terça-feira, 18 de março de 2014

Meia-maratona de Lisboa, muitas emoções

16 de Março de 2014 amanheceu e adivinhava-se um dia quente.
Pessoalmente estava desejosa que chegasse este dia, seria a minha 8ª meia-maratona e eu estava cheia de pica para a fazer. Tentar novo recorde? Talvez. Não seria fácil bater 1h58m mas logo se veria. E, mais importante que tudo o resto, seria a estreia da Marta na distância. E apesar de eu não a ir acompanhar (deixei-a em boas mãos) queria estar lá a vê-la chegar e felicitá-la. Para além disto eu e o padrinho João Lima ainda tinhamos preparado umas surpresas para a nossa afilhada :)

Após complicada logística chegámos à ponte 25 de Abril.

O orgulho de seguir para o corredor que indica "Half Marathon".

Seguiu-se o habitual convívio, encontram-se algumas caras conhecidas.
Finalmente pude cumprimentar a Fiona :) e o Agapito

Os 4 ao km presentes:
Vitor, eu, a grande estreante Marta e o João.
Mais uma selfie :)
Os 4 ao km presentes com o Pedro Carvalho e o casal da Açoreana, Nuno e Sandra.

E assim se passaram os últimos minutos antes da partida. No momento da partida desejei a maior força do mundo à Marta e segui com o Vitor.

E agora vou resumir a minha meia-maratona em poucas palavras. Sofrimento, calor, sofrimento, cansaço, desgaste, farta de correr, sofrimento. 
Em 8 meias esta foi a minha pior. Já fiz 3 meias com tempos piores mas fui feliz enquanto corria, nesta não fui. Nesta sofri, sofri, sofri. Só não desisti porque sou teimosa. Só não andei porque sou teimosa. Mas garanto-vos que vontade não me faltou. 
Os primeiros km's ainda foram aceitáveis mas depois foi o descalabro completo. Só consegui sorrir quando alguém conhecido gritava por nós. Obrigada Sandra, Marta Andrade, Filipe Torres, Pedro Carvalho e toda e qualquer pessoa que tenha gritado por nós. Obrigada ao pai que esteve em Belém e depois estava em Algés a apoiar-me.

Foto tirada pela Sandra em Alcântara.
Estes foram os únicos momentos em que sorri durante esta prova,
quando via alguém conhecido.

Vimos várias pessoas a serem assistidas, nunca tinha visto tantas numa prova. Nem nas duas maratonas que fiz. Acho que isso começou também a assustar o Vitor que me perguntou algumas vezes se eu queria andar e se eu estava suficientemente bem para continuar  Eu ia de rastos, não estava a ter prazer nenhum em correr. Já não queria saber de recorde nenhum, só queria era chegar à meta o mais rapidamente possível pois estava farta de correr. Houve alturas que estive quase quase a andar mas lá resisti ao pensar "se nunca andei numa meia, não será hoje a primeira a vez". Juro-vos que quando passámos a primeira vez em Belém, para aí aos 14 km, pensei mesmo em ficar por ali. 
Porquê continuar? 
What's the point? 
Só há um "point"!
Saber que pode estar a custar muito mas temos força suficiente para continuar em frente. E apesar de tudo eu tive força para continuar. Força psicológica. 


E assim continuei até ao fim.
Obrigada Vitor e desculpa lá as rosnadelas...

Uma coisa posso-vos garantir. Custou-me muito mais fazer esta meia-maratona do que fazer a maratona de Sevilha. É que nem tenho dúvidas! Não sofri em Sevilha e corri sempre feliz e sorridente. 
Esta meia foi o oposto!

A chegar à meta.
A minha cara diz tudo...sofrimento...sofrimento...

Demorei 2h12m e não foram 2h12m felizes. Fiquei a 14 minutos do recorde. Longe, longe, longe. Mas os recordes são sempre secundários. Quando corro, corro porque sou feliz a correr. Domingo não fui feliz enquanto corria. Felizmente a manhã foi salva pela grande estreia da afilhada (faz favor de lerem primeiro o artigo dela aqui).

Após chegarmos, o Vitor foi buscar umas coisinhas ao carro e eu fiquei à espera da Marta e do João. Como esta prova é uma confusão, não os vi chegar e fiquei à espera que eles saíssem da área onde dão os brindes. Ainda estava chateada pela corrida que tive mas quando avistei o boné amarelo do João ao longe e vi a Marta ao seu lado comecei a ficar emocionada. Entretanto vi os pais da Marta e juntei-me a eles. A minha afilhada chegou ao pé de nós e cairam-me umas lagrimitas. Estava muito feliz por ela. O João disse-me logo que ela nunca tinha andado. Que espectáculo! Chorei um bocadinho. De emoção. Em tempos fui eu a ser apadrinhada na minha estreia numa meia-maratona pelo João e pelo Jorge Branco. Agora sou eu a madrinha e é um orgulho ter uma afilhada como a Marta.

Padrinho e madrinha orgulhosos da sua afilhada.

Entretanto chegou o Vitor com os nossos miminhos para a Marta...

Bolinho de laranja feito pela madrinha Isa.
Diz "Parabéns Marta.
16.03.2014"
Almofada dada pelos padrinhos.
Beijinhos e abraços entre padrinho e afilhada.
Beijinhos e abraços entre madrinha e afilhada.
Deste dia guardo a amizade e o orgulho que é fazer parte desta equipa
e ser madrinha duma atleta espectacular.

E é assim que a Marta salvou a minha manhã. Obrigada afilhada e...

MUITOS PARABÉNS PELA TUA BRILHANTE ESTREIA! 
Tu vais longe e eu estarei lá sempre para te ver :)

E agora vou fazer um intervalo da estrada. As próximas provas são em trilhos. Primeiro temos os 30 km dos Trilhos do Pastor. Acho que já vos podia contar onde vou com o Vitor em Maio visto que já estamos inscritos há tanto tempo mas quero contar essa história como deve ser por isso, e a não ser que já tenham as vossas suspeitas, vão ter de esperar mais um bocadinho para saberem ;)

sexta-feira, 14 de março de 2014

Os treinos com o meu homem e uma bela abada...

