quarta-feira, 29 de abril de 2015

Maratona de Paris, tous frité :)

Esta maratona foi só aventuras, do inicio ao fim as peripécias não paravam de acontecer.
Foi também a mais dura maratona que fiz até hoje. Custou-me desde o inicio! Se uma maratona nunca é fácil, porque mais ou menos a partir do km 30 a coisa começa a custar, então imaginem se a coisa vos for a custar desde o principio...foi mesmo duro! E tão depressa não me quero meter noutra (só em Outubro....).

Para nós (eu e Vitor) esta maratona foi sempre um pouco secundária em relação ao resto, as férias, os dias em Paris a passear. Ansiávamos que chegasse mas era o dia da partida! E ansiávamos por andar por Paris a passear e a visitar os monumentos. A maratona...a maratona logo se via. 
De qualquer forma não tínhamos feito uma boa preparação para uma maratona de estrada e isso provou-se durante toda a prova. Mas também se provou que a preparação que levamos dos trails e ultras também foram fundamentais. Pois no trail estamos mentalmente preparados para andar e para ir seguindo em frente km após km até à meta e essa "máxima" acabou por ser adoptada nesta maratona.

Mas vamos então ao relato da maratona e comecemos pelo dia da partida para Paris :)

Dia 1, sexta-feira

Ah férias! Quem se importa de acordar às 3h45 da manhã numa sexta-feira quando daí a umas horas estará em Paris? :)
Havia algum receio devido à greve dos controladores aéreos mas felizmente o nosso voo partiu à hora marcada.
Éramos 7 os aventureiros. Eu e Vitor, João e Mafalda, Orlando, Nora e Margarida. 4 elementos dos 4 ao km. No mesmo voo seguia o João Cravo com os pais e a esposa. Éramos assim 5 elementos dos 4 ao km e seria um novo recorde de participação em maratona. Se em Sevilha tinhamos sido 4 a correr a maratona, agora seríamos 5 :)

Os 5 elementos dos 4 ao km no Aeroporto de Lisboa.

A viagem correu muito bem e chegados a Paris despedimo-nos da família Cravo e seguimos os 7 até à nossa nova morada durante os 9 dias seguintes na zona de Nation/Avron.
Muito haveria para se contar sobre as aventuras para encontrar a casa,,,sobre o nosso anfitreão chinês/jamaicano/cambojano que só fala inglês mal falado mas uns dias depois afinal já fala francês...sobre as casas de banho que têm uma sanita mas para ir ao lavatório temos que ir à do lado....sobre o João ter tido uma metralhadora apontada aos pés (é natural que ele não tenha contado nada no blogue dele, foi um trauma que ficou....eheheh)...Enfim...histórias que ficam para mais tarde recordar :)

Devidamente alojados e já sem malas a pesar fomos até à Feira da Maratona. Uma palavra: gigantesca! A feira era enorme e devemos ter andado km's lá dentro.
Em primeiro lugar fomos entregar os nossos certificados médicos que eram obrigatórios para quem queria participar na maratona, depois fomos levantar os nossos dorsais.

Só para terem uma ideia da imensidão da feira....


Cartazes de apoio ao maratonista.
Muito engraçados e originais.



Com o meu dorsal :)
Isa e Vitor deixam a sua marca em Paris.
Todos com os dorsais :)

Depois de tudo tratado e de estarmos já maravilhados com as iniciativas desta feira fomos almoçar à PastaParty com a família Cravo.
Massa à bolonhesa, pão, fruta e água. Estava tudo bom...ou então era da fome...

No vídeo seguinte podem ver um pouco do ambiente da feira da maratona.

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Depois para fazermos a digestão toca de andar mais uns km's a ver todas as bancas, ir ficando de olho nalgumas provas no estrangeiro. Ah e pelo caminho encontrámos o Scott Jurek...

O Scott Jurek a dar autógrafos.

Para quem não sabe quem é o Scott, ele é "só" um dos melhores ultra-maratonistas do mundo. "Só" ganhou a Badwater 2x, "só" ganhou a Western States 7x seguidas...para mais info vão aqui.

