quinta-feira, 28 de agosto de 2014

5h na Serra de Sintra

Olá a todos!

Cá estou eu a relatar os nossos treinos.
Mas antes disso quero dizer umas coisas.

Primeiro: A amiga Anabela está hoje (neste momento) a correr nos Alpes, na OCC (53 km) e que está integrada nessa tão famosa prova que é o Ultra Trail  du Mont Blanc. O amigo Paulo já ACABOU a sua prova de 119 km!!! PARABÉNS PAULO!
Para eles vai toda a minha força. São uns corajosos que não temeram o desafio! 

Segundo: Hoje falta 1 mês para eu e o Vitor irmos à Serra d'Arga. Fazer quantos km's é que só saberemos no dia...pois é....cada vez mais, e apesar dos treinos, achamos (mais eu que ele, pois ele ainda está optimista e eu estou cada vez mais....realista!) que será muito complicado (quase impossível) que consigamos fazer os primeiros 33 km em menos de 5h. Para um desnível positivo tão elevado parece-me uma tarefa difícil. Nem são as 10h para os 53 km, é mesmo as 5h para os primeiros 33. E se não chegarmos ao marco dos 33 km antes das 5h de prova, bye bye ultra! 
Como sou uma pessoa precavida pelo sim pelo não já tenho um plano B e até um C. E esses planos são outras provas ainda este ano na qual nos poderemos tornar ultras caso Arga falhe. Pelo sim pelo não...
Mas pode ser que não seja preciso visto que apesar do enorme desnível positivo, a prova até será corrível....

Feitas estas considerações tenho a dizer que no passado fim-de-semana a ideia era fazer novamente um longo em Monsanto, mas no sábado conversámos e concordámos que Sintra seria mais duro e diversificado. Para não falar do efeito novidade que nos poderia manter mais motivados para o treino que queríamos fazer. 5h de treino. Não interessa quantos km's, queríamos correr e andar durante 5h. 

E assim após pesquisas por tracks na net e com algumas ideias em mente, partimos da Barragem do Rio Mula no passado domingo às 8h30. Estava bastante vento, um vento frio. Para contrariar este frio nada como começar logo a subir nos primeiros km's. 

Barragem do Rio Mula



Ainda íamos com poucos km's e já íamos maravilhados com as paisagens. Não seguimos nenhum caminho em específico, fomos correndo. 

Tenho uma história engraçada para contar que aconteceu logo nestes primeiros km's. Não havia muita gente pela serra mas de vez em quando lá nos cruzávamos com alguém ou a caminhar, ou a correr ou de BTT. A certa altura parámos um pouco e de repente olho para o chão e vejo um bicho!!! De pêlo ruivo! Num segundo estava a dar um gritinho histérico, no segundo seguinte já estava a rir-me e a tentar fazer festas a um cãozinho muito afável que ia a correr com o seu dono. Não gozem, ok? Mas assim de repente ver um bicho mesmo ali ao pé de nós no meio de nenhures....


Também encontrámos um grupo grande que ia a correr e que até nos deram uma dica sobre uma fonte meio escondida e que esconde uma água TÃO fresquinha!!! Em dias quentes deve saber tão bem.

Hihihi, o que a gente se riu =)
Nesta altura já íamos a seguir as indicações de percursos pedestres que iam dar à Peninha e lá chegámos. As vistas eram soberbas!

Foto tirada por um simpático grupo de BT'Tistas
após lhes termos tirado também uma a eles.
Vista da Peninha para o lado do Cabo da Roca.

E depois da Peninha descemos, descemos, descemos com intenção de depois voltarmos para trás para subirmos, subirmos subirmos.

O barulho veio dali Vitor!!!!!!


Depois de termos descido por trilhos lindissimos eis que consegui espetar um pico num joelho. Com jeitinho o Vitor lá me tirou o pico e prosseguimos viagem já em zona plana e acabando por ir ter a uma estrada que pensamos ser a do Fim da Europa e que vai dar à Azoia. Concordámos em voltar para trás que era para subir aquilo tudo e assim fizemos. Voltámos à Peninha, passámos na tal fonte escondida e que tinha água mesmo muito fresca e que bem que soube passá-la pela cara. 
Depois, para não voltarmos pelo mesmo caminho e porque ainda faltava muito tempo para as 5h, virámos à direita em certo ponto e comecámos a descer em direcção a uma aldeola. Andámos ligeiramente perdidos, até que encontrámos um grupo de caminhantes e lhes perguntámos o caminho para a Pedra Amarela. Lá nos indicaram mais ou menos e eventualmente lá conseguimos dar com o caminho. Mas primeiro ainda andámos perdidos por aqui:


Como podem ver pela foto...nem sequer se vê um trilho...andámos literalmente no meio de arbustos porque pensámos que a Pedra Amarela era aqui (tanta rocha...só podia ser, certo?...). Após vários arranhões nas pernas lá chegámos à conclusão que ali era impossível ser a Pedra Amarela. Mas valeu a pena a incursão a esta zona pois para lá chegarmos tivemos que trepar por umas rochas e se vamos a Arga tem que ser, não é verdade?

