou umas duas vezes e o Nuno na brincadeira disse-lhe que a afilhada (eu) já estava farta que ele ligasse. Quando ele ligava eu só pensava "ESTOU A CAMINHO JOÃO! ESTOU A CAMINHO!!!". Claramente já completamente rabujenta como uma criança cheia de sono. Na última chamada que o João fez para o Nuno, o Nuno encostou o telemóvel ao meu ouvido e o que me saiu assemelhou-se a um grunhido . A partir daí ele não ligou mais...

Mas se querem provas que eu ainda não estava morta vejam as fotos seguintes.

Chuveiro dos bombeiros. AI CA BOM!
A agradecer aos bombeiros. Mais de 38 km percorridos e ainda
tenho forças para agradecer.
Não estou assim tãoooo mal.
Até consegui bater palmas à banda!
Ah pois é!
Dead but alive!!!!
km 40 -km 42

Entramos na zona do Parque das Nações. Já não falta tudo. Sinto-a ali tão pertinho mas ao mesmo tempo ainda falta tanto. Mas sei que lá vou chegar. 

Estou mal disposta. O estômago está cheio de água, geis, laranjas, bananas e até algum Gatorade. É um festim no meu estômago. Não vou com vontade de vomitar, mas sinto o estômago a andar às voltas e apetecia-me arrotar mas o raio do arroto não sai. Dá para aguentar.

km 40!!!!!
Nesta altura ultrapasso umas quantas pessoas. Vai quase tudo a andar e eu naquele momento vou a correr.
A Sandra diz-me que mais à frente há uma subida, tal como eu gosto diz ela...Penso para mim "Gosto mas não é após ter feito 40 km!!!!!" Mas sabe-se lá como até consigo fazer a subida a correr bem devagarinho. Deve ser um milagre!

km 41
Poder-se-ia pensar "Já só falta 1!"
Há quem pense "Nunca mais..."
Aqui despeço-me da Carla e do Jaime. Voltaremos a encontrar-nos na meta.
Não tenho palavras suficientes de agradecimento ao casal maravilha. Estiveram comigo durante cerca de 3h!Uns verdadeiros anjos da guarda.

Mais à frente vejo uma camisola amarela. É a Rute. Fico contente por ver mais uma cara familiar. Junta-se a nós para correr conosco o último km. Vejo também o Vitor já com a medalha ao peito. Que felicidade por ver que ele conseguiu!

Rute e eu no km 41.
Ainda estou viva!!!
Mais à frente mais caras familiares. 
Uma cara particularmente feliz por ver a sua afilhada a chegar bem, embora ainda falte uns 800 m.

Nuno, João, eu e Rute.
Nem me lembro o que o João me estava a dizer.
Acho que nem ouvi...
Pensei que era só virar já ali à direita, mas era uma direita mais à frente...Ai o caraças! Cada metro a mais já me estava a irritar! 
Depois vi a minha mãe e o Sequeira. Sabia que ele vinha, mas fiquei feliz por ver mais uma cara familiar a juntar-se à festa.
Mais à frente FINALMENTE virei à direita. Estava tão perto, mas juro-vos que cada passada já me custava.

E depois vejo-a! A META!!! 
A Rute e o Nuno logo me dizem que ainda não é ali... Sim...há ali um pórtico! Mas é para enganar-nos a todos! O pórtico da meta ainda não se vê, está escondido, mas é já ali ligeiramente à esquerda aponta o Nuno. É 20 m depois diz a Rute. Penso que 20 m é MUITO longe. Mas lá continuo a correr. 

É já ali...
Mas ali ainda é tãooooo longe.
Os meus companheiros Sandra, Nuno e Rute não podem seguir.
Os últimos 195 m são apenas meus.
km 42 - km 42,195 (META!!!!!)

Sigo sozinha. Não consigo pensar em nada, apenas corro. Depois lembro-me do que todos me disseram para levantar bem os braços e sorrir. Curiosamente levantar os braços nem me custa muito, agora...sorrir??? Não sei se consigo sorrir. 

Isa, o que sentiste quando viste a meta? O que sentiste quando percebeste que já estava? Que eras maratonista?
Gente, não sei responder-vos. É tanta emoção ao mesmo tempo que ficamos quase sem reacção. É algo muito forte. Por um lado estamos muito cansados, fartos de correr, desejosos de parar, por outro sentimos uma grande alívio. Alívio por termos conseguido. Alívio por finalmente irmos parar.
Depois há uma grande alegria, um grande orgulho, mas não conseguimos exteriorizá-lo. Por um lado estamos em negação e não interiorizámos ainda que conseguimos correr uma maratona. Ainda hoje, alguns dias depois, ainda não interiorizei bem a coisa. Parece um sonho. Terá sido real? É muita coisa ao mesmo tempo, mas lembro-me de todos vocês e levanto os braços, sorrio, apenas para vocês.