Já não sei que horas eram quando saímos da feira mas lembro-me bem que já saímos de lá cansados. E assim se foi o primeiro dia em Paris. No dia seguinte já estávamos todos fritos da cabeça, de tal forma que os 4 ao km até adoptaram um novo nome em França, Les Frites :)

Dia 2, sábado

Pois é amigos, não é estar aqui a defender o sexo feminino, mas claramente os homens fritaram mais que eu. Orlando, João e Vitor, todos eles já não diziam coisa com coisa na véspera da prova. Todos frités! =P
Aqui a Isa ainda escapou, mas durante a prova haveria de ficar de tal maneira frité que o Vitor nem reconheceria a sua Isa habitualmente tão bem educada....

Este segundo dia em Paris já foi de algum turismo, embora leve pois não queríamos cansar muito as pernas (cansámos na mesma...mas podia ter sido pior). Ao longo do dia foi-se confirmando o lema "les frites" e como no dia seguinte era o grande dia fomos deitar-nos cedo. Nem queria acreditar que o dia de corrermos a nossa quarta maratona tinha chegado tão depressa. Ainda há ano e meio nunca tínhamos corrido uma maratona e agora já íamos para a nossa 4ª maratona, 7ª prova com 42 ou mais km.
Na véspera da prova eu e o Vitor, como sempre, delineámos mais ou menos a nossa estratégia e ingenuamente ainda pensávamos que a coisa poderia correr bem.

Dia 3, domingo (Dia D)

Pré-prova

Acordamos bem cedo e enquanto tomamos o pequeno-almoço há um certo nervosismo no ar.
Pessoalmente estou a ficar nervosa por ir correr novamente uma maratona. Quando penso que já é a quarta nem quero acreditar mas isso não me deixa menos nervosa. Ultimamente temos andado mais dedicados aos trilhos e no meu íntimo sei que não treinámos o suficiente para uma maratona de estrada. Mas o importante é desfrutar e aproveitar bem Paris :)

Quando finalmente estamos todos despachados saímos de casa, descemos no elevador e abrimos a porta. E aí foi o espanto, o choque!!! A Sandra e o Nuno estavam ali a gritar e a agitar uma bandeira portuguesa.

A foto seguinte ilustra bem o nosso estado quando os vimos em Paris.



Ninguém estava à espera, ninguém sequer sonhou que este maravilhoso casal fosse até Paris para nos apoiar. Foi uma surpresa espectacular e que nunca esqueceremos.

Depois do choque inicial seguimos todos juntos para o metro com a Sandra e o Nuno a contarem-nos as peripécias para irem até Paris e como souberam onde estávamos alojados.



A viagem fez-se calmamente e quando chegamos à última estação  e subimos as escadas rolantes...vimos logo o Arco do Triunfo. O Vitor ficou logo impressionado e toca logo de tirar umas fotografias.



As primeiras partidas já estavam a ser dadas e o Orlando, que é de outro campeonato,, dirigiu-se para a sua partida. Entretanto encontrá-mo-nos com o colega de equipa João Cravo e estreante na distância.
Também recebi uma sms do meu pai que dizia só isto "Ai ca medo", a minha célebre frase :)

João, Vitor e eu com os amigos Sandra e Nuno.
Vitor, eu, João Lima e João Cravo.
O Orlando já tinha ido para a partida.

Era tempo de ir fazer o meu primeiro xixi. Mas eu devo ter uma bexiga muito nervosa, pois passado um bocado tive que ir novamente... Tinha chegado a hora de entrarmos para a nossa zona de partida. Despedimo-nos dos amigos e familiares e seguimos os quatro para a aventura.

Estávamos já lá dentro e havia algumas casas de banho portáteis mas as filas eram intermináveis. Sim, eu já tinha feito dois xixis mas ainda precisava de fazer um terceiro! Comentei com o Vitor que provavelmente nos primeiros km's, assim que houvesse uma casa de banho das portáteis eu ia ter que parar.
O tempo passava devagar, nunca mais eram 10h05, a hora da nossa partida. Fomos mesmo o último grupo de todos a partir. Isto tudo só serviu para deixar a minha bexiga mais nervosa e quando partimos não foi nada como imaginei.

Preparados para partir.