Na terça-feira fui treinar com o Vitor. O objectivo era corrermos cerca de 5 km descontraídos. Pois...para mim o treino foi uma desgraça. Não querendo estar aqui a acusar ninguém... =P mas houve alguém que nos pôs logo a subir no inicio do treino. E daquelas subidas que eu detesto, não muito inclinadas mas longaaasss. Se eu já não me sentia propriamente cheia de energia, começar logo a subir não ajudou muito. Estive várias vezes para lhe rosnar, mas controlei-me.
Mulheres que também correm de vez em quando com os vossos homens, digam-me que não estou sozinha nisto...Confessem, de vez em quando também vos apetece rosnar-lhes, não é? Eles esquecem-se que nós somos um pouquinho (só um pouquinho....) mais lentas que eles...e não temos grande vontade de começar um mero treino de recuperação logo a subir...grrrrrr...
Eu lá me aguentei como pude mas a verdade é que todo o treino foi um arrastar de pernas (para mim porque ele estava fresco que nem uma alface). Acabámos por variar um pouco de outros treinos que já haviamos feito e fomos até aos jardins do Campo Grande. Por lá cruzámo- nos com o pessoal do Correr Lisboa e vimos algum pessoal conhecido como o Pedro e a Carla ou o Tiago. Demos a volta ao jardim e depois voltámos a subir (!!!???!!!!????!!!!), mas desta vez houve promessas de vingança. Ai é rampas que queres? Então é rampas que vais ter! De qualquer forma nas próximas semanas temos mesmo de começar a treinar rampas, por isso tenho planeados uns treinos com umas belas rampas, só para ti meu Vitor! Vai ser tão romântico (leia-se "tás lixado" ;) hehehe...)!
No final ainda corremos um pouco dentro do Estádio do INATEL e acabámos com quase 7,5 km. A velocidade? Algures entre tartaruga e caracol.

Ontem fui treinar séries com o João e com o Vitor. Na semana passada também já tinhamos ido mais a Carla. Estava um pouco curiosa para ver o Vitor nas séries e no skipping mas ele safou-se bastante bem. Não abusámos muito nos 400 m mas os dois meninos chegaram à nossa frente e o Vitor chegou pouco atrás do João. Já se faziam apostas sobre quem seria o primeiro dos 3 a baixar do minuto e 20...pois vimos logo que o Vitor também tem imenso potencial.
Voltando então às séries de ontem. Eu ia numa de ver como a coisa corria, o último treino tinha sido tão lento que as expectativas para as séries eram baixas.
Começámos com os exercícios de skipping e depois seguimos para as séries. A coisa fez-se. Durante o treino o meu relógio ficou sem bateria, eu não teria possibilidade de ver o meu tempo aos 400 m, mas não era grave, com certeza que não iria bater o meu recorde logo hoje...

Depois do que vi na semana passada, disse aos rapazes para seguirem à minha frente para irem à vontade. E assim deu-se a partida, com o João a partir ligeiramente à minha frente assim como o Vitor. Segui sempre nos calcanhares deles até por volta dos 300 m e então tudo mudou. Na curva comecei a sentir que ainda conseguia acelerar e talvez fosse possível chegar mais perto deles. Sinceramente as minhas pernas pareciam possuídas e a cabeça também! Pensei para mim que se calhar ainda conseguia ultrapassá-los nos metros finais, só tinha um problema, a ultrapassagem em si! Eles iam quase lado a lado e já estávamos a chegar ao final da curva. E foi então que vi uma aberturazinha entre eles, acelerei e ultrapassei-os nos metros finais. Foi espectacular! Quando eles menos esperavam a Isa atacou ahahahahah =P.

E foi quando o João começou a fazer os seus famosos cálculos mentais e tendo em conta que eu parti cerca de 1s atrás dele e que cheguei cerca de 1s à frente dele, eu deveria ter feito cerca de 2s abaixo do tempo dele. E o relógio dele marcava....(tambores a rufar)......1m21s...Significa isto que muito provavelmente eu fiz 1m19s. Consegui! Fui a primeira a baixar do 1m20s!!!
No meio disto tudo só é pena que não seja oficial visto o meu relógio ter falhado logo neste dia! Mas não faz mal, há mais semanas para se voltar a fazer 1m19s =)

Uma coisa é certa, tenho aqui forte concorrência, o João desde sempre que corre bem os 400 m e já me ganhou várias vezes. O Vitor com apenas dois treinos em pista já faz tempos espectaculares. Não tarda muito está a ganhar-me e ao João. Tenho que me pôr a pau com a concorrência ;)

quinta-feira, 13 de março de 2014

Corrida das Lezírias, com duas lebres de luxo

No passado domingo fui pela segunda vez à Corrida das Lezírias. Esta prova é uma prova bastante agradável corrida em alcatrão e terra batida com passagem pela ponte de Vila Franca e entrada nas lezírias ribatejanas. 

O meu plano para esta prova era correr o melhor que conseguisse ao lado do Vitor. E eventualmente tentar bater o meu recorde pessoal aos 15 km. O João iria correr com a nossa afilhada Marta e eu estava como suplente caso ele não conseguisse correr. Deixar a afilhada sozinha nunca! :) Mas felizmente o João estava bastante melhor do problema que o assolou em Cascais e iria correr com a Marta. 
Assim eu iria correr com o Vitor. 

Chegámos cedo a Vila Franca de Xira, dirigimo-nos para o local de partida e encontrámo-nos com o restante pessoal. Conversámos um pouco, tirámos as fotos da praxe, aquecemos e fomos para a partida.

4 ao km presentes nas Lezírias:
Eberhard, João, Marta, eu, Vitor e Orlando.

Foi dada então a partida e desde cedo imprimimos (ou melhor...o Vitor imprimiu que eu apenas vou atrás...) uma velocidade a rondar os 5 e qualquer coisa ao km.