Agora sim!
Na Pedra Amarela!




Eu sei, eu sei...tirámos montes de fotos com os telemóveis....E acreditem que tirámos muitas mais...no blogue só estão para aí metade ou nem isso...Mas em Arga haverá muitas menos pois não poderemos perder muito tempo com isso se queremos chegar ao controlo dos 33 km antes do tempo limite...Estou a falar muito neste assunto dos 33 km? Não sei porquê...eu nem estou nada preocupada com isso...

A descer da Pedra Amarela.

Depois da incursão à Pedra Amarela acabámos por encontrar o caminho de volta à barragem do Rio Mula. Bem, mais ou menos... algures pelo caminho seguimos por um trilho diferente e fomos lá dar na mesma só que por um caminho mais longo. Ups!
Quando chegámos à barragem íamos com 4h e pouco, ainda tinhamos que inventar mais tempo e lembrámo-nos que tínhamos passado de carro à porta da Quinta do Pisão e lembrámo-nos de ir lá cuscar ;)

E vejam só as coisas mais lindas que por lá encontrámos :)


"Andá cá à Isa."
"Lindos meninos."
"Merecem muitas festinhas."
E o cronómetro parado...



"Agora é a minha vez de fazer festas."

Depois de alguns minutos a fazer festas a estes bonitões (ou bonitonas) retomámos o cronómetro e continuámos a explorar a quinta, seguindo as indicações o Estábulo do Refilão (não sabia que o Spike tinha um estábulo ;)....hehehe).


Fomos encontrar um prado cheio de cavalos e burros. Muito bonito.



Por esta altura já estávamos no pico do calor e já custava um bocadinho mas lá explorámos um bocadinho mais da quinta (e mais haveria a explorar, mas fica para uma próxima) e depois saímos e voltámos ao carro com 5h de treino! Ufa! Tava a ver que não!

Foram 5h, 28 km e 1000m de desnível. 
Ora bem, assim de repente e analisando a coisa conseguimos fazer 28 km em 5h e não 33! Tudo bem que parámos algumas vezes para tirar fotos, tudo bem que andámos perdidos no meio de arbustos onde mal se conseguia andar quando mais correr..., tudo bem muita coisa mas 33 km em menos de 5h parece-me...complicado....não sei se já o tinha dito....

Foi um treino fantástico onde começámos com um vento gelado mas acabámos com bastante calor. Apanhámos algum nevoeiro nas zonas mais altas, vimos paisagens bem bonitas e vistas fabulosas e corremos por sítios técnicos e outros menos técnicos mas não menos interessantes. 
Será claramente para repetir, só não sabemos quando pois neste fim-de-semana teremos que fazer um treino em estrada (Maratona do Porto a aproximar-se a passos largos) e no seguinte vamos a Tomar, aos Trilhos dos Templários, e no seguinte será a Meia-Maratona das Lampas e o seguinte a esse já será o ÚLTIMO fim-de-semana antes de Arga!!! Mas está tudo bem, ninguém está nervoso...

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Belavista

Na semana passada fizemos um treino pelo Parque da Belavista, para muitos apenas conhecido pelo local onde se realiza o Rock in Rio, para outros conhecido como um parque com uma bela vista ;) e umas belas rampas...ufa...

Achámos (mais eu que ele, pois ele não conhecia tão bem o parque) que seria um bom treino em alcatrão mas com bastante sobe e desce. Acho que o Vitor não estava preparado para tanto sobe e desce, mas como é natural aguentou-se bem. 
Fizemos 10 km por este parque tão agradável para se correr mas com dificuldades qb.
Não é só a vista que é bonita (vê-se até à Serra da Arrábida!), é os aviões que passam ali já baixo (demasiado baixo!) e as cães a serem passeados e a brincarem e a correrem na relva (e todos sabem como gosto de cães).

Agora menos conversa, mais fotos e mais km's se faz favor!

Uma das belas vistas.
Esculturas de madeira que há no parque.