Partida, km 0 ao 3

Cruzamos o pórtico da partida pouco depois das 10h05m. Desejamos boa prova a todos. Seguimos por enquanto os 4 juntos, eu, Vitor, João Lima e João Cravo. Enquanto os rapazes iam todos entusiasmados por estarmos no inicio da maratona e estarmos a descer os Champs Elisée, eu ia só a pensar " Tenho que fazer xixi, tenho que fazer xixi, tenho que fazer xixi."
Ia de tal maneira aflita que olhava para todos os lados a ver se via alguma casa de banho, até cheguei a equacionar ir atrás de um arbusto mas havia demasiadas pessoas e os arbustos pareceram-me pequenos...
Ia de tal maneira aflita que não estava a aproveitar nada da prova. Precisava urgentemente de mijar!!!
Passámos a Praça da Concordia mas mal reparei nela, chegámos junto às arcadas junto ao Museu do Louvre e aí havia alguns cafés mas eram todos chiques e a vergonha impedia-me de entrar por ali adentro para ir ao wc. Talvez houvessem casas de banho, talvez, no km 5 na Praça da Bastilha mas eu não aguentava até lá. E então vi-o!!!! Nunca fiquei tão feliz por ver um Mc'Donalds! Entrei por ali adentro com o Vitor atrás de mim (que já agora aproveitou para ir também), tive que descer umas escadas e então entrei pela casa de banho adentro e fiz o meu xixi. Que alívio! :)
Quando saí uma senhora viu o meu equipamento e o meu dorsal e sorriu. Também lhe sorri pois agora estava bem mais leve. Subimos as escadas e retomámos à estrada. Quantas pessoas não devem ter passado enquanto fizemos aquele desvio, mas mesmo assim ainda havia atletas a passarem. E assim juntámo-nos ao pelotão. Tinha sido um começo de prova bem agitado.

O filme para se rirem um pouco com o alívio de alguém...

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km 3- km 12

Não me sentia com muitas forças e cedo achei que esta maratona não ia ser pêra doce.  Nunca é, mas senti logo que esta ia ser pior. Nas três maratonas que fiz antes desta fui sempre bem até pelo menos ao km 20 e muitos, desta vez não fui bem desde o inicio.
Chegámos mais ou menos bem à Praça da Bastilha, onde estava o primeiro abastecimento ao km 5.

Praça da Bastilha


Até aí tinha havido algum apoio das pessoas, embora nada de extraordinário. Aqui na Bastilha já houve mais e fiquei um pouco mais animada. A partir daqui seguiríamos por uma série de ruas menos conhecidas e eu ia a correr mas em esforço e as pernas não me queriam obedecer. Nem sabia como ia chegar ao km 10 quanto mais ao 42! O Vitor deu-me força, dizia que era para acabarmos independentemente do tempo que fizessemos. Animei um pouco e disse-lhe que claro que era para acabar, só não sabia quando ia começar a andar. E receava começar a andar logo ao km 10...
Não sei bem como lá me fui arrastando, apesar de tudo a um ritmo até bonzinho para maratona, de 6.30, 6.40.
E chegámos ao km 10 com 1h08m. Nada mal para maratona mas da maneira que eu ia, sabia já que ia quebrar mais cedo que o habitual e que ia ser a maratona mais custosa que alguma vez havia feito.
Entretanto começámos a avistar o Bois de Vincennes e fiquei novamente mais animada pois era uma zona de Paris que não conhecia e sempre era uma zona verde que viria dar colorido à prova. Ao km 12 passámos pelo imponente Chateau de Vincennes que tem a mais alta torre de menagem da Europa. Muito bonito.



km 12 - km 19

Entrámos então no Bois de Vincennes e umas centenas de metros à frente tínhamos uma surpresa, a Sandra e o Nuno a apoiar. Foi muito bom ver caras conhecidas. Disse-lhes que ia a custar mas lembro-me que até ia bem disposta e a sorrir.

Atravessámos o Bosque de Vincennes, passámos junto ao jardim zoológico, havia pessoas a passear nos jardins. Ia a sentir-me um pouco melhor mas posso já dizer que não houve um único km que não me tenha custado.




Dois atletas brasileiros viram que éramos portugueses e deram-nos força, retribuímos a simpatia. À saída do parque passámos por um grupo muito animado da comunidade LGBT. Mais à frente ainda eram mais animados.

km 19 - km 29

Saímos do parque e entrámos numa zona de ruas, não fazíamos a mínima ideia por onde andávamos visto andarmos por uma zona menos túristica mas animação e apoio não faltava. Bandas de todos os géneros musicais, por aí umas duas por km, abastecimentos fartos com laranjas, bananas, cubos de açúcar e geis. Junto aos abastecimentos o piso estava sempre extremamente escorregadio, nunca tinhamos apanhado um piso assim. Parecia que estávamos a fazer patinagem no gelo...