Aí vamos nós e ao meu lado vai um atleta que viria a correr conosco esta prova :)

Não gosto de empedrado. Acho que ninguém gosta. E logo no primeiro km levar com empedrado não foi muito agradável. O Vitor ia ligeiramente à frente porque ele consegue logo começar em força mas eu sou mais de começar devagar e depois então, se der, dar um bocadinho mais. E assim, ainda antes de termos chegado à ponte um atleta meteu conversa comigo dizendo que tinha lido o meu "livro" sobre a Maratona de Sevilha. Claro que fiquei logo toda contente e a partir daí fomos sempre na conversa. Na descida da ponte lá apanhámos o Vitor e seguimos os 3 juntos. Este atleta de seu nome Gabriel disse-nos que em tempos também ele já tinha corrido maratonas, não bastasse isso, ele foi um dos pioneiros na corrida de montanha em Portugal. Gabriel, eu achei que correu bastante bem os 15,5 km das Lezírias e acho que ainda está em bastante boa forma. Ainda está muito a tempo de correr novamente uma maratona. Pense nisso :)
E assim fomos os três. Senti-me uma privilegiada por estar ali a correr com dois atletas tão simpáticos.
O primeiro abastecimento chegou e fomos surpreendidos por garrafas gigantes! Água sim, mas tanto desperdício não. Não havia qualquer necessidade de garrafas tão grandes para além que, para quem como eu corre com as garrafas na mão, torna-se impossível correr com estes monstros.
Passámos por várias pessoas conhecidas que já vinham no retorno e depois chegou a nossa vez de iniciar o caminho de regresso. 
Ao passarmos pelo João e pela Marta gritámos bastante por eles. Achei que eles iam bem.
Mais ou menos por esta altura começámos a ultrapassar algumas pessoas mas nada de especial. O ritmo foi sempre nos 5 e tal. Eu e o Vitor achámos que iria dar para meu novo recorde. Mas à medida que nos aproximávamos da meta deu para perceber que iria ser muito complicado. Ainda tentei acelerar, chegando mesmo a fazer o último km a 4 e tal mas já não dava. Acabei por aceitar isso e deu para aproveitar os últimos metros na companhia dos meus dois companheiros. Como refiro sempre o mais importante é fazer uma corrida feliz e foi o caso.

Vitor, eu e Gabriel.

E assim cortámos a meta os 3 juntos.
Obrigada Gabriel pela sua agradável companhia. Até uma próxima corrida!
Obrigada Vitor, a tua companhia já se tornou imprescindível.

Se não estou em erro completámos os 15,5km em 1h28m. O ano passado demorei 1h26m.
Depois da nossa corrida ficámos à espera do João e da Marta. Como madrinha preocupada que sou estava a ficar ansiosa por não os ver chegar mas quando os vimos eles vinham super sorridentes e a Marta ainda deu um sprint final que até voou! Grande Marta!

Chegada da Marta e do João comigo e com o Vitor a aplaudir.
Madrinha babada... :)

E assim se passou mais uma manhã desportiva.

A próxima prova será já neste domingo, Meia-Maratona de Lisboa. E depois seguem-se muitas provas de trilhos :)

Boas corridas!

sexta-feira, 7 de março de 2014

Treinos desta semana

Nesta segunda semana após a maratona é altura de aos poucos começar de novo a aumentar a quilometragem.
Para já ainda está a ser relativamente suave, mas nas próximas semanas iremos começar a dar no duro. Maio já não vem longe.

Na terça-feira fui treinar com o Vitor, fomos correr apenas 5 km pelo Estádio Universitário mas com companhia nem dei pelo tempo a passar, embora tenha deixado logo bem claro que não queria fazer mais que 5 km, ainda estava a recuperar de domingo (e da maratona também).

Na quarta-feira fui correr a Monsanto. Foram 9 km que se fizeram bastante bem tendo em conta umas quantas rampas pelo meio.
Apesar de ainda estar em modo recuperação da maratona sinto-me bem e aos poucos a quilometragem será aumentada, sempre com dias de descanso claro.

E ontem fui correr novamente com o Vitor, desta vez corremos aqui por Benfica. Soube muito bem treinar com ele, fomos entretidos a conversar e nem demos pelos km's a passar. Mais 5 km e picos.

Hoje voltarei às séries após um intervalo de duas semanas. 
E no domingo é dia da Corrida das Lezírias.
Sempre bem acompanhada :)

Bons treinos e bom fim-de-semana!

quarta-feira, 5 de março de 2014

20 km Cascais ou Meia Maratona de Cascais...

No passado domingo fui a Cascais para correr os famosos 20 km de Cascais.
Vou começar já pelas falhas da organização e já irei às coisas boas. Ao contrário dos anos anteriores, este ano não davam a famosa t-shirt com os nomes de todos os classificados do ano anterior e isso era uma das coisas que dava fama a esta prova. Depois houve grande demora na distribuição dos dorsais e alguns minutos de atraso na hora de partida. Durante a prova ainda houve falha de um abastecimento e para ajudar à festa, em vez de serem 20 km, foram 21 e picos, portanto, uma meia maratona! 
Foram umas atrás das outras. Apesar das falhas, a organização soube reconhecer que não esteve no seu melhor e isso é o mais importante, é preciso corrigir as falhas para que no próximo ano todos voltemos com gosto a esta corrida.

Fui com o Vitor até Cascais onde nos encontrámos com os restantes elementos dos 4 ao km e os habituais companheiros de corridas. 
O plano era corrermos nas calmas e se necessário alternar com caminhada pois há uma semanita atrás tinhamos estado a correr uma maratona. Como tinhamos 3 horas de tempo limite estávamos perfeitamente descansados. 
Durante a semana corri apenas 1,5km, tinha mesmo metido na cabeça que ia fazer os 20 km em 3h. Mas tenho desculpa, eu não sabia que na realidade seriam 21 km... =P

A partida foi dada e ao inicio segui com o Vitor e com o João. Até me ia a sentir bem mas ainda faltavam muitos km's. O João cedo começou a andar, ia com algumas dores e disse para seguirmos. Assim o fizemos. Depois do retorno viriamos a saber que ele tinha desistido por uma questão de precaução e fez ele muito bem.
Lá segui com o meu rapaz e aos poucos fui-me sentindo melhor e entusiasmei-me com a corrida. Há 1 ano atrás fiz aqui uma grande corrida, devia ser o corpo a relembrar-se. Começamos a ultrapassar algumas pessoas, vimos muitas caras conhecidas, houve várias trocas de incentivos.

