segunda-feira, 14 de abril de 2014

Trilhos do Almourol, que espectáculo!

Já passou mais de uma semana, mas mesmo assim consigo escrever o artigo sobre Almourol antes de outras pessoas... =P

No passado domingo, dia 6 de Abril, estivemos presentes nos Trilhos de Almourol na versão mais curta, os 25 km. Às 9h estávamos a apanhar o autocarro para Constância de onde iria partir a prova para depois corrermos tudo para trás até ao Entroncamento.

Já conhecia esta bela vila e avisaram-nos que este ano a prova teria algumas alterações e que iriamos percorrer a vila a correr antes de seguirmos pelos trilhos deste belo país.

Mas antes da partida:

Selfie :)



A partida foi dada por volta das 10h e primeiro demos uma voltinha dentro de Constância, o que meteu logo umas belas rampas e umas belas escadarias. Bom para começar em grande! 

Depois desta volta dentro da vila passámos a ponte para o outro lado do rio e começamos então a correr mais por trilhos. Passados uns 2 km encontramos uma fila enorme. Estivemos literalmente parados durante um bom bocado. Pensei que fosse algum ribeiro para atravessar mas era apenas um sítio que tinha que ser escalado com auxílio a uma corda. Uns 25 minutos perdidos neste km.

A fila interminável.

Depois desta pequena escalada e que eu adorei, corremos um nadinha em alcatrão e depois descemos para a beira do rio, novamente em trilhos. Por aqui haviam muitos carreiros estreitos, era lindíssimo ir por ali a correr junto ao rio e no meio de tanto verde. 


Eu não ia no meu melhor (Isa num dia típico, a demorar a aquecer...) e só melhorei já com uns 8 ou 9 km quando comi uma barra. A partir daí seria a felicidade e o divertimento totais, qual cansaço qual quê.

Fartámo-nos de tirar fotografias, principalmente o Vitor. Parámos várias vezes. Eu sei que é suposto correr hehehe mas era tudo tão bonito. Nalguns sítios tinhamos que parar para fotografar aqueles locais. Como aqui onde vimos uma cegonha a alimentar os seus filhotes no ninho:

São dois ninhos e duas cegonhas mamãs.
No ninho mais abaixo viam-se as cabecitas dos pequenotes.
Muito amoroso.

Muito, muito verde como podem ver.
Muito bonito.
O amarelo também predomina.
Onde está a Isa? :)

Já perto do castelo de Almourol tivemos que nos agachar para passarmos debaixo dumas canas.
Foi a diversão total.



E a seguir avistámos o bonito castelo de Almourol.

Bonita paisagem, não é?
E o modelo é demais ;)

Já vinhamos numa zona plana há algum tempo...já estávamos a estranhar...
Depois de mais umas fotos ao castelo, toca de começar a subir. Ainda não o sabíamos mas caminhávamos na direcção de um manjar dos deuses, se eu soubesse tinha subido muito mais depressa ;)
Pelo caminho ainda passámos aqui dentro:



Depois disto foi subir, subir, subir até ao abastecimento.
E que abastecimento senhores!
Disse logo ao Vitor que já não saía dali :) Tanta comidinha boa! Eu nem sabia o que havia de atacar primeiro. Amêndoas da Páscoa, batatas-fritas, amendoins, tostas, marmelada, queijo fresco, biscoitos, bananas, laranjas, coca-cola, fanta. Não sei se não estou a esquecer-me de alguma coisa. O que eu sei é que na altura não me esqueci de nada ihihih :) E quando finalmente nos convencemos a continuar caminho peguei em mais uns biscoitos deliciosos e segui caminho ainda a mastigá-los.

Ai que belos momentos passámos ali.
Lá ao fundo está a amarelinha a enfardar.

Depois do abastecimento seguiu-se uma zona lindissima com vários trilhos cujos nomes variavam entre trilho da água (percebia-se...), trilho do casal do pote, trilho das cabras, etc. Várias passagens em pontes de madeira, muita lama, algumas passagens dentro de ribeiros, muita lama, passagens dentro de túneis, alguns com água até aos joelhos, muita lama. 
Ah e não sei se disse... muita lama!!! Isto foi claramente Bucelas II. Havia zonas com imensa lama e quando aparecia um ribeiro que tinhamos que atravessar ficávamos todos contentes por lavarmos os pés e por os sentirmos tão fresquinhos para logo a seguir voltarmos a sujá-los todos. E isto foi uma constante, lavávamos, sujávamos, lavávamos, sujávamos. 





