quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Benfica - Terreiro do Paço, um bilhete de ida e volta se faz favor

Não sei que vos diga. Ando completamente baralhada das ideias e depois dá-me para umas pequenas loucuras. 
Tinha planeado para hoje um treino com um cão. Nem sequer era o Spike, era uma novidade completa, mas antes de sair de casa mudei de ideias. Há uma música dos Coldplay que diz assim "When you get what you want but not what you need". Eu queria seguir um plano de treinos, eu queria correr com um cão, mas não era isso que eu precisava. O que eu precisava era de correr sozinha com os meus pensamentos e de preferência correr muito. E assim foi.

Felizmente tinha a manhã livre, só ia trabalhar à tarde. Dava para correr sem pressas.

Comecei a correr em Benfica, segui pela Estrada de Benfica até Sete Rios, virei em direcção a Campolide, subi pela ciclovia em direcção ao tribunal. Parei no cimo do Parque Eduardo VII. Sentei-me a observar a vista e a pensar. Ando a pensar demais. Aliás, acho que nunca pensei tanto num treino. Normalmente nem costumo ter grandes pensamentos. Hoje pensei, pensei, pensei e continuei a pensar. Fiquei ali sentada uns bons 10 minutos a ouvir música, a ver a vista e a pensar. Uma das coisas que pensei foi "E agora? Volto para trás ou continuo em frente? E se eu fosse até ao rio? Muito lindo, mas depois teria que voltar tudo para trás....e do rio até ao cimo do Parque Eduardo VII é sempre a subir..." Que se lixe! Em frente é o caminho!

É para verem como ando com a cabeça desgovernada. Estive não sei quanto tempo indecisa se seguiria em frente ou não. O meu lado doido prevaleceu sobre o meu lado ajuizado. Felizmente.

Sempre a descer até ao rio. 
Fui mesmo junto ao rio, estive entretida a tirar fotos. Voltei a sentar-me. Tirei mais fotos.

Praia do Terreiro do Paço, mundialmente conhecida ;)
Não me digam que nunca lá foram ao banho?...



Depois ganhei coragem e voltei tudo para trás. Sempre a subir até ao cimo do Parque Eduardo VII. Devagarinho faz-se.

E depois voltei pelo mesmo caminho que tinha levado na ida. Confesso que a certa altura já não via a hora de chegar a casa. Quando cheguei a Benfica é que me apercebi da pequena loucura de ter corrido desde Benfica até ao Terreiro do Paço...e depois para aumentar a loucura...voltar tudo para trás... 
Total de tempo de treino: 2h40m 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Trail de Montejunto, fui feliz

No domingo fui feliz em Montejunto. 
Estava a precisar disto. De me afastar de Lisboa, de me distrair correndo por montes e vales e em boa companhia. 

Às 6h30 estava a sair de Lisboa em direcção à Serra de Montejunto. O meu companheiro nesta viagem foi o Vitor. Num instante chegámos a Vilar, a localidade que acolheu a partida e chegada desta prova. O frio que se fazia sentir...gostava de descrevê-lo mas há coisas que só sentindo. Estava mesmo muito frio. Vilar situa-se num vale e até que o sol saísse de trás da serra ainda sofremos um bocadinho com o frio.

Esta cabeça de vento levou gorro, levou luvas mas esqueceu-se de levar corta-vento.Felizmente que o Vitor tinha um a mais. E mal eu sabia o jeito que aquele corta-vento me viria a dar...Mais uma vez muito obrigada Vitor. Ainda bem que insististe para que eu o levasse :)

Aquela ali de gorro, luvas e corta-vento sou eu...
Ainda dá para reconhecer pois por baixo está a camisola amarela ;)
Foto by Vitor
Depois de algumas fotos tiradas no local da partida que atrasou um pouco, chegou finalmente a hora de nos pormos a correr dali para fora.

Saímos então de Vilar que era maior do que eu estava à espera e passado um bocado estávamos a correr aqui:


Foto by Vitor

Não tardaria muito a começarmos a subir. Havia de vez em quando umas ligeiras descidas para corrermos um bocadinho mas seguiam-se subidas.

A subir em direcção a uns moinhos bem pitorescos.
A seguir vinha o primeiro abastecimento. Aproveitámos para beber algum isotónico e seguimos caminho.
O vento que se fazia sentir era bem forte, mas mal sabíamos nós que mais à frente íamos apanhar vento ainda mais forte! Minhas ricas orelhas felizmente protegidas por um gorro. As luvas cedo foram para dentro da mochila e daí não mais saíram.


Não...aqui não estava vento nenhum...
Foto by Vitor
Já perceberam que passámos o tempo a tirar fotografias. Mas é impossível não o fazer, as paisagens são belíssimas e a vista lá de cima é espectacular.

Corremos nas zonas planas e nas descidas sempre que o piso o permitia. Nas subidas....dependia...se fossem ligeiras até podíamos tentar correr um bocadinho. Agora naquelas subidas íngremes como o caraças, que mais parecem um carreiro de cabras...Só se for para me matar. 

Uma simpática atleta ofereceu-se para nos tirar uma foto.
Esta era a vista lá de cima.
Foto by Vitor.
Daqui para a frente começámos uma subida de caminho de cabras que só visto. Single track, ninguém conseguia ultrapassar ninguém e mesmo que conseguisse, what's the point? Era íngreme até dizer chega, o piso era irregular, tinhamos que ir com os olhos postos no chão para vermos bem onde colocávamos os pés. Se queriamos ver a bela vista tinhamos de parar um pouco.

Acho que foi nesta altura que a montanha fazia uma curva e de repente levámos com o vento com toda a força. Bendito gorro, bendito corta-vento, bendito Vitor. Um vento gelado! Nunca tinha apanhado tanto frio nem tanto vento numa prova. Mas são estas experiências que enriquecem e que nunca esqueceremos.