Já no retorno.
Foto do Luís Parro.

Ultrapassámos muita gente, perdemos a noção de quantas. Iamos a sentir-nos bem. Mas mais para o final eu comecei a quebrar um bocado. Ainda para mais quando percebemos que não seriam 20 km mas sim 21...Uma coisa era certa, não iriamos demorar 3h, nem perto disso. Na realidade demorámos 2h06m para percorrer a "meia-maratona", o que foi bem melhor do que qualquer um de nós imaginava. 

Na descida para a meta.
Foto da Mafalda.
Eberhard, Vitor, eu e João.
Dos 4 ao km presentes só falta aqui a Lúcia.
Foto da Mafalda

Apesar de algumas falhas da organização, o resto correu tudo bem e foi uma manhã bem passada.

Seguem-se os 15,5km das Lezírias, a Meia-Maratona de Lisboa, um fim-de-semana de descanso (qual descanso qual quê, será um treino longo) e depois os 30 km dos Trilhos do Pastor. Depois já será Abril e falamos desse mês mais tarde.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Maratona de Sevilha, isto é que é uma maratona!


Há uma palavra que pode descrever muito bem o que foi esta maratona: FESTA!
Esta prova foi uma verdadeira festa, porque os espanhóis fazem a festa, porque os portugueses que lá estão fazem muita festa e porque 11 portugueses em particular fizeram uma grande festa.

Eu sei que tinha dito que o mais importante para mim neste fim-de-semana prolongado era divertir-me com os amigos e aproveitar bem o passeio. A maratona era um extra dizia eu. Bem...que extra!!! Que alegria de extra! E um extra que soube a pouco...Desta felicidade eu queria mais, muito mais!
Mais uma vez digo, se vocês, caros leitores, nunca correram uma maratona, vão JÁ correr uma!!! É uma coisa mesmo espectacular, uma coisa para a qual não há palavras suficientes. Só há é um problema...é que correm o risco de ficarem viciados e depois começarem com ideias malucas de correrem mais e mais maratonas. Depois já não querem parar e só pensam nela! Aquela cujo nome não devia ser pronunciado mas vocês já não querem saber e repetem o nome dela apaixonadamente vezes e vezes sem conta, maratona. Maratona. Maratona. Maratona. Maratona. Maratona. Que palavra tão bela.

Não sei se estão sentados e se estão com algum tempo disponível...Mas se querem ler isto que se segue é melhor disporem de algum tempinho livre. Estou já a avisar com antecedência. Demorem o tempo que quiserem a ler os capítulos que se seguem ;)
Espero que gostem do livro ;)

Capítulo 1 - Preparação

A preparação para esta maratona teve muitos altos e baixos. Para todos.
Primeiro houve uma baixa, o Jaime, ficando apenas a restar um elemento do casal maravilha, a Carla. Depois houve um grande susto com o problema bronco-pulmonar do João. Todos tememos o pior, a sua maratona poderia estar em perigo. Seguiram-se semanas de grandes altos e baixos para ele e nós a acompanhar-mos todos a situação sempre com optimismo mas alguma apreensão.
Já a poucas semanas da maratona e com vários sinais de melhoria, eu acreditei que fosse possível o João terminar. E acreditei que todos iriamos ser felizes em Sevilha.
Quanto à minha preparação foi algo irregular também. Não treinei tanto como para a primeira, fui treinando. O Vitor estava como eu. Resumindo a coisa, íamos e logo víamos como a coisa se desenrolava.

Para correr a maratona seriamos 7 com duas estreantes na distância, a Carla e....a Sandra! =) Por vontade da Sandra não divulgámos que ela iria fazer a sua estreia em Sevilha. Comigo seriamos 3 meninas a correr a maratona. A juntar-se a nós tinhamos o João, o Nuno, o Orlando e o Vitor. O Vitor não tinha dorsal mas o Jaime já lhe tinha dito que ele poderia correr com o dele. Assim estava feito o grupo que iria a Sevilha, João e Mafalda, Sandra e Nuno, Carla e Jaime, Orlando, Nora e Margarida e eu e o Vitor.
A uns dias da prova o João teve a agradável surpresa que os seus filhos também iriam conosco. E assim juntaram-se a nós o Ricardo e a Joana.

Capítulo 2 - A viagem de ida

Combinámos que iriamos cedo para irmos sem pressas e chegarmos a Sevilha com tempo para levantar os dorsais e descansar. Às 6h30 estávamos a encontrar-nos para seguirmos 3 carros juntos. Só a Carla e o Jaime é que optaram por seguir por outro caminho. 

A viagem foi muito agradável, fomos parando e petiscando pelo caminho. Parámos para almoçar em Isla Antilla, levámos tanta coisinha boa mas o melhor de tudo foi o bolo de laranja feito com raspa de meia laranja...Literalmente raspa de meia laranja... ;)
Infelizmente também foi durante a hora de almoço que tivemos uma má notícia que nos deixou um pouco abalados. O carro da Carla e do Jaime tinha avariado no meio de nenhures. Ainda nos oferecemos para ir buscá-los, mas uma série de azares e toda a logística do fim-de-semana dificultava a coisa. Foi o momento mau do nosso fim-de-semana. Para o resto do pessoal correu tudo tão bem, para ser perfeito faltavam lá a Carla e o Jaime. Foi uma dura partida do destino. Mas quero acreditar que a grande estreia está reservada para outra altura e para um momento igualmente especial.

Se durante o caminho já estávamos a apanhar um dia solarengo e quente, a chegada a Sevilha confirmou um dia quente. Sol e cerca de 25ºC. Então o objectivo de fazermos uma maratona em Fevereiro não era apanhar tempo mais fresco?!? O calor persegue-nos para onde quer que a gente vá.