A determinada altura chegámos a uma zona plana onde dava para correr um bom bocado. Mas olhávamos para os atletas que iam à nossa frente e iam todos a andar. Muito estranho. Ultrpassámos uns 10 atletas apenas numa recta. Achámos aquilo super estranho pois se havia uma zona boa para se recuperar um bocado e correr, ali era a zona! E assim seguimos o nosso caminho deixando para trás mais alguns atletas, pelo caminho havia mais uma ou outra zona onde tinhamos que descer ou subir agarrados a cordas. A mais gira de todos foi uma completamente vertical que tivemos que descer. Mas era curto e tinha um senhor da organização a agarrar a corda e a supervisionar cada descida. Tudo muito bem organizado. Não tenho razões de queixa.

Hehehe, não sei se conhecem aquela rapariga
que vem ali atrás a deitar a lingua de fora ahahahah :)

Por esta altura começamos a passar os primeiros caminhantes. Todos eles nos dariam passagem, os bons dias ou boas tardes ou um "força!".
Alguns iam em animados grupos e mais animados ficavam quando se enterravam todos na lama. Ou quando tinham que passar aqui dentro por exemplo:



Já íamos com 20 e uns quantos km's e chegámos ao Entroncamento, ainda percorremos um parque urbano bem bonito e ao avistarmos o pavilhão de chegada percebemos que os 25 km seriam um pouco esticados. E assim fizemos 26 km, chegámos bem e com vontade de nos metermos em mais aventuras destas. Estas aventuras a dois têm sido maravilhosas e temo-nos divertido bastante. 

Esta prova foi um espectáculo! Adorámos. Muito bonita, muito verde, muita água. E muito bem organizada, percurso bem sinalizado, abastecimentos 5*, voluntários q.b. e o percurso é mesmo lindíssimo e muito variado e divertido.

p.s. Agora estou à espera do artigo de quem consegue escrever um ou dois dias após a prova ;)

terça-feira, 8 de abril de 2014

Correndo e pedalando por São Pedro de Moel :)

Não sei se já aqui o disse, talvez desde Dezembro...mas estou muito feliz. Muito muito feliz.
E todos sabemos quem é o culpado :)

Na passada semana estivemos por terras de São Pedro de Moel. 
Claro que os ténis foram atrás e aproveitámos para correr num sítio diferente.
Foi o nosso primeiro treino de corrida desde os Trilhos do Pastor e único antes de Almourol. 
São Pedro de Moel tem montes de ciclovias que se dirigem em todas as direcções e mais algumas. Só não há nenhuma que entre pelo mar adentro ;)
Optámos por iniciar a nossa corrida ao pé do Farol do Penedo da Saudade com uma vista linda sobre o mar. 

O tempo estava um pouco incerto mas não chovia. E não chovia porquê? Porque o S. Pedro (o tal que é de Moel) estava à espera que começássemos a correr para nos brindar com uma bela carga de água.
Foi mesmo assim! Vá corram lá 1 km para aquecerem e quando já estiverem quentes eu lanço-vos um balde de água em cima. E assim foi! O que vale é que tão depressa como apareceu, desapareceu e veio o sol.






Fizemos cerca de 4 km até decidirmos voltar para trás e acabar com 8 km. O nosso ponto de retorno foi numa longa recta que me fez sonhar com uma prova de resistência naquela Estrada Atlântica. Mas uma recta senhores! Aquilo para o psicológico não há melhor! Ou pior, depende do ponto de vista :)
Mas o mais engraçado é que no dia seguinte fomos descobrir (já de carro) que aquela recta que nós achámos longa não era nada comparada com o que vinha depois da curva. Contabilizámos 6 km (!!!) de uma longa recta. E quando digo recta, digo recta mesmo recta, sem uma única curva, nem nada ligeiro! Quando chegámos ao inicio desta recta tinhamos uma vista impressionante, não se via o fim da recta.

Esta é a tal recta.
Vêem o fim?
Pois...nós também não...
Senhores organizadores de provas, se organizassem uma prova na Estrada Atlântica entre S. Pedro de Moel e a Praia da Vieira eu estou já inscrita! 