Passámos por vários cartazes ao longo da prova, dois particularmente giros diziam "At least you're not at work". Aí pensei "podes crer!" Isto pode estar a custar-me para caraças mas ao menos não estou a trabalhar. O outro dizia qualquer coisa como "At least you're not giving birth", aí até o Vitor acenou a dizer que sim, solidário com as mulheres :)

Chegámos à meia-maratona com 2h22m, um tempo aceitável mas eu já ia nas últimas...e ainda faltava mais meia-maratona... Não fazia a mínima ideia como ia aguentar mais 21 km. Mas é aqui que entra o treino para as ultras, se não dá para correr, anda, se não consegues andar, arrasta-te até à meta. E foi o que fiz.

Meia-maratona feita.

Foi também mais ou menos por esta altura que estavam novamente a Sandra e o Nuno a apoiar. Mas só sei que já ia morta. Só me queria deitar, no mínimo sentar! Cada passo que dava estava a custar-me. Só dizia ao Vitor que tão depressa não me metia noutra e na minha cabeça até pensava "NUNCA MAIS!"...

Entrávamos agora numa zona mais bonita e mais conhecida da cidade, junto às margens do Sena, após termos feito segunda passagem na Bastilha. Esta zona tinha ainda mais apoio. Avistámos a Ille de la Cité e as torres da Catedral de Notre Dame. Já não aguentava mais, tinha que andar mas meti na cabeça que até aos 25 km ia aguentar. E assim foi.

Notre-Dame ao fundo.
Rio Sena.

Chegados ao km 25 tive mesmo que andar e já não foi nada mau ter aguentado 25 km sempre a correr. O Vitor ia melhor que eu mas também já lhe ia a custar.

A partir daqui e até à meta seria sempre a alternar corrida com caminhada. Sabíamos que conseguíamos, sabíamos que íamos ser tetra-maratonistas mas ia custar muito até lá chegarmos. Como eu digo sempre....se fosse fácil não tinha piada.

Atravessávamos alguns túneis junto ao rio, mas quando os túneis acabavam tínhamos que subir e optávamos sempre por andar nessas alturas.

Dentro de um dos túneis, luzes, música e algumas pessoas muito cansadas...

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Num destes túneis estava a Mafalda que até correu um bocadinho conosco e a subir! Espectáculo! Estas pequenas coisas animam logo uma pessoa e foi o único túnel em que corremos na subida.

A sair do túnel onde se encontrava a Mafalda a apoiar-nos.

E então, já com quase 29 km saímos de um túnel e avistamos a Torre Eiffel.

km 29 - km 35

A belíssima e imponente Torre Eiffel. Com aquela visão animámos logo e começámos a tirar fotos e fiz novamente um vídeo.




Podemos estar mortos mas com esta vista vale a pena...


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Foi também por esta altura que chegámos junto ao Cravo, já não ia também a 100% mas tentámos animá-lo e dissemos-lhe que era para acabar, para não desistir. Ainda corremos juntos talvez uns 2 km, inclusive passámos os 3 juntos o marco do km 30 onde havia uma parede simbólica que todos ultrapassámos ;)

Toma! Que conseguimos mandar-te abaixo!

Pouco depois o João acabou por ficar para trás e lá segui com o meu Vitor. Já "só" faltavam 10 km...AINDA TANTO!!!! Foi o que eu pensei na altura...

Corríamos novamente em ruas menos conhecidas, sabíamos o percurso e sabíamos que estávamos quase a chegar ao Bois de Boulogne e depois era a meta!!!

km 35 - km 40

Chegámos ao belíssimo Bois de Boulogne e eu ia tão morta, tão cansada e tão farta que comecei a dizer asneiras. Mas vocês não estão bem a imaginar. Acho que até deixei o Vitor chocado, pois eu sou uma lady e quase nunca digo asneiras. E ali entre o km 30 e tal e a meta devo ter dito umas boas dezenas delas eheheh =P
Saíram todas! O Vitor olhava para mim completamente embasbacado. Quando eu disse a primeira comentou comigo "a Isa a dizer asneiras...." mas quando eu continuei com o rol todo acho que o assustei eheheh. Estava mesmo num estado de cansaço tal e completamente fartinha daquilo.

O último filme que fiz durante a prova. Estava mesmo muito cansada e tive que parar de filmar pois estava a começar a emocionar-me.

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Haviam ainda algumas bandas a distrai-nos e novamente o pessoal da comunidade gay mas eu só queria era terminar. Cada km parecia que demorava uma eternidade a passar.