CARAÇAS, SOU MARATONISTA! 5h30m11s para o conseguir! Uma eternidade de emoções. Não há nada que pague duas simples palavras "Sou maratonista.".

Vídeo da minha chegada:

video

Depois da meta

Seguem-se abraços, beijinhos, palavras de agradecimento. Vêm-me as lágrimas aos olhos quando vejo o que o Nuno e a Sandra fizeram para mim. Rapidamente controlo-me. Não quero chorar mais.
Tiramos fotos, falamos um bocado. Estou bem. Consigo falar, consigo estar de pé, consigo andar, já não estou mal disposta. Não fui ao limite. Consegui chegar bem. E isso é o mais importante.

Fico imensamente feliz pelos companheiros Vitor e Pedro Murtinhal também terem conseguido terminar a sua primeira maratona. Muitos parabéns rapazes!

Aconselho vivamente quem nunca tenha feito uma maratona a fazê-lo. Mas com muito treininho, muito muito treininho. A maratona não são apenas os 42 km e mais 195 m, são meses e meses de duração. Desde o momento em que decidimos que vamos correr uma, passando pelos treinos, pelo convívio durante e fora dos treinos, pela inscrição na prova, o levantamento dos dorsais. Tudo mas mesmo tudo faz parte da experiência maratona. As emoções vividas são muito fortes ao longo de todos estes meses e no dia em que finalmente vivemos a aventura as emoções duplicam, triplicam, quadriplicam!
No inicio da prova, quando estava com o João e com o Vitor, encontrámos o Luís Mota. Sim, o ultra-maratonista....vencedor por duas vezes do Ultra Trail de São Mamede (que são "só"....100 km). Sabem o que ele nos disse? Que não há nada como uma maratona de estrada. As emoções são outras. E falou-nos particularmente da Maratona de Londres, percebia-se o seu entusiasmo em relação a essa prova. Um dia lá hei-de ir :)

Agora, seguem-se as fotos finais, já tiradas após a maratona.
E porque uma maratona não se esgota após 42,195m, noutro artigo virei aqui fazer mais algumas considerações sobre a maratona e virei aqui falar sobre os meus próximos projectos. Sendo o projecto maior o...não...ainda não vou dizer =P

O meu pequeno momento de fama.
Poso para os fotógrafos da organização.
Sabe-se lá como ESTOU VIVA.
O padrinho João segura na medalha como que a confirmar
que a sua afilhada conseguiu.
Apenas alguns dos grandes companheiros desta viagem:
Vitor, Sandra, Nuno, mãe, eu, Ricky, João, Rute, Carla e Jaime.
Na foto faltam a Mafalda e o Sequeira que estavam a tirar a foto.
Mostro a minha baby t-shirt feita pelos meus amores, Sandra e Nuno.
A bela medalha.
E pesada como ó raio!
Não é a coisa mais fofa?
Obrigada Sandra e Nuno!

E se leram com atenção, se calhar estão a pensar "Então e o muro Isa?"
Pois...o muro passou ao lado. Não dei por ele, senti-me cansada sim, tive dores em todo o lado e mais algum mas nunca senti "Epá, que esbarrei no muro." Segundo o que sempre me descreveram eu não senti nada disso, vou assim partir do principio que pelo menos desta vez eu e o muro não nos encontrámos. Mais depressa encontrei o muro no Destak...(sim..que aí é que não tinha energia nenhuma...) do que na maratona.
Mas para mim houve um muro na maratona...e esse muro aconteceu por volta do km 15,5 quando o João foi forçado a desistir. Esse foi o meu muro. Um muro emocional. Calculo que seja bem pior do que o "verdadeiro" muro. 

Agradecimentos

Não poderia terminar sem agradecer a todos os que estiveram presentes neste dia tão especial.
Espero não me esquecer de ninguém, mas se isso acontecer as minhas sinceras desculpas. Se estiveram lá, se gritaram por mim, se torceram por mim eu fiquei extremamente agradecida na altura. 
A todos os leitores deste blogue que me apoiaram, enviaram mails ou sms agradeço-vos imenso. Olhem que os braços no ar e o sorriso na meta foram a pensar em vocês! MESMO!

Então...sem qualquer ordem quero agradecer ao Jorge Branco e ao Manuel Sequeira por todos os conselhos que me deram e por terem vindo a Lisboa de propósito para me apoiarem a mim e ao João. Muito feliz por os ver, ao Jorge no Terreiro do Paço, ao Sequeira na meta. Obrigada amigos.