Este treino soube mesmo bem e apesar de ser junto à estrada praticamente não passavam carros nenhuns e fomos constantemente a ouvir os pássaros e o mar. Um sossego como há em muitos poucos sítios!

À tarde fomos andar de bicicleta. Conta como treino bi-diário? ;)
Não andava há anos! Digo-vos, estou tentada a trocar a corrida pela bicicleta ;) Pronto, estou a brincar. Mas claramente vamos passar a andar mais de bicicleta pois ambos não andávamos há imenso tempo e ambos adorámos! Foi um espectáculo! Principalmente o rabiosque dorido hehehe :)
Nessa tarde seguimos pela ciclovia junto ao Pinhal de Leiria mas acabámos por voltar para trás pois queriamos passear um pouco por estradas menos movimentadas por dentro da mata. E assim fizemos.

Aqui ainda na estrada "principal" junto ao pinhal.
Vêem carros? Eu também não :)
Isa - "Isto é um espectáculo!"
Vitor - "Isto é um espectáculo!"

A determinada altura virámos em direcção ao mar e lá fomos nós dar com aquele mar maravilhoso. Cheirava mesmo a mar.
Aqui seguimos pela mesmo ciclovia por onde tínhamos corrido de manhã só que a pedalar fomos um bocadinho mais longe. E pelo caminho ainda fizemos desvio até à praia.



Não nos lembrávamos que andar de bicicleta sabia tão bem. Ainda por cima num sítio tão calmo como aquele. Sentir a brisa marítima enquanto embalamos por uma descida é mesmo muito bom.
Foi um espectáculo. Pedalámos quase 2h e apesar do rabiosque dorido, mal podiamos esperar por voltar a repetir.

Mais uma recta sem fim à vista.
As nossas companheiras de aventuras.

A segunda dose não foi logo no dia seguinte porque chouveu o dia todo mas no dia seguinte de manhã lá fomos nós. Desta vez por sítios ainda mais belos (snif, snif, só de me lembrar disto já estou com saudades). Seguimos pela ciclovia marítima até um ponto onde virámos à direita para dentro da mata. E a partir daqui foi o deslumbre total. 
Como é possível que mesmo junto ao mar haja uma paisagem quase amazónica?
Este passeio de bicicleta ainda foi melhor que o outro. Sempre a ouvir os pássaros, quase sempre junto ao ribeiro. Muito bonito.


Parece ou não parece a Amazónia?



Houve uma altura em que andámos ligeiramente perdidos. Felizmente que ao fundo de uma longa descida havia uma placa a dizer S. Pedro Moel porque senão tinhamos que ter voltado tudo para trás....
O plano inicial tinha sido pedalarmos a ritmo de passeio e não mais que 1h (Almourol no dia seguinte...) mas com esta de andarmos um pouco perdidos e sem sabermos ao certo a quantos km's estávamos de S. Pedro de Moel acabámos por pedalar um pouco mais depressa do que o previsto e fazer mais algumas rampas que o previsto ahahahah :) Mas não mudava nada. Foi uma volta espectacular. Foi pena ter sido só 1h e pouco.

Venham mais dias maravilhosos como estes! Venham mais passeios de bicicleta como estes!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Trilhos do Pastor, que aventura tão variada!

Eu e o Vitor a tirarmos uma selfie antes da partida.
Foto da organização.

Vamos lá então ao relato de mais uma aventura a dois.

No domingo deslocámo-nos a São Mamede (curioso...), localidade perto de Fátima, para participar nos Trilhos do Pastor. Fomos recebidos de forma calorosa e logo ficámos surpreendidos e sorridentes com a recordação oferecida, uma das ovelhas do rebanho do famoso pastor ;)



Estava bastante frio o que me levantou algumas dúvidas quanto à vestimenta. Eu ia de calções mas tinha levado umas calças pelo sim pelo não. E agora o que fazer? Levava antes as calças? Estava mesmo cheia de dúvidas e o Vitor lá teve a ideia de eu levar as calças na mochila. Assim se a meio da prova tivesse muito frio podia sempre vesti-las. E assim lá as guardei, juntamente com um boné que poderia ser necessário caso aparecesse o sol. Sol? Claro Isa...claro...