Nem vos digo o tempo que demorámos a decifrar o que era este bicho....
Pronto...eu digo....
Será um macaco? Não, é um gato. Não, é um cão!
Não é nada! Não vês que é uma lontra???!!!
Passada uma eternidade....
É UM CASTOR!!!
Avião a sobrevoar o parque, daí a segundos estaria a aterrar no aeroporto.
Dica: Há um sítio no parque que dá para ver os aviões a aterrarem ;)
Juro que este cão estava mesmo a posar para mim!
O outro lá atrás andava simplesmente a brincar :)
Dispensam apresentações, certo? ;)

Agora vou ali treinar para Arga.
Boas corridas!

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Trail longo Rocha da Pena, o trail mais quente do ano

O que é isto? Uma prova de 25 km em trilhos no Algarve? No fim-de-semana em que estaremos....no Algarve?
Isto foi o que pensei para mim, logo a seguir falei com o Vitor e inscrevemo-nos. Não podia vir em melhor altura. Foi tudo um pouco repentino mas tínhamos que aproveitar, temos treinos longos para fazer todos os fins-de-semana, se pudermos fazer um desses treinos numa serra no Algarve com calor, melhor! E assim estávamos inscritos para o trail mais quente do ano :)

E assim no sábado acordámos às 6h da manhã para nos dirigirmos a Salir, concelho de Loulé. O dia adivinhava-se....quente....
No caminho passámos numa terra cujo nome deixava adivinhar o que nos esperava. Começava o...



Já em Salir e após estacionarmos o carro junto à meta, dirigimo-nos para a zona da partida, a mais de 1 km. O pessoal que ia correr 50 km já tinha partido às 8h, nós iríamos partir às 8h30.

4 ao km a correr por trilhos algarvios

O inicio da prova tinha algum alcatrão e eu sentia os gémeos bastante presos, o que só melhorou após os primeiros km's. Nesta altura corríamos em zona plana, passámos para terra batida mas era quase sempre plano.
Na nossa inocência pensávamos que íamos para um trail mais ou menos plano, a maior dificuldade seria com certeza o calor...sim sim...claro....bastante plano...

Apenas a começar a subir...
Vinha aí uma parede...
Ainda na parte da subida que era aceitável.
Vista bonita mas...Vêem nuvens? Vêem sombras?

E então de repente surge uma autêntica parede, a rampa mais inclinada que eu alguma vez tive de fazer!!! Juro que aquilo tinha para aí cento e tal % de inclinação! Pelo menos foi isso que me passou pela cabeça enquanto a fazia. Um horror! Não sei como não tinha uma corda pois aquilo mais parecia escalada!!!
Tenho dado voltas e voltas à cabeça mas não me lembro de alguma vez ter feito uma rampa tão inclinada.

Aqui está ela...
"O que é isto?????????" é o que eu ia a pensar

Depois de ultrapassada a subida mais inclinada de sempre seguimos caminho e pensando que daí para a frente seria mais fácil....

Mas porquê????
Vista cá de cima.

Por esta altura já comentávamos que afinal isto era mais duro do que pensávamos. Mas ainda bem! O Vitor só dizia "Isto é um bom treino para Arga!" e eu só pensava "Estamos lixados para Arga!"

Ainda eram 9 e tal, ainda nem tínhamos chegado ao primeiro abastecimento que seria aos 7 km e já se sentia bastante calor e o ar seco seco seco. Lembrei-me várias vezes de São Mamede por causa da paisagem e do calor.



Chegámos ao primeiro abastecimento. Aproveitámos para comer um pouco de laranja e seguimos caminho mesmo junto à montanha que dá nome à prova, Rocha da Pena.


A Rocha da Pena.
A gente já aí vai. Estamos a caminho.

Como podem ver pela foto, nós estávamos cá em baixo mas claro que teríamos que andar a correr pela Rocha da Pena propriamente dita, por isso lá fomos nós a subir. "Isto é um bom treino para Arga!"
Subimos e não foi pouco, mas ia tão compenetrada em ver onde punha os pés que nem dei muito pela subida. E depois das paredes anteriores isto não parecia nada.
Quando chegámos lá acima fomos recompensados pelo esforço.


Até conseguíamos ver o mar lá ao fundo!
O piso lá em cima, tal como o nome indica, era rochoso. Muita pedra, muito calhau, de vez em quando ensaiávamos uns passitos de corrida mas na maior parte das vezes íamos a andar o mais depressa que conseguíamos e com os olhos bem postos no chão. "Grande treino para Arga!"
Vamos só para aqui um bocadinho para tirar mais fotos (que é coisa que não poderemos fazer com muita frequência em Arga devido ao apertado tempo-limite).