11 pessoas numa selfie!!!
E não vamos ficar por aqui :)
O Guiness espera por nós.

Capítulo 3 - Levantamento dos dorsais

Após deixarmos as coisas no hotel fomos levantar os dorsais.
A feira estava cheia de gente e ainda andámos por lá entretidos a tirar várias fotografias e a ver as várias bancas de várias maratonas. Ideias, ideias...
Já sabia que o meu dorsal teria um 8 e só isso já me deixava mais animada pois eu adoro o número 8 e ter um 8 no dorsal só podia ser um bom sinal.
Depois do levantamento dos dorsais voltámos ao hotel, jantámos e fomos deitar-nos cedinho pois no dia seguinte o ponto de encontro era novamente às 6h30, hora de Espanha.

Os 6 atletas à porta da feira.
Com os nossos dorsais.

Capítulo 4 - Momentos pré-maratona

Após uma noite mal dormida às 6h30 estávamos a tomar o pequeno-almoço. Quando o João chegou...nem vos digo nem vos conto...primeiro andava às voltas em vez de se servir logo da comida, depois sentou-se à minha frente e a cara dele dizia tudo. As palavras confirmaram-no. Estava muito pessimista.

Ao pequeno-almoço.

Apesar de todos estarmos com aquele nervoso miudinho lá tentámos animá-lo, mas só após a chegada a chegada à zona da partida é que ele de repente voltou a ficar optimista. Vá-se lá perceber esta gente! :)

Confesso que também eu comecei a ficar nervosa. Lá estava eu novamente a alinhar numa maratona. Meto-me em cada uma! Não estava ainda bem mentalizada no que me estava a meter, mal sabia eu que ia ser tudo bem mais fácil do que eu pensava. Conforme íamos andando para a partida e íamos tirando os casacos é que comecei a cair em mim. Ia correr novamente uma maratona! AI CA MEDO!

Estava cá um friozinho! Mas o dia estava a nascer e percebia-se que ia estar novamente sol e algum calor.
Havia tanta gente e tantos portugueses pelo meio. Uma grande festa! Pode parecer mentira mas deste grupo de 11 eu fui a única que me lembrei de levar bandeiras de Portugal. Mas depois andavam todos a pedir-me bandeiras ;) Pronto não eram todos, só os nossos apoiantes. Mas eu queria correr com uma, só não sabia onde a haveria de pôr. Até que a Mafalda teve uma ideia! Colocar o lenço na cabeça. E foi assim que corri a maratona com o lenço de Portugal na cabeça. E acreditem que foi muito útil. Vários portugueses ao longo da prova deram-me força graças ao lenço.

Bora lá pessoal!
Vitor e eu.

Os 4 elementos dos 4 ao km presentes, um recorde numa maratona.
Orlando, eu, Vitor e João.

Os 6 malucos/atletas:
Sandra, Orlando, eu, Vitor, João e em baixo o Nuno.
Bora!!!

Após os preparativos todos despedimo-nos dos nossos apoiantes e seguimos para a zona da partida.
Vários pensamentos me passaram pela cabeça. Nem queria acreditar que estava prestes a correr a minha segunda maratona. Ainda há uns meses atrás me estava a estrear e agora ia correr a segunda. Meto-me em cada uma! Ai que felicidade ir correr por Sevilha! Ai que alegria estar ali com amigos! Ai que espectáculo ir correr uma maratona ao lado do Vitor! Mas no fundo no fundo era AI CA MEDO!

Capítulo 5 - Inicio da maratona

E começou!!! Aí vamos nós! Nas primeiras centenas de metros vamos todos juntos menos o Orlando que pertence a outro campeonato e partiu mais à frente. Aos poucos a Sandra e o Nuno distanciam-se um pouco de nós e correm com mais algum pessoal da Açoreana. Sigo com o João e o Vitor. Olho para o relógio, acho que vamos bem, até melhor do que eu pensava. A certa altura o João segue dizendo que tem um ritmo em mente e que vai tentar seguir esse plano. Fico um bocado aparvalhada mas ele lá segue. Depois ultrapassa o Nuno e a Sandra e depois deixamos de o ver...Eu e o Vitor comentamos que o homem só pode estar doido! Então não era melhor ele ir nas calmas? Tinha 6 horas para terminar, havia de conseguir! Mas não! Tinha que começar a correr feito doido e deixar-nos a todos preocupados pois não sabiamos da estratégia que ele tinha.

Capítulo 6 - Até ao km 10

Ia com o Vitor a um ritmo relativamente bom para uma maratona e melhor do que esperava. Havia muita gente a correr e muita gente nas ruas. Cruzá-mo-nos com alguns portugueses, uma senhora disse-me que era a sua estreia. Dei-lhe força, nas calmas fazia-se, disse eu. A certa altura passámos a ponte para o outro lado do rio e fomos sempre junto ao rio. Muito bonito. Passámos junto à Torre del Oro e continuámos em frente até ao km 10 onde sabiamos estar a Mafalda, a Joana, o Ricky, a Nora e a Margarida. Foi uma festa quando os vimos. Perguntei logo pelo João. A Mafalda disse que ele ia bem. Perguntei pela Sandra, também ia bem. Até aqui tudo bem. Nem dei por passarem 10 km sinceramente.

Foi assim que passámos ao km 10.
FESTA!
Está tudo ok.

Capítulo 7 - Do km 10 até à meia-maratona

A partir daqui começámos a correr um nadinha mais depressa. Alguns km's foram feitos a 5 e tal/km, coisa que nunca se passou na minha estreia. O Vitor até achou que eu estava a abusar. Mas eu ia na boa, não ia sequer a esforçar-me por ir aquele ritmo, aquele ritmo estava-me a sair. Porque haveria de abrandar se me estava a sentir bem? Eu sei que devemos poupar-nos para o fim, mas de qualquer maneira eu já estava mentalizada que os últimos km's seriam mais lentos. Ainda é a minha segunda maratona, não consigo ainda fazer maratonas como faço as meias em que começo sempre mais devagar e depois é que vou acelerando. Por isso sou apologista que se vou a sentir-me bem, é melhor aproveitar enquanto a coisa dura. E tal como disse anteriormente, eu não ia em esforço. As pernas até queriam dar mais, acreditem, eu até me controlei.
A certa altura avistámos o Nuno e a Sandra e corremos uns metros ao lado deles, comentamos a loucura do João e partilhamos as nossas preocupações. Acabamos por seguir. Mais à frente eles haveriam de nos ultrapassar.