A animação deles :)



Passámos pelos pais e esposa do João Cravo que nos deram apoio e dissemos-lhes que o Cravo vinha logo atrás.

No Bois de Boulogne.
Foto tirada pelo pai do João Cravo.
"Where the Foch is the finish?"
Um bom trocadilho com o nome da avenida da meta, a Avenue Foch ;)
As fotos enganam...eu sei que estamos a sorrir...
mas estávamos mesmo mortos e a prova disso é que íamos a andar.
Já que a coisa vai mal, há que aproveitar a aventura e tirar muitas fotos e fazer parvoíces :)

Ah assim sim!
Este era o verdadeiro estado de espírito ao km 38!


km 40 - Meta

Chegados ao km 40 eu comecei a acelerar e a puxar pelo Vitor. Agora era ele que estava morto, mas eu via que estávamos tão perto que só me queria despachar o mais depressa possível para acabar logo com aquilo rapidamente e ir ao nosso merecido descanso. Por várias vezes me emocionei, embora nunca tenham chegado a cair lágrimas. Íamos ser tetra-maratonistas! No último abastecimento um voluntário disse-me qualquer coisa como "Go Isa, you can do it!", fiquei toda contente. Ah podem crer que we do it!!!! E assim seguimos rumo ao km 41. Entretanto o Vitor já tinha desdobrado uma bandeira grande e íamos os dois com ela pois queríamos que nos tirassem a foto do km 41 que seria automaticamente publicada no Facebook. E assim vocês veriam a nossa cara de felicidade (não por estarmos a correr....mas por estarmos FINALMENTE prestes a cortar a meta").

Saímos do Bois de Boulogne, passámos uma rotunda onde uns portugueses gritaram por nós e seguimos para a recta da meta. Tinhamos conseguido!!!! Chegáramos à Avenue Foch!!!

Bandeira bem aberta entre os dois, corremos desejosos de cruzar aquela linha da meta que tanto custara a atingir.

OH YEAH!!!!
FINISHERS!!!!


JÁ ESTAVA!!! 5 horas e 18 minutos depois de termos partido. E enquanto cortávamos a meta o speaker disse ao microfone para todos "Portugal!", aí comecei a gritar e no vídeo da nossa chegada ouve-se bem eu a gritar. E depois, lendo as nossas camisolas disse "Eu corro nos 4 ao km". Ai que espectáculo! Esta equipa já é famosa internacionalmente e tudo ;)

A nossa chegada:

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Pós-meta

Logo após a meta tivemos a sorte de ver a Mafalda, a Nora e a Margarida junto ao gradeamento. Mas logo nos informaram que o Orlando estava desaparecido!!! Ora esta! Já devia ter chegado à cerca de 2h mas não o tinham visto chegar e ainda não o tinham visto. Ficámos intrigados e um pouco preocupados mas a Nora e a Margarida já estavam bastante assustadas.

Muito orgulhosos após uma prova tão sofrida.

Eu e o Vitor começámos a receber a medalha, a t-shirt de finisher e mais água e bananas. Entretanto encontrámos o João (o Lima) que tinha chegado uns minutos antes de nós. Ainda trocámos algumas palavras sobre as nossas provas mas a prioridade era encontrar o Orlando.
Ainda liguei rapidamente para os meus pais para os tranquilizar que já tinha chegado e que tinha corrido tudo bem dentro dos possíveis. Em seguida fomos à procura do Orlando dentro do recinto da meta da maratona que era ainda bem grandinho...
Acabámos por dividir-nos, eu e o Vitor para um lado, o João para o outro mas não havia sinais de Orlando em lado nenhum. Entretanto a Mafalda liga-me "Encontrámos o Orlando!", Ufa, foi um grande alívio! Porra que esta maratona começou agitada e acabou agitada, mas felizmente tudo acabou em bem.

O pobre Orlando tinha percebido mal o nosso local de encontro pós-maratona e andou à procura duma estação de metro inexistente, a estação de metro Foch. A preocupação dos dois lados foi tanta que o Orlando quando chegou ao pé de nós disse "Foch que pariu!". Tinham sido a Sandra e o Nuno a encontrá-lo, enfim foi uma grande sorte e tudo terminou em bem.

Pouco depois deste drama todo chegou o João Cravo. Tinha conseguido terminar a sua primeira maratona!!! Grande maratonista!!! Entretanto fomos todos ter com uns com os outros. E quando vi o João Cravo emocionado abraçado à esposa, aí não consegui mesmo evitar e caíram-me umas lágrimas. Uma maratona é algo muito forte, que mexe muito com as emoções duma pessoa. E esta teve emoções de todos os tipos para dar e vender.