Reparem bem no chão...eu bem disse que eram só rochas e pedras.

Depois de andarmos algum tempo lá por cima tinha chegado a altura de descermos. Não há fotos desta descida porque era uma descida bastante técnica no meio de rochas e arbustos e sempre em curva e contra-curvas apertadas. Era preciso ir com atenção pois um passo em falso e...esbardalhanço à vista. Ficámos com as pernas todas arranhadas graças aos diversos arbustos que se encontravam pelo caminho. 
Depois desta descida feita com muito cuidado lá chegámos a um maravilhoso abastecimento. Fruta (melancia incluída), bolachinhas (muito boas), batatas fritas e amendoins salgados. Depois do repasto seguimos caminho, desta vez em zona mais ou menos plana mas sempre em single track. O Vitor ia à frente e atrás de mim vinha outro atleta. Estava tanto calor que me apetecia andar um bocadinho mas não podia pois sentia-me pressionada pelo atleta que vinha atrás de mim e assim lá seguimos até a mais um abastecimento. 

E agora sim o calor já se fazia sentir em força e mesmo em plano custava correr.
Eles bem avisaram....trail mais quente do ano....e assim foi.

Se até as ovelhas podem estar
encostadas às pedras e à sombra da árvore...
....Porque é que nós temos de estar a correr aqui?

Sombras? O que é isso? Ao longo dos 25 km foram muito poucas. Bebi imensa água e deitei outra tanta em cima da cabeça para me refrescar. 

Como acontece em 99,9% dos trails pensámos que aquele ritmo dava perfeitamente para terminar antes das 4h. Isto se não houvessem surpresas....Mas, como acontece em 99,9% dos trails, claro que há sempre surpresas...

Chegámos ao último abastecimento onde aproveitei para encher uma das garrafas de 0,5 l que levava comigo e para comer mais alguma coisa. Para ser perfeito só faltou o tomate com sal :) E assim seguimos caminho ainda a acreditar que (se não houvessem surpresas) conseguíamos terminar antes das 4h.

Isso foi antes de termos feito uma subida em alcatrão à torreira do sol, isso foi antes de apanhamos uma zona só sobe e desce em terra batida, sempre à torreira do sol claro. E isso foi antes disto:

É bem pior do que parece.

AI CA MEDO!!!!

Só pensava "Porquê??? Mas porquê que eu me meto nestas coisas???"
E a fotografia seguinte ilustra bem os meus sentimentos.

Mas porquê?


Esta subida era MUITO inclinada. O Vitor achou esta pior que a outra, aquela primeira dos cento e tal % de inclinação, mas eu continuo a achar que nenhuma bate a outra em inclinação. Esta tinha outros problemas, menos sombras e já passava do meio-dia. 

Estratégia para sobreviver a esta subida do inferno:
  1. Subir muito devagar;
  2. Parar de x em x metros, sempre que havia uma sombra;
  3. Beber uns goles de água enquanto olhamos para cima e vemos que ainda falta tanto!!!;
  4. Observar a atleta que segue mais à frente e que também está parada na sombra seguinte;
  5. Observar o atleta que segue mais atrás e que se sentou numa pedra à sombra;
  6. Constatar que se me acabou a água, consegui a proeza de gastar 4 l de água em cerca de 22 km;
  7. Beber da água do Vitor;
  8. Subir mais um bocadinho até à sombra seguinte;
  9. Parar novamente a apreciar a paisagem (resmungar internamente que a subida nunca mais acaba, resmungar externamente amaldiçoando a organização da prova);
  10. Avançar novamente com os olhos postos na sombra seguinte;
  11. Nova paragem;
  12. ESTÁ QUASE!!!!!!!;
  13. Avançamos mais um pouco;
  14. E chegámos ao fim da coisa! Ufa!!!
Depois disto está tudo muito nublado na minha cabeça, devo ter apanhado demasiado sol naquela subida. Já só me lembro do momento seguinte digno de nota. Quando....nos perdemos.....Nada como nos perdermos com um calor dos diabos! 