Passagem ao km 15.
Novamente com o apoio da nossa claque Mafalda, Joana, Ricky, Nora e Margarida.
É só sorrisos.
Foi sempre assim ao longo de toda a prova :)
Corremos ao lado duns palhaços e tudo!Hehehe!
Nem sei bem em que km tirei esta foto, mas pode ter sido
em qualquer um visto que o sorriso foi uma constante.

Quase a chegar à meia-maratona o Vitor avista o João, quando chegamos mais perto dele ele vai a andar. Digo para o Vitor "Ele já estoirou." Mas quando nos aproximamos mais é que vejo que o João está todo sorridente. Digo-lhe "Toca mas é a correr!" e ele descansa-nos dizendo que está bem. Fico completamente convencida pois a felicidade dele percebe-se a léguas.

Capítulo 8 - Da meia-maratona até aos 30

Depois de passarmos a meia-maratona andamos um pouco às voltas ou pelo menos é isso que parece, mas não me importo. Prefiro andar aos esses do que ir numa longa recta sem fim. Há algumas bandas pelo caminho a animar o pessoal. A certa altura entramos numa recta algo longa para o meu gosto. E o calor a fazer-se sentir...Foram estes os únicos km's que fui um pouco abaixo. Nada de especial, mas o ritmo decresceu um pouco. Outro problema eram os abastecimentos e essa é das poucas críticas que tenho a fazer à organização. Garrafas de água só nos dois primeiros abastecimentos, a partir daí eram copos de água. Tentem beber um copo de água enquanto correm e depois digam-me quanta dessa água conseguiram realmente beber... Tentei encher a garrafa que me restava com a água dos copos mas claro que metade da água não acertava no gargalo. Resumindo a coisa ambos íamos com pouca água e já um pouco desesperados por novo abastecimento.
Até ao km 30 fomos correndo mas por uma vez tive que andar. Os abastecimentos deficientes estavam a causar alguns problemas.
Posso já dizer que os km's que mais me custaram foram estes, entre os 20 e muitos e os 30. Nada comparado com a minha primeira maratona! Nada a ver!!! Mas custou um bocadinho.
E eis então que estamos quase a chegar ao km 30.

Capítulo 9 - Do km 30 até aos 40

Avisto o km 30 e de repente sinto uma enorme felicidade. Sorrio. Sorrio feita parva. Estão lá imensas pessoas a apoiar. Sorrio-lhes. Digo qualquer coisa, não me recordo o quê, sei que estava a expressar a minha felicidade e ao mesmo tempo o meu espanto por ter conseguido mais uma vez chegar ao km 30. E sabe-se lá como conseguimos lá chegar em ligeiramente menos tempo que o nosso melhor treino de 30 km.
A partir deste km adoptamos uma estratégia que o Vitor já tinha adoptado na sua estreia na maratona. Andar junto aos abastecimentos. E que excelente ideia!
Finalmente consigo arranjar um método eficiente de abastecimento. Abro a garrafa, apanho logo um copo, despejo-o para dentro da garrafa. Apanho outro copo, também o despejo. Apanho outro copo e bebo-o. A partir deste km irei também nalguns abastecimentos beber um copo de Aquarius. Também neste km comi 1/4 duma barra que o Vitor tinha. Até aqui ia só a geis.

A partir do km 30 entrei quase num estado zen. Primeiro porque os espanhóis sabem fazer uma maratona. A partir do km 30 é que começamos a passar nos locais mais bonitos de Sevilha, a partir do km 30 é que há ainda mais apoio e a partir do 34 então passamos por ruas cheias de gente a apoiar-nos. Assim sim!
Segundo, porque ia mesmo feliz e não me estava a custar quase nada correr. Terceiro, porque ia ao lado do Vitor e só pensava na sorte que tenho por estar a correr uma maratona ao lado dele. Isto já ninguém nos tira. Correr uma maratona a dois é algo muito especial.

Nota-se muito que eu ia feliz?

Entramos no Parque Maria Luísa. Muita gente a passear, à nossa frente vê-se a Praça de Espanha. Faço de guia-turística e vou apontando e contando algumas coisas ao Vitor. Damos uma volta na Praça de Espanha, grande festa! Saímos do Parque Maria Luísa, mais à frente entramos por ruas mais estreitas de Sevilha. Tanta gente nas esplanadas, à espera dos transportes ou simplesmente estavam ali de propósito para nos apoiarem. Todos nos batiam palmas, todos gritavam "Animo! Animo!"
Oh, quantas vezes ouvi a palavra "Animo" durante a prova! E o melhor de tudo é que alguns acrescentavam "Animo Isadora!" Porque o dorsal dizia o nosso nome. Ai que bem que sabe irmos a correr uma maratona e ouvirmos alguém que não nos conhece de lado nenhum mas grita pelo nosso nome. Já o Vitor...teve que se contentar com "Animo Jaime!" Hehehehehehe =) O que a gente se riu!

Acho que fui sempre a sorrir durante estes km's. Não me estava a custar nada. Música, pessoas a gritarem por nós, o facto de estar a correr a minha segunda maratona, era impossível não sorrir.
Recordo-me de algumas músicas que as bandas tocavam, desde a "Highway to hell"....Esta foi bem metida numa recta ;)
Também ouvimos a "Twist and shout", essa cantei e dancei...Íamos com uns 35 km em cima e eu dancei :) É para verem como eu ia.

Passámos junto à belíssima Catedral de Sevilha e após algumas ruas estreitinhas e passado um bocado estávamos sobre a ponte a atravessar o rio. Era o primeiro sinal que o fim estava próximo. Claro que já ia algo cansada, ambos íamos, mas na realidade eu não queria que aquilo acabasse.