Tirámos então a selfie:



Na partida reparámos em dois atletas de 4 patas. Um labrador e um rafeiro. Qualquer um deles chegou à nossa frente...Grandes atletas!
Às 9h estávamos a iniciar a nossa aventura.
Primeiros 2/3 km em plano mas mesmo assim consegui achar maneira de por duas ou três vezes tropeçar nos vários ramos no chão. Felizmente não resultou em queda.
Depressa chegámos às Grutas da Moeda. Se a prova tivesse acabado à saída das grutas eu já me daria por feliz pois a passagem dentro destas bonitas grutas já valia a pena. Espectacular! Lindo! Único! Passar dentro de umas grutas em plena prova é uma experiência que vale muito a pena. Adorámos!

Em plena gruta.
Os atletas a subirem umas escadas dentro das grutas.

Depois de sairmos das grutas, seguimos durante algum tempo a correr. O percurso era relativamente plano e fazia-se mais ou menos bem.


Mas claro que a parte plana não podia durar muito e acabámos por chegar à primeira subida digna desse nome. Muita pedra, muita rocha, alguns troncos de árvores para transpor. Muito bonito também. Vistas bonitas do cimo da serra, muito verde, uns moinhos.




Apesar de irmos a subir, íamos bem. Fizemos 10 km quase sem dar por isso. Mal sabíamos que as verdadeiras dificuldades viriam a partir dos 20 e poucos...
Começámos a descer e fomos dar a um sítio do mais pitoresco que há, a Pia do Urso. Tenho imensa pena de não termos tirado fotos mas estava a chover e queriamos evitar molhar os telemóveis. Assim só temos uma foto e nem se vê as casas de pedra da Pia do Urso. É uma pena. Na Pia do Urso andámos numa espécie de circuito pitoresco onde até vimos um urso! A sério!!! Não era é verdadeiro.... =P

A única foto tirada na Pia do Urso.

Neste circuito que havia, o chão era em madeira e escorregava para caramba! Foi feito com muito cuidadinho.
Depois de sairmos da Pia do Urso, e se bem me lembro do percurso, houve mais uma zona boa para corrermos. Corremos uns 3 km talvez e confesso que já desejava uma subida só para podermos andar um bocadinho. E ela lá me fez a vontade e apareceu. Foi nesta altura que começámos a subir em direcção ao Parque de energia eólica. E foi mais ou menos a partir daqui que deixámos definitivamente para trás os atletas que vinham perto de nós e daqui para a frente seguiríamos sempre isolados. Mas assim é que é bom, sentir que estamos sozinhos no meio da serra.

Aí vamos nós numa pequena mas muito inclinada subida
após termos passado debaixo dum pórtico natural formado
por uma árvore tombada.
É só estilo a subir....ou não...

Quando chegámos ao pé daqueles gigantes e ainda por cima com o vento que estava...metia muito respeito. Um barulho que mais parecia trovoada, para não falar que à velocidade a que as gigantescas pás rodavam eu só pensava que se uma cai em cima de nós cortava-nos logo em pedacinhos. Bora sair daqui!

Eu no meio dos gigantes.
Debaixo de um gigantão!
Impressionante!

E começámos a descer, mais coisa menos coisa, sim porque era a descer mas volta e meia subiamos um bocadinho. No final da prova cheguei à conclusão que os senhores da organização tinham um sentido de humor interessante.

Já tinhamos passado os 20 km e abastecimentos nem vê-los. E até aqui tinham havido já 2 ou 3 mas eram só de água. Apesar de carregarmos conosco geis, barras, marmeladas e pistácios (houve alguém que se apaixonou por pistácios nesta prova) já nos apetecia umas bananas ou uns bolinhos.
Continuámos a descer e fomos dar a uma terra onde estava finalmente o abastecimento. Não havia bananas mas havia gomos de laranja, biscoitos e cavacas. Estávamos nós descontraídos a comer, pensando que ainda dava na boa para fazermos cerca de 4h30 ou pelo menos fariamos abaixo das 5h de certeza...quando o Vitor perguntou a um homem da organização se a prova tinha 28 ou 30 km. Pequeno sorriso matreiro e diz-nos que tem mais perto é de 31 km. Perguntamos se ao menos era corrível. Só nos 3 km finais, até lá ainda íamos subir um bocado e só no final é que era a descer. Ainda com um biscoito na mão virei-me para o Vitor e disse "Vamos".
Depois do que o senhor nos tinha dito, tinhamos que nos despachar se queriamos chegar antes das 5h. Oh inocentes, inocentes!
A partir daqui seria a subir por carreiros bem estreitos, só os perdoei quando vi o Buraco do Roto, uma espécie de buraco na rocha, passámos dentro do Buraco do Roto e continuámos sempre a subir. Na maior parte do tempo subi toda curvada tal era a inclinação.