Então foi assim. Chegámos a um sítio onde já se avistava uma povoação lá em baixo que pensávamos ser Salir (e era).
Havia um cruzamento onde estavam uns miúdos escuteiros que nos disseram que os 50 km eram para a esquerda e os 25 km para a direita. Estacámos pois só se viam fitas para a esquerda. O Vitor ainda perguntou aos putos "Mas têm a certeza? Não nos estão a enganar?" Mas eles pareciam estar a ser sinceros, por isso seguimos pelo caminho da direita por onde tinham seguido outros atletas. Mas fitas nem vê-las....Era daquelas descidas que têm de se fazer com algum cuidado para não escorregarmos, íamos portanto concentrados no chão e nos atletas que iam à nossa frente e atrás de nós, só para termos a certeza que se fossemos enganados não seríamos os únicos. 

Descemos, descemos até que chegámos a novo cruzamento e fitas nem vê-las....Acabámos por nos juntar a mais 3 atletas na busca pelo caminho certo. 
Cada um tinha a sua teoria para estarmos perdidos:
  1. Os escuteiros tinham-nos enganado;
  2. Alguém tinha arrancado as fitas;
  3. Somos os 5 tão ceguetas e íamos tão concentrados que não vimos algum desvio que podia haver durante a descida.
Como estávamos perdidos e estava imenso calor, perdemos um bocado a motivação e íamos todos a andar. Noutro cruzamento parámos um pouco e graças às tecnologias os rapazes procuraram via gps no telemóvel por onde andávamos e lá chegámos à conclusão que Salir era para a esquerda. Um dos rapazes conhecia bem a zona e também disse que Salir era naquela direcção. Foi a nossa sorte. Encontrámos um senhor de bicicleta e perguntámos onde eram as piscinas de Salir, o local da meta e o senhor lá nos indicou o caminho. Felizmente encontrámos a estrada que ia dar ao complexo desportivo e por fim lá encontrámos o complexo e a meta. Entretanto fitas nem vê-las! E lá chegámos ao fim.



Comi muita melancia quando cheguei. Vimos o Luís Mota a cortar a meta após ter feito 50 km. Grande atleta! Graças à subida do inferno e com o tempo perdido durante o tempo que andámos...bem...perdidos... acabámos com quase 4h30!

Gostámos muito desta prova. Muito desafiante e com os seus momentos de dureza. Cada vez que me lembro daquelas subidas! E o calor que se fez sentir foi bom para aumentar a nossa resistência a estas condições climatéricas. Abastecimentos 5*, no final havia balneários mesmo junto à meta. A única coisa menos boa foi a sinalização que achámos deficiente nalguns pontos, mas que eventualmente não terá sido culpa da organização. 
Quem sabe não estaremos de volta no próximo ano? :)

Claro que à tarde fomos fazer recuperação na água fria do Algarve. E quem fez aquelas subidas que não lembram ao diabo merece uma bola de berlim ;)

Mais uma vez obrigada ao meu companheiro de todas as corridas. Tem sido um prazer correr a teu lado Vitor. E foi um fim-de-semana maravilhoso.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Diferentes variantes de treinos

Para se treinar para duas provas tão distintas como o Grande Trail Serra d'Arga e a Maratona do Porto é preciso variar bastante os treinos.
E é isso que temos feito. 

Na segunda-feira da semana passada fui treinar sozinha. Apesar do plano seguido ser igual para os dois, por norma estes treinos mais curtos fazemos sozinhos. E assim, com 5 km para fazer, lá fui eu dar uma volta aqui por Benfica. Praticamente já conheço as ruas todas de Benfica, por isso resolvi inventar e fazer uma volta diferente do habitual pelo menos em parte. E assim comecei o treino a subir. O que vale é que depois era a descer e deu para soltar bem as pernas. Como me sentia bem, fui-me entusiasmando e acelerando. Fiz 5 km rápidos, média de 5.48m/km e fiquei super satisfeita.

Na quarta-feira fomos correr os dois juntos, queríamos correr 12 km por Lisboa com algum sobe e desce. Começámos perto do EUL, seguimos até Entrecampos, fizemos a Avenida da República até ao Saldanha, descemos até ao Marquês, Avenida da Liberdade, tudinho até cá abaixo junto ao Terreiro do Paço e depois começámos a viagem de volta. Agora é que seriam elas! Subir a Almirante Reis todinha até ao Areeiro! E queríamos fazê-lo sem paragens. E conseguimos! :) Depois seguimos pela Avenida de Roma, virámos à esquerda e descemos até à rotunda de Entrecampos e depois toca de terminar o treino novamente a subir. Esta rampa mais curta mas mais inclinada. Ufa! Mas lá conseguimos outra vez. Acabaram por ser 13 km. 13, o número da sorte? ;) Treino excelente!