Esta maratona fica para a história dos 4 ao km como a maratona em que tivemos mais finishers. Fomos 5 a completar a maratona! Parabéns a todos!

5 maratonistas babados.

Os parabéns à organização da prova, no geral funcionou tudo muito bem, uma palavra especial aos voluntários que se encontravam nos abastecimentos e que até nos abriam as garrafas. E as diversas bandas, e os diversos apoiantes de várias nacionalidades. Tudo 5*!

Após, os abraços, beijos e felicitações tirámos umas fotos e comemos a tal sandocha de ovos mexidos :)

Pós-prova

Depois foi apanhar o metro para "casa", receber um belo miminho feito pelo Nuno e despedirmo-nos dos amigos Sandra e Nuno.

A ver o bonito íman que o Nuno fez para nós.


Após banho tomado e muita conversa sobre as aventuras de cada um, seguimos para o Mc'Donalds mais próximo para nos empaturrarmos com comida de plástico mas que na altura soube muito bem ;)

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Depois...depois foi deitar e dormir!!!! FINALLY!!!

Dia 4 - Dia 9, segunda a sábado


No topo da Torre Eiffel.
A vista lá de cima para o lado do Arco do Triunfo.
Arco do Triunfo e os Campos Elísios.

Notre Dame

Versailles
Sacre Coeur
Nós e um tronco gigante de uma árvore :)
O nosso grupo a almoçar num restaurante franco-libanês-tunisino :)

Os dias seguintes foram bons para a recuperação....ou não...fartámo-nos de andar. Muitos e muitos km's durante 6 dias, subimos muitas escadarias. Fizemos uma ultra a seguir à maratona! Basicamente os dias pós-maratona custaram quase tanto (ou mais) que a maratona. Quando chegámos a Lisboa estávamos de rastos.

Na chegada ao aeroporto tínhamos uma surpresa à nossa espera. Vamos a sair e vejo uma camisola bem alto a dizer "Take me to Paris!"....e depois vejo um cachecol de Portugal e logo a seguir vejo os meus pais :) Grande recepção! Os meus pais tinham ido ao aeroporto receber-nos. Espectáculo! Grande surpresa :)

Depois vimos o amigo Isaac com a esposa. Também ele tinha ido de propósito ao aeroporto para nos receber. Grande surpresa! Obrigada Isaac :)

Prólogo

Sim amigos, finalmente o livro está a acabar...Acho que nem escrevi assim tanto... ;)
Já aprendi com o Vitor a colocar umas fotos e filmes para disfarçar...eheheh

Resumindo a coisa, foram umas férias espectaculares!!! Inesquecíveis!
Jamais esquecerei esta maratona pois foi muito bonita e teve muitas aventuras mas principalmente por ter sido aquela que mais me custou até hoje.

Obrigada a todos os amigos que partilharam esta aventura conosco.
Ao João Lima, à Mafalda, ao Orlando, à Nora e à Margarida. Obrigada a todos pela excelente companhia.
Obrigada ao João Cravo e família que também partilharam excelentes momentos conosco e parabéns Cravo! És maratonista! :)
Obrigada aos "loucos" amigos Nuno e Sandra, foi espectacular a vossa surpresa!
Obrigada ao Isaac e esposa pelo constante apoio e por nos terem ido esperar ao aeroporto aquela hora da noite!
Obrigada aos meus pais pela constante preocupação enquanto corro e apoio constante das minhas maluquices. E por terem feito a surpresa de me irem esperar ao aeroporto com cachecóis e camisolas :)
Obrigada a todos vocês amigos e leitores que torcem por nós, nos enviam sms e mails e nos deixam mensagens de apoio nos blogues. Todo esse apoio é fundamental. Todas as fotos e filmes durante a prova foram feitos a pensar em vocês.

E, por último, obrigada ao meu Vitor. Que me acompanha em todas as aventuras, que me atura quando eu já começo a passar-me da cabeça. 42 km juntos não é mesmo para qualquer um. E já lá vão 3 maratonas juntos! Somos uns resistentes :)
Obrigada por tudo meu Vitor.

Agora só quero ver maratona à frente em Outubro! Até lá há umas quantas ultras ;) No próximo artigo já desvendo qual é a próxima ;)

FIM