E foi quando depois de ainda termos subido um bom bocado chegámos à descida mais perigosa que eu alguma vez fiz na minha vida. E foi aqui, e após percebermos que depois de descermos ainda íamos voltar a subir, que deixámos de querer saber das sub-5h. Só em sonhos...

A descida...vou tentar descrever mas só lá estando. 
Imaginem uma escadaria natural formada pelas rochas, imaginem que essa escadaria é relativamente estreita. Depois imaginem que do vosso lado direito está um precipício. E a única coisa que vos separa desse precipício é uma corda. Como se isto já não bastasse juntem-lhe uma boa dose de chuva e vento. A escadaria bem escorregadia. ASSUSTADOR! 
Nunca tive tanto respeito durante uma prova como tive naquele momento. E por respeito quero na realidade dizer medo, muito medinho. 
O pior de tudo foi que não havia ninguém ali, ninguém da organização estava presente. Penso que era o mínimo que se pedia. Um membro da organização presente a certificar-se que tudo corria bem com os atletas.
A melhor opção foi descer aquilo de costas, sem largar a corda um segundo e do outro lado ia-me agarrando também aos arbustos. Just in case. Na altura pareceu-me que aquilo nunca mais terminava. Quando acabou foi um alívio. A coisa fez-se mas só mesmo com muito cuidado. Ufa, metemo-nos em cada uma!

Depois desta descida, havia uma subida, mas nada de extraordinário. Nem demos por ela, íamos demasiado ocupados a reclamar da descida. Quando voltámos a olhar para lá vinham uns atletas a descê-la com mil cuidados. Graças a todos os santinhos que já nos livrámos daquilo! Só para terem uma noção estes dois km's foram feitos em 18 e 25 minutos respectivamente....Acho que isso diz tudo...

Depois de subirmos estávamos novamente junto do parque eólico e depois começámos a descer. Chovia e fazia vento. Estava a ser uma grande prova de resistência. Íamos com muita atenção aos sinais do corpo e sempre a mexer as mãos pois estávamos com algum receio de hipotermia. O corpo ia encharcado e as mãos começavam a ficar frias. Enquanto corria ia abrindo e fechando as mãos para o sangue circular.
Descíamos, por vezes havia umas zonas mais planas, de vez em quando ligeiras subidas mas no geral estávamos já a descer para a meta. Iamos bem mas estávamos desejosos de um banho quente!

31,200 km e 5h34 depois chegámos finalmente à meta. Chegámos bem, felizes. Foi uma prova que nos pôs bem à prova e que nos deixou mais confiantes quanto à nossa resistência e mais optimistas quanto a futuras provas.

No final o banho quente foi a cereja no topo do bolo. De referir uma coisa que nos aconteceu a ambos e que mostra bem o que foram aqueles últimos km's à chuva e ao frio. Quando estava a tomar banho e tentei espremer os frascos do shampõ e do gel de duche as mãos não conseguiam fazer esse simples acto. Estavam ainda geladas. Mete muito respeito. Nem sequer se pode dizer que estivesse muito frio, já apanhámos mais frio noutras provas mas a chuva gelada e o vento, as duas coisas conjugadas deram este resultado.

O balanço desta prova é muito positivo. Percurso do mais variado que há, passagens em locais belíssimos e bem originais como as grutas, a Pia do Urso ou o Buraco do Roto. Percurso muito bem sinalizado (apesar de algumas pessoas mais distraídas quase terem seguido pelo caminho errado por duas ou três vezes ;) ...), abastecimentos suficientes embora na minha opinião o abastecimento dos sólidos já tenha vindo um pouco tarde (só apareceu por volta dos 22, 23 km), duches quentes no final e pessoas simpáticas na organização. 
O único ponto negativo que tenho a referir é mesmo a falta de alguém da organização naquela descida perigosa.

E pronto, adorei esta prova!