Quinta-feira fui rolar as pernas para depois fazer vários exercícios de reforço muscular. Foi um treino bastante curto mas também foi rápido, numa descida entusiasmei-me e ia a 4 e 50 e tal ao km, o que para esta rapariga é mesmo muito rápido!

E sexta-feira fomos ao EUL com os amigos João e Mafalda para os habituais exercícios de skipping, que são cada vez mais e mais variados. Alguns são deveras aborrecidos...o que não fazemos por Arga...
Foi também a primeira vez que treinei com a Mafalda e posso-vos dizer que temos atleta! :) Está no bom caminho e ainda nos vai surpreender a todos mas principalmente vai surpreender-se a ela própria.

4 atletas, 2 casais, todos dos 4 ao km :)

E chegámos a domingo, ao treino longo. Eu e o Vitor mais o João Lima e o João Cravo planeámos um treino com começo e final em Belém, com o ponto alto no Jamor. Nem eu nem o Vitor estávamos nos nossos dias, mas lá fomos correndo. No Jamor, o João Cravo deixou-nos voltando para trás e os três restantes continuámos embora sem grande energia. Quando chegámos à zona do cross e que parece ter cada vez mais areia, começou a dar-me uma dor na zona da coxa esquerda e também no joelho do mesmo lado. Não sei o que terá sido, eventualmente algum jeito que dei, infelizmente a dor não mais me deixou até ao final do treino que acabou por ser mais cedo do que o planeado mas mais vale prevenir....Lesões é que não! Mesmo assim ainda fizemos 14 km. Felizmente a dor acabou por passar e esta segunda voltei a treinar normalmente.

Única foto do treino de domingo...
Patos à sombra da bananeira...
pronto não é uma bananeira mas é uma árvore =p

Nesse dia o João ainda fez 20 km, o que para ele foi muito importante devido aos treinos que tem tido. Da nossa parte, apesar de tudo, consideramos ter sido um bom treino. Ainda há muitos fins-de-semana pela frente até Arga e mais uns tantos até ao Porto.

No próximo fim-de-semana teremos um longo que nos está a entusiasmar bastante pois foi um pouco em cima do acontecimento que decidimos fazê-lo. Vou armar-me em Carlos Cardoso e manter o mistério =P Só digo que vão ser 25 km num sítio onde nunca corremos...e será um treino deveras quente....quiçá o mais quente do ano ;)

terça-feira, 12 de agosto de 2014

30 anos da medalha de ouro de Carlos Lopes

Faz hoje 30 anos que o Carlos Lopes conquistou a primeira medalha de ouro olímpica para Portugal.
Um orgulho!
E este feito torna-se ainda mais especial por ter sido na maratona, a mítica distância.
Grande Carlos Lopes!

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=759331&tm=46&layout=122&visual=61

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Ah! Está tudo explicado!

Outro dia o meu pai dizia-me que a minha bisavó com mais de 90 anos andava que se fartava. 
Com mais de 90 anos e ainda andava que se fartava?!? Agora já percebi porque o meu pai quando anda, anda a sério! Eu até fico para trás.... :)
Vocês não sabem mas o meu pai quando era mais novo andou no atletismo do Belenenses. Ah pois é!
Lembro-me perfeitamente de quando eu era criança fazer umas corridas com ele...E olhem que eu corria bem rápido...Mas ele ganhava-me...É só para terem noção...

Está no sangue. Está tudo explicado! :)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Trail Nocturno Lagoa de Óbidos, correndo à noite no meio do mato

ESPECTACULAR!
É como resumo o TNLO.
Mas porque é que não fomos aos 50 km?
É a pergunta que fizemos um ao outro após a prova.

Mas vamos por partes.

Confesso que estava um pouco apreensiva com este trail.
Correr à noite pelo meio do mato apenas com uma luzinha na cabeça? Eu? Uma pessoa que se esbardalhou em plena luz do dia no piso lisinho do EUL...Sim, estava com medo de dar uma bela duma queda à noite no meio do mato. E correr com uma luz na cabeça? Por favor! Não deve ser nada confortável! E começar a correr quando já está quase na hora de ir mas é dormir? Isto não vai correr nada bem...Pensava eu...

E depois para ajudar à festa umas horas antes da prova foi isto:

Ginginha em copo de chocolate e pastel de nata de chocolate...

E isto:
A criança brinca...

Como me portei mal, e estava proibida de andar no baloiço por já estar um pouco acima do limite de idade para o parque infantil, fui condenada...


Ninguém me compreende.... =P

Deixemo-nos de palhaçadas (oh porquê???) e vamos mas é relatar a corrida nocturna algures no meio do mato envolvente a Óbidos.