Obrigada à Carla que apesar de estar a torcer pelo seu Pedro, também torceu por todos os outros atletas e gritou por mim e pelo João quando passámos por ela no Estoril.

Obrigada ao Isaac que é uma pessoa que sempre que me vê me cumprimenta e me dá força. Não estava à espera de vê-lo no Terreiro do Paço mas fiquei feliz pelo seu apoio.

Obrigada ao João Branco por ter estado em Oeiras a apoiar-me a mim e ao João. Íamos em Carcavelos e eu já ia a falar nele, desejosa de ver uma cara amiga e de ver este grande companheiro das corridas.

Obrigada ao Vitor por ter esperado mais de 1h pela minha chegada. Obrigada pela companhia nos treinos, obrigada pela força. Foste grande na tua estreia! Parabéns maratonista :)

Obrigada a todo o pessoal da organização. Nos abastecimentos estavam sempre bem-dispostos, sempre prontos a sorrir e a darem uma palavra de apoio.

Obrigada a todas as pessoas que me tenham cumprimentado na partida ou ao longo do percurso mas que não reconheci ou simplesmente não sei os seus nomes. Obrigada pela força.

Obrigada à Carmen, companheira durante uns bons km's, fez-me bem correr com outra estreante ao meu lado. Eu disse-lhe o nome do meu blogue mas é possível que se tenha esquecido. Havemos de voltar a encontrar-nos. Obrigada pela excelente companhia. E se bem vi nos resultados, PARABÉNS MARATONISTA! =)

Obrigada à Rute por ter ido ver a minha chegada e por ter corrido comigo o km final. Ia já muito cansada mas fiquei muito feliz por te ver. E então com a camisola amarela :) Até me deu outro ânimo. Obrigada por essa força extra. 

Muito, muito, muito obrigada à Carla e ao Jaime! Vocês foram uns anjos. Estiveram comigo durante 3h! Após terem pedalado 40 km! Vocês é que deviam receber duas medalhas de resistência por me aturarem naqueles momentos mais complicados. Obrigada por tudo, foram uma excelente companhia e deram-me muita força. Grandes companheiros!

Muito, muito, muito obrigada à Sandra e ao Nuno. Após terem feito a Meia apanharam o metro e foram ter comigo à Baixa. Dois anjos caídos do céu! Correram comigo os 10 km finais. Até garrafas me abriram. E também tiveram de me aturar quando eu ia cheia de dores. Medalhas para vocês também! E que dizer da surpresa que me prepararam? ADOREI! Coisa mais fofa!!! Obrigada por tudo amigos.

Obrigada ao pai e à mãe, que apesar de não lerem o blogue (acho eu...), estiveram presentes em diferentes locais do percurso a dar-me força.  Que me acharam maluca e tinham os seus receios por eu me aventurar numa maratona mas depois no final ambos disseram "Eu sabia que conseguias."

Obrigada à Mafalda, Ricky e Joana Lima e ao Rúben pela força e por tantas fotografias e vídeos. Obrigada pelos abastecimentos. Obrigada por terem gritado por mim. Enfim, obrigada por tudo. Família 5*!
E, óbvio, obrigada João!!! Achas que eu não te ia agradecer? Depois de tudo o que fizeste por mim? Quando foste tu que me "empurraste" para a maratona este ano? Quando foste tu que elaboraste o plano de treinos? Quando foste tu quem mais me acompanhou em treinos? Quando foste tu que me deste milhares de palavras de encorajamento? 
A tua desistência foi muito dura para ambos, mas não penses nem por um segundo que estou chateada contigo. Como? Se a culpa não foi tua! Podia ter acontecido a qualquer um. És padrinho já desde a minha primeira meia-maratona, foste padrinho durante toda esta aventura que começou a 6 de Março e foste padrinho durante toda a maratona! Pois tomaste a decisão de desistir também porque viste que o tempo começava a ficar apertado para eu conseguir terminar dentro do tempo limite. Foste padrinho durante toda a prova pois estiveste em vários pontos do percurso à espera da minha passagem e até quando não estavas lá telefonavas para a Sandra ou para o Nuno. Até ao momento em que eu te respondi com um grunhido...hehehe...a partir daí já não ligaste mais =P
Padrinho, amigo João, há mais maratonas. Vamos ter mais oportunidades de corrermos juntos uma maratona. E como a aventura não termina em Sevilha....
OBRIGADA POR TUDO MEU GRANDE AMIGO JOÃO!

Vou terminar por aqui que isto não está longo...isto está longo elevado ao infinito.
Só tenho mais uma coisa a dizer:



SOU MARATONISTA!!!!!!


Fotos by: Mafalda Lima, Joana Lima, Ricardo Lima, Rúben, Nuno, Sandra