E vão mais de dois meses sem escrever no blogue.
Mas há uma explicação, várias.
Vamos por partes.
A Rocha da Pena coincidiu com o inicio de um novo desafio profissional. Está a correr tudo bem e está a ser uma óptima experiência mas estou a começar, há muita coisa a aprender. Chego ao final do dia muito cansada e sem vontade nenhuma de ligar o computador, quanto mais escrever.
Gostava de vos dizer que nestes dois meses temos corrido muito, imenso...mas não é bem assim...
Depois de meses de preparação e de finalmente nos sentirmos aptos a terminar uma prova como a Rocha da Pena chegou o grande dia. E o grande dia para mim terminou logo ao km 18:
 |
5 pontos depois... |
Voltei a esbardalhar-me! Só que desta vez foi à grande.
Não tem grande história. Mais um fim-de-semana de calor, embora nada comparado com o calor da edição de 2016!
Levantámos os dorsais no dia anterior em Salir e logo nos reconheceram. Que desta vez é que era! Desta vez íamos conseguir! Pois....
Até tive direito ao dorsal número 8! Foram uns queridos. Sempre o dissemos e continuamos a dizer esta organização é do melhor que há. Impecáveis!
 |
Ali está ela...a Rocha da Pena |
 |
Duas caras sorridentes antes da prova. |
Estávamos optimistas mas sentíamos respeito pelo que tínhamos pela frente. Não seria brincadeira. Mas mais que nunca sentíamos que íamos conseguir.
 |
E aí vamos nós... |
 |
Sorrisos |
 |
E mais sorrisos. |
Até por volta do km 18 corremos bem e felizes. Soltámos um ou outro palavrão pelo meio, com aquelas subidas não dá para evitar, mas o panorama geral era bom.
Os abastecimentos bons como sempre, os voluntários simpáticos e prestáveis como sempre.
À saída do segundo abastecimento, com 18 km e pouco tínhamos uma zona de terra batida (piso igual ao das fotos) que era ligeiramente a descer. Sentia-me muito bem, toca a acelerar. Claro que o nosso "acelerar" não é igual ao dos outros mas ainda assim era a acelerar um pouco visto que era uma zona plana e a descer.
Mais uma vez, e tal como das outras duas vezes que me esbardalhei este ano, nem dei pela coisa, quando dei por mim já tinha tropeçado em algo e já me estava a esbardalhar no chão. Pequeno problema...para além das dores que até nem eram muito fortes, tinha aberto o joelho...um corte ainda feio. O Vitor assim que olhou para aquilo disse logo que eu não ia poder continuar, mas eu recusando-me a acreditar em tanto azar neguei.
Tive sorte. Caí poucos metros depois do abastecimento, foi só andar para trás uns 100 ou 200 metros. Lá chegada fui vista por uns bombeiros e enfermeiros que me desinfectaram a ferida mas que disseram logo que ia precisar de pontos e que ali não tinham médicos, só junto à meta... Ainda em negação perguntei se não me podiam coser o joelho ali mesmo para eu continuar em prova...Santa inocência...Responderam-me logo que não, que mesmo que me cosessem ali, com os km's todos que ainda faltavam e com o simples acto de correr iria abrir os pontos. Tive que me resignar. A minha aventura tinha terminado ali :(
Nem sequer cheguei à mítica Subida do Inferno :(
Depois seguiu-se o mais difícil, convencer o Vítor a continuar. Ele não queria seguir sem mim, mas tive que insistir. Ao menos que um de nós terminasse! E ele lá seguiu caminho.
Fui transportada para a meta, levaram-me até à tenda médica e lá fui cosida por um médico do Hospital de Loulé. Levei 5 pontos.
Entretanto sentei-me à espera do meu Vítor, mas infelizmente não esperei muito. Devido a fortes caimbras ele foi obrigado a desistir. Esta é uma situação recorrente, ele costuma sofrer bastante nalgumas provas com caimbras mas essa é outra situação que esperemos entretanto ter ficado resolvida.
E assim terminou a nossa aventura na Rocha da Pena.
Sinceramente esta prova parece enguiçada para nós. Por muito que tenha um carinho especial por ela ,e por muito que a organização seja fantástica, não sei se voltaremos. É provável que um dia sim. Algum dia vamos ter que a acabar, mas não sei se será tão proximamente quanto isso.
 |
Até um dia destes Rocha da Pena? |
Depois disto tive que andar a trocar o penso dia sim dia não e passado nem uma semana a enfermeira achou que já se podiam tirar os pontos. Nós não ficámos muito convencidos até porque aquilo ainda estava com um aspecto feínho mas ela tirou-os.
Estive duas semanas sem correr nada, até porque para além da ferida em si, tinha vários arranhões na perna e uma ferida mais pequena no outro joelho. E, claro, as dores...
Desde que comecei a correr que nunca tinha estado tanto tempo sem correr.
Após as duas semanas comecei com algumas caminhadas e alguns passos de corrida mas tudo muito fraco pois o joelho doía-me. Entretanto o Vítor teve uma pequena operação, nada de grave, mas também teve que estar sem correr cerca de duas semanas.
Esbardalhanço Isa + Operação Vítor = Muito poucos treinos para a Maratona do Porto
Mais de dois meses depois tenho uma "bela" marca no joelho e embora não me doa a correr, dói-me ao toque. Esta é daquelas cicatrizes que não desaparecem assim...penso mesmo que vou ficar com esta cicatriz para sempre. Ou seja, gosto tanto da Rocha da Pena que até fiz uma tatuagem =P
A duas semanas e meia da Maratona do Porto nunca treinámos tão pouco para uma maratona.
Mas, como diz um amigo nosso, vamos acreditar :)
Para já é tudo, daqui a mais uns dias (vou tentar, vou tentar!!!) volto a escrever sobre a prova seguinte.
Corram amigos! Corram! Mas não se esbardalhem!