Os amigos João e Mafalda vieram conosco até Óbidos aproveitando para ir também à Feira Medieval e claro para nos apoiarem. Obrigada! É preciso muita paciência para estar até às 2 e tal da manhã à nossa espera :)

Por volta das 20h e tal fomos equipar-nos. Só o trabalhão! E como raio é que se põe esta coisa na cabeça? 
Mas isto aperta a cabeça! Como é que vou correr cerca de 4h com isto na cabeça?

Passado meia-hora....
Finalmente prontos para enfrentar a noite no mato.
Com o companheiro João Lima.

Enquanto a nossa partida (26 km) era só às 22h, os grandes atletas que foram aos 50 km partiram 1h antes e aproveitámos para assistir e dar uma força a estes atletas, aplaudindo-os enquanto passavam. Depois dirigi-mo-nos para a nossa zona de partida onde nos encontrámos com a Rute e assim completámos os 3 elementos dos 4 ao km participantes desta prova.

Os 4 ao km presentes: Vitor, eu e Rute.

Às 22h foi dada a partida simbólica, uns metros depois o Vitor ia dando uma queda, o piso estava muito escorregadio graças à chuva miudinha. Felizmente não foi nada de grave, embora tenha dado um jeito no pulso. Seguimos os 3 correndo pelas ruas de Óbidos, o piso muito escorregadio, era preciso ir com muito cuidado. Passado um pouco estávamos à entrada de Óbidos onde seria dada a partida oficial quando todos os atletas estivessem presentes, o que não tardou muito. Aqui vamos nós! 

O inicio tinha algum alcatrão e eu queria era meter-me mato adentro para testar bem a minha luzinha. Pronto, o nome correcto é frontal. Eu acho mais piada dizer luzinha! E assim, ainda com o pelotão muito compacto, enveredámos mato adentro. Ao principio ainda ia a testar para onde deveria apontar a minha luz e a resmungar internamente por ter de correr com aquela coisa na cabeça mas não tardou muito, tal como a mochila, a fazer parte de mim. Ao inicio ainda íamos os três mas a Rute cedo seguiu e ficámos os dois.

Confesso que a memória já me atraiçoa e já não me recordo de todo o percurso. Mas no geral lembro-me de muita coisa e vocês não se safam de uma longa leitura ;) (não quero cá batoteiros, a saltarem partes).

Lembro-me que os primeiros 5 km não foram nada de especial, algum alcatrão alternado com terra batida, algum sobe e desce e algumas zonas planas. Nas descidas eu ia a ajeitar o frontal pois os saltinhos faziam aquilo deslizar ligeiramente para baixo. Passámos dentro dumas povoações, numa delas fui surpreendida por alguém a gritar por mim. Não consegui ver quem era, mas agradeço o apoio :)

Lembro-me que logo nesses primeiros km's vimos duas ou três pessoas lesionadas! E até havia umas senhoras a avisarem-nos para termos cuidado pois vinha aí uma descida perigosa onde já se tinham lesionado dois. Wow! Até ficámos com medo. A descida era de facto algo inclinada e escorregadia mas com muito cuidadinho lá se fez.

Parámos pouco tempo no primeiro abastecimento pois este era só de líquidos e continuámos rumo a um grande engarrafamento. Pois é...íamos nós muito bem a correr com as nossas luzinhas pelo meio do mato quando damos de caras com um engarrafamento digno da 2ª Circular. Tudo por causa duma subida que nem era nada de extraordinário. Pára, arranca, pára, arranca. Foi assim que fizemos aquela subida e entre o km 5 e o 6 fizemos o km mais lento de toda a prova. Eu que estava cheia de pica e queria testar aquela subida ao ritmo Arga ou seja, ao ritmo mais rápido possível, tive que me conter e ficar ali parada no trânsito. Mas como todos os engarrafamentos, este chegou ao fim e podemos continuar a correr em zonas algo técnicas e onde tinhamos que ver bem onde colocávamos os pés pois o piso não era propriamente plano e tinha sempre umas raízes e uns troncos pelo meio. Aos poucos estava a começar a adorar correr à noite com uma luzinha na cabeça. "Isto é mesmo fixe!" pensava eu.