Entrámos num jardim, jardim este que já fica ao lado do estádio da Cartuxa onde estava instalada a meta.

Capitulo 10 - Do km 40 até à Meta

km 40, foi aquilo que vocês viram. Estou tão bem, deixa-me cá tirar uma foto :)


O Vitor ia com ameaças de caimbras mas estou convencida que a minha presença as afastou ;)
Mal me lembro do km 41, passou tudo tão rápido no fim.

Lembram-se do tempo que fiz na minha estreia? 5h30. Desta vez os meus objectivos eram os seguintes:

  1. Terminar a maratona (e este será sempre o maior objectivo de todos)
  2. Melhorar o meu tempo (não era assim tão complicado...)
  3. Baixar das 5h (possível, mas os treinos não me deixaram assim tão confiante)
  4. Baixar das 4h50 (isto é que eu gostava mesmo!)
Se por um milagre qualquer eu baixasse das 4h45 ia tudo abaixo disse eu ao Vitor durante a corrida.
À medida que nos aproximávamos do estádio não só comecei a ver que era capaz de dar para baixar das 4h45, como se calhar até dava para baixar das 4h40! Que loucura!!! Mas não seria fácil baixar das 4h40. As ameaças de caimbras do Vitor não estavam a dar descanso e se havia coisa que podia estragar tudo era uma caimbra, por isso fomos correndo devagar. Estávamos quase.
À entrada do estádio oiço alguém gritar "Força Isa!". E não "Animo Isadora!". Agradeço, não reconheço e então ela diz-me "Sou a Fiona!". Ficamos todos contentes por vermos uma cara conhecida. Fiona, muito obrigada pela tua força :)

Ali vamos nós a entrar no estádio.
Foto da Fiona.

Entramos no estádio, o Vitor vai só com ameaças. Digo-lhe "É já ali."
Vejo bem que ele vai à rasca. Mas vamos terminar a nossa maratona juntos! Ai vamos vamos!
Entramos no minuto 39! 39!!!! Vamos claramente terminar abaixo das 4h45! Mas abaixo das 4h40 estou a ver o caso complicado. Mas que interessa? Vamos terminar a nossa segunda maratona!
Está quase! Vou toda sorrisos. Olho para as bancadas mas só avisto a Joana. Vou feliz, feliz, feliz. A meta está mesmo ali. Não há palavras suficientes para descrever a sensação de terminar uma maratona. ESTA maratona. Com o Vitor.

Damos as mãos, levantamos os braços, cruzamos a meta. Muito, muito bom! Beijamo-nos. Conseguimos. Juntos.



O tempo? Espectacular! 4h39m38s. Conseguimos abaixo das 4h40, estou feliz. Muito melhor do que eu sonhei.
Mas o tempo numa maratona é um extra. Porque o tempo é aquele que conseguimos quando cruzamos a meta e uma maratona não é a meta, é tudo aquilo que vivemos entre a partida e a meta. E isso é algo demasiado especial para se poder resumir num número.


Capítulo 11 - Momentos pós-maratona

Dão-nos a bonita medalha.
Sorrio
Tiram-nos fotografias.
Sorrio
Alongamos.
Sorrio.
Alongamos.
Sorrio.

Entramos nas catacumbas do estádio. Depois de correr uma maratona nada como apenas uma laranja...
E esta é a segunda falha da organização. Uma laranja? Só? Depois de 42, 195m? Uma laranja inteira que ainda por cima temos de descascar com as nossas mãozinhas cansadas? Vamos continuando a andar nas catacumbas e muito andámos nós depois de terminada a maratona! Estávamos cheios de esperança de encontrar mais qualquer coisa para comermos, mas quando saímos das catacumbas e voltámos a ver a luz do dia, tudo o que levávamos nas mãos era uma laranja... Muito fraco.

Telefonei para a Mafalda para perguntar como se entrava para o estádio, para ir ter com eles às bancadas mas ela não ouvia nada do que eu dizia. Demos quase uma volta inteira ao estádio do lado de fora até finalmente encontrarmos a entrada. Já estavam a Mafalda, a Joana e o Ricky a sairem.
Não sabiam do resto do pessoal.
Telefono aos meus pais, digo ao meu pai que só estamos à espera do João. A Mafalda diz-me que o João já chegou! Hein? Já? Conseguiu? Ai que alegria! :)

Estamos em pé já há bastante tempo. Sento-me no chão. A Mafalda vai comprar-nos águas e sandes de tortilha. Uma santa!

E de repente o Vitor diz "Vem lá o João." Avisto-o e vou ter com ele. Abraça-se a mim a chorar. Como o percebo. Eu sabia que ele ia conseguir, confesso é que nunca pensei que ele fizesse o tempo que ele fez. Estava mesmo à espera que ele chegasse mais perto das 6h. Estou muito feliz por ele. Seguem-se mais abraços ao Vitor e um muito especial à Mafalda.

Abraço sentido entre o João e a Mafalda.

Estás de parabéns João! Foste grande em Sevilha! Contra ventos e marés tu conseguiste!!!

Vitória!

Fomos andando e conversando. Encontramos os filhos do João. Muita, muita emoção.
Encontramos os restantes companheiros. Abraços, beijinhos, felicitações. Todos conseguimos!
O Orlando conseguiu fazer abaixo das 4h. Espectáculo! A Sandra fez uma brilhante estreia com 4h19! UAU! Grande Sandra! O Nuno fez mais uma maratona, mas desta vez ao lado da sua menina e por isso esta será para sempre especial.
TODOS CONSEGUIMOS! Estamos todos de parabéns!

É só atletas orgulhosos dos seus feitos :)

Senti que para ser mesmo perfeito só faltavam a Carla e o Jaime. Mas o vosso momento vai chegar.

Capítulo 12 - Troféus do Nuno para todos

Após um banho tomado uma surpresa! Do Nuno para todos nós.
A minha e a do Vitor:


Claro que todos adorámos. O Nuno tem imenso jeito para estas coisas. Obrigada Nuno =)

Capítulo 13 - Paella onde estás tu? ou Caminhada de recuperação?