Recordo-me de algumas subidas, nenhuma por aí além mas o suficiente para nos dar algum gozo.
No briefing inicial já tinham avisado os atletas que este ano o percurso seria diferente, com menos estradões e mais sobe e desce. Assim sim! :)
Já não me recordo bem do percurso entre o primeiro e o segundo abastecimento. Sei que íamos bem e a ultrapassar algumas pessoas, principalmente em subidas ou zonas planas. Já sabem que nas descidas as coisas revertem-se ;)

Lembro-me que algures depois do segundo abastecimento e até ao terceiro foi quase sempre a correr junto à lagoa. Estava uma noite agradável, um pouco quente mas de vez em quando caíam uns chuviscos que refrescavam. Corremos, corremos, corremos, a maior parte do tempo em terra batida, numa ou noutra zona havia um pouco de areia, o suficiente para pensarmos o quão loucos/heróis são as pessoas que fazem a UMA, 43 km em areia! Vocês são doidos, desculpem lá! Mas admiro-vos muito :).

E corremos tanto nesta zona que já estávamos fartos de correr! Já desejávamos uma subida! E é nestas alturas que eu penso sempre, isto dos trilhos é um espectáculo e é duro para caramba mas correr continuamente...upa upa...
Quando já íamos a correr há uns km's junto à lagoa passámos por cima duma pontezinha de madeira e começámos a subir uma escadaria que nos levaria ao terceiro e último abastecimento. Chegados lá, comecei a varrer a mesa com os meus olhos e o que vi? Algo tão belo....algo que não via desde S.Mamede...SIM!!! ERA ELE!!!! Ai ca coisa mai boa! TOMATE COM SAL!
Completamente cega de amor fui direitinha a ele. As saudades eram muitas. Só depois me virei para as batatas fritas, bolachas e bananas. Foi um momento de reencontro muito emocionante, mas este não me soube tão bem como o de São Mamede. Em São Mamede estava calor, em São Mamede o tomate era diferente, era especial. Mas deu para matar saudades ;)

Depois disto seguimos caminho sozinhos. Apesar das luzes o mato ainda parecia mais escuro, pois naquele momento íamos sozinhos. Pouco depois estávamos a descer uma mini-arriba com a ajuda duma corda. São estas coisas que dão um toque aventureiro a estas provas. Passado o obstáculo continuámos caminho. Algumas subidas, algumas descidas, algumas zonas planas. Alguns obstáculos, essencialmente pequenos troncos, estávamos sempre a dar jeitos aos pés.
A certa altura aparece-nos uma poça grande de água enlameada que ficava num buraco talvez com 1 metro e pouco de altura. Estava lá um senhor a ajudar-nos a descer. Ora bem, todas as pessoas que desceram à minha frente conseguiram descer direitinhas aos braços do senhor e assim ficaram sequinhas dos joelhos para cima...Comigo....com Vitor e senhor prontos para me ajudarem...eu consegui a proeza de escorregar por ali abaixo e cair direitinha...dentro da água suja....
Toda molhada até à cintura....porquê eu??? Porquê?

Já íamos com 20 e poucos km's, já não faltava muito...onde estava o castelo? Por esta altura ainda mal sabíamos o que a organização nos tinha reservado para últimos km's....

Ufa, a conquista do castelo seria complicada!
Uns trilhos bem técnicos em curva e contra-curva, com montes de ramos, mais dois ou três sítios em que tinhamos que escalar com auxílio a corda. Esses últimos km's voltaram a ser lentos, o terreno tinha alguns obstáculos o que tornava difícil correr. Já avistávamos o castelo mas ele ainda parecia tão longe...

Finalmente estávamos a subir a encosta do castelo, mas este pessoal da organização de trails tem sempre um humor distorcido e fazem-nos andar ali aos esses, por vezes até descendo, e o castelo lá em cima.
Gritei bem alto "Caraças! Nós vamos conquistar o castelo!!!" Não estou a brincar! Era um grito de guerra. Podem-nos colocar os obstáculos que quiserem, o castelo era para conquistar! Mesmo que tivessemos que subir uma escadaria com cerca de 100 degraus para o conquistar! E assim fizemos! E era já ali.

Epá, é já aqui!
E somos logo fotografados pela Mafalda.
Isa, conseguimos!
Conquistámos o castelo!
Epá, nem vos conto...este castelo
estava difícil de conquistar...ufa...
A manjar :)
Ai que sopinha quentinha tão boa!

E foi mais uma aventura deste casal. Mais uma na excelente companhia do Vitor. Foram quase 27 km, já todos sabemos que nos trails acabamos sempre por ter uns metros ou até km's surpresa.
Adorei esta prova! Gostei muito mais do que estava à espera. Estava com receio pela luz, pela hora mas tudo correu muito melhor do que esperava. E no dia seguinte já comentávamos que devíamos era ter ido aos 50 km...Malucos...eu sei... ;)