Saímos todos do hotel com as nossas medalhas ao peito. Um bocadinho de orgulho nunca fez mal a ninguém. E afinal de contas tinhamos acabado de correr uma maratona! =)
E após corrermos 42,195m nada como uma bela paella para recuperarmos. O Orlando tinha a referência de um restaurante que servia uma paella muito boa. O João tinha um mapa..."O caminho é por aqui" ouvimos todos dizer e acreditámos...Lá seguimos por aquela longa avenida. Passado um pouco perguntámos a um senhor que nos disse estarmos no caminho correcto. A rua que nós queriamos era a terceira à esquerda...Era, era...Quando lá chegámos não era...Mas com certeza não deveria ser longe...Não que não era! Perguntámos novamente a outra pessoa, disse-nos que era precisamente para o lado contrário. De onde tinhamos vindo... Meia hora de caminho...Não fui a única a rosnar...
Muito andámos nós até chegarmos ao restaurante para almoçar jantar, mais precisamente 1h30!!!!! Mas quem é que anda 1h30 para almoçar após ter corrido uma maratona?!? NÓS!
Na realidade acabou por funcionar como caminhada de recuperação e até nos fez bem.
E sim, a paella estava muita boa! E a taça de gelado também ;)

Capítulo 14 - O dia seguinte

No dia seguinte eu estava toda partidinha, ao contrário de outras pessoas a quem parece ter feito bem a caminhada de recuperação em busca da paella perdida.
Mas apesar de estar toda partida isso não impediu a tão prometida dança...

Aqui está a prova provada que eu e o João dançámos flamenco ;)
Os outros escapuliram-se.

Andámos a passear pela bela cidade de Sevilha e a seguir ao almoço comemos uns cocuruchos gigantes ahahahah =)


Como diz o João, Sevilha nunca mais será a mesma depois de lá termos estado a correr :)

Capítulo 15 - Agradecimentos

Obrigada a todos pela força que sempre transmitiram e por terem acreditado em mim. Lembrei-me de todos vocês enquanto corria e quando cruzei aquela meta de braços no ar e de sorriso na cara :)
Obrigada amigos companheiros sevilhanos. Esta aventura convosco foi um espectáculo!
Obrigada João, Mafalda, Ricky, Joana, Sandra, Nuno, Orlando, Nora e Margarida. Gostei muito destes dias! Inesquecível!
Um obrigada especial à Mafalda, Ricky, Joana, Nora e Margarida pelo apoio ao longo do percurso e por toda a paciência que tiveram ao andarem de um lado para o outro para nos poderem ver e dar força ao longo do percurso.
Um obrigada ainda mais especial ao Vitor. Sem ti não teria sido a mesma coisa. Contigo já bati os meus recordes aos 10 km, à meia-maratona e à maratona. Esta viagem foi muito mais especial por ter sido a teu lado. Se aguentámos correr uma maratona juntos, aguentamos tudo :)

Capítulo 16 - O que guardo desta maratona

Está tudo a pensar "Então mas o livro nunca mais acaba?"
Está quase.

Só quero deixar aqui escrito mais algumas coisas relativas a esta maratona. E sobre a maratona.
Podem ainda não ter percebido...por isso eu quero deixar-vos bem esclarecidos.
EU ADOREI ESTA MARATONA!
Foram 42,195m mágicos. Nunca desfrutei tanto de uma corrida como desta. O mais parecido que tive foi a Meia de Almada. Mas uma maratona é uma maratona e esta foi realmente fantástica. Sevilha recomenda-se e a sua maratona também.
Estou aqui à procura de palavras para descrever as emoções sentidas durante esta corrida mas não há palavras. É preciso sentir. Por isso vão mas é correr uma! ;)

Esta maratona correu tão bem e soube tão bem que umas horas depois de ter terminado já estava com pensamentos alucinados. Eu queria era correr uma maratona todos os meses...
Ok, calma. Ainda só corri duas, tenho muito tempo. E não posso pôr a carroça à frente dos bois. Mas se não pode ser todos os meses talvez possa ser de poucos em poucos meses...Em Novembro irei à Maratona do Porto, naquela que será a minha terceira maratona. Até lá esperam-me/nos grandes aventuras. Já estamos inscritos há algum tempo para uma grande aventura, aventura essa que será em Maio e mais não vou dizer ;)

Capítulo 17 - E agora o que se segue?

O que se segue? Ups, já disse no capítulo anterior. Em Maio vamos a...
Mas até lá temos os 20 km de Cascais, a Corrida das Lezírias (15 km), a Meia-maratona de Lisboa, os Trilhos do Pastor (30 km), os Trilhos de Almourol (25 km), Constância (10 km), Trail de Sesimbra (21 km) etc, etc até.... ;)

FIM (Espero que tenham gostado do livro)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Maratona de Sevilha, muito melhor que um sweet dream

Por volta do km 40.
Palavras para quê?

Fui tão mas tão feliz em Sevilha que nem sei se vou conseguir arranjar palavras para expressar todos os sentimentos sentidos.
Fiz uma corrida que nem sequer sonhava, não só pelo tempo conseguido mas pela alegria vivida. Muito sorri eu. Tive momentos em que só me apetecia congelá-los de tão perfeitos que foram. 

QUE ALEGRIA DE PROVA! 

Que alegria percorrer novamente todos os km's de uma maratona! Que alegria chegar ao fim de braços bem no ar de mão dada com o Vitor! Que alegria saber que os amigos que alinharam à partida desta maravilhosa corrida foram igualmente felizes! 
Fui mesmo muito feliz em Sevilha e fui extraordinariamente feliz a correr esta maratona. 
Claramente estou irremediavelmente apaixonada pela maratona. 
Duas maratonas já estão! Venham pelo menos mais 100!

Só mais uma coisa...não sei se já o disse anteriormente....mas...

FUI MESMO MUITO FELIZ A CORRER EM SEVILHA!

(Relato completo só nos próximos dias, tenho tanta coisa para contar que provavelmente vai dar um livro)