Continuámos a subir num caminho já ligeiramente mais largo e com umas antenas em vista.

O Vitor.
Não se percebe mas vamos a subir e não é pouco.
Eu.
Eu não disse que era a subir?
E reparem bem no piso...
As tais antenas que estão no topo da serra. Iriamos até lá,
continuando a subir, depois descendo ligeiramente
 e depois novamente a subir.
A vista lá de cima...E nem sequer estávamos ainda no ponto mais alto.
Quando chegámos aqui conseguiamos ver o mar e como a costa portuguesa nunca mais acaba. Vi uma grande terra junto à costa que tenho quase a certeza ser Peniche pois ao fundo via-se uma ilha que só poderiam ser as Berlengas. Lindo, lindo, lindo! Nesta altura comentei com o Vitor que se uma pessoa estivesse a pensar em emigrar (sei lá...eu por exemplo...) chegava ali e desistia da ideia. Quem é que pode sair dum país tão belo? Não quero que se assustem com isto. Não vou emigrar. Em principio. Mas a ideia tem-me vindo à cabeça nas últimas semanas com mais frequência do que devia. Tenho coisas que me "prendem" aqui em Portugal e uma delas é a corrida. Eu sei que posso correr em qualquer sítio, mas custa-me deixar estas corridas e este convívio. Há muita coisa que me trava, mas ao mesmo tempo precisava de alguma coisa mesmo forte que me travasse mesmo. Naquele momento pensei "UAU! Não quero sair daqui!". Até comentei com o Vitor que montava ali uma tenda e ficava ali a viver. O principal senão era o frio...A montanha faz-nos viver sensações muito fortes. Sensações que queremos continuar a sentir por muito tempo. Agora que já estou de volta à cidade apetecia-me ter ficado na montanha, apetecia-me ter ficado por lá a correr e a caminhar durante um dia inteiro. Quando estivesse cansada parava e sentava-me numa rocha a observar a paisagem.

Mas chega de desvarios. Voltando (infelizmente) à realidade. Continuemos com o relato.
Depois daquela vista impressionante sobre a costa portuguesa, começámos a descer. Aqui não havia um trilho definido, haviam as marcas da organização e só por isso soubemos qual o caminho porque basicamente corremos no meio de ervas. Não descemos por muito tempo pois ainda teriamos de subir em direcção às antenas, até ao topo. E assim o fizemos. Lá chegados começámos novamente a descer, agora já durante mais tempo e com uma pequena incursão no alcatrão. Passado um pouco estávamos no segundo abastecimento onde pelas conversas percebemos que tinham havido alguns erros da organização e algumas queixas de atletas. Bebemos novamente isotónico, a única banana que sobrava ficou para mim. Acabei por oferecer metade ao Vitor e um bocado a outro atleta que vinha a queixar-se de caimbras. 

Depois deste abastecimento metemos outra vez pelo meio dos arbustos e continuámos a descer. Nalgumas zonas tinhamos de ter algum cuidado pois o piso era muito irregular mas sempre que o piso melhorava toca de correr.  

O único km a merecer um pórtico.
Foto by Vitor.
Ainda haveriam mais umas subidas mas já nada de especial. Voltámos a passar ao pé dos moinhos e continuámos a descer, a certa altura já em alcatrão. Entrámos numa povoação, acho que ainda não era Vilar mas não tenho a certeza. Um rapaz estava com um garrafão a perguntar se queriamos água mas ambos ainda tinhamos água mais que suficiente. E mais à frente marcado com tinta da organização no meio da estrada estava uma seta a apontar para o lado esquerdo e dizia "xixi". Aquilo foi tudo tão repentino e estávamos tão ocupados a rir-nos da seta no chão a dizer xixi que nos esquecemos completamente de tirar uma foto. 

Se inicialmente estávamos a apontar para as 4h ou mais de prova. Acabámos por fazer 3h45, apenas porque conseguimos recuperar algum tempo na descida porque a maioria das subidas só a passo. Nestas coisas já se sabe que o tempo é completamente secundário, o que conta é a experiência vivida, a companhia, as paisagens, o desafio.

No final ainda nos deram mais uma banana e uma garrafinha de tinto :) E era à escolha, podiamos escolher branco ou tinto. Simpático. 
Também tivemos direito a t-shirt que nos foi dada logo de inicio e não faltaram abastecimentos. O percurso estava bem sinalizado, havendo ou marcas na estrada ou fitas nos arbutos. Nunca nos enganámos.
Não tenho nada de negativo a apontar à organização. A minha prova correu muito bem. Mas pelo que sei parece que não correu tão bem a outros e esta pode bem de ter sido a primeira e última edição do Trail de Montejunto. Espero bem que não o seja pois gostei bastante. E se houve erros a organização terá de facto de os corrigir numa eventual próxima edição. Esperemos que tudo se resolva.

Os meus ténis portaram-se super bem. Em boa hora os fui comprar pois nesta prova com ténis de estrada...provavelmente tinha-me espalhado ao comprido várias vezes.

Para terminar quero agradecer ao Vitor pela boleia mas sobretudo pela companhia. Sempre na conversa e a trocar experiências a coisa faz-se muito melhor. E obrigada pelo corta-vento salva-vidas :)

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Tenho um dom para igualar recordes

Hoje às 7h e pouco lá fui eu com o padrinho João Lima treinar séries para o EUL. Estava fresquinho...mas não tão fresquinho como em Montejunto no domingo...

O treino fez-se super bem, nem demos pelo tempo a passar. No final decidimos novamente fazer os 400 m mais rápido. Por volta dos 100 m o João desistiu, por isso acho que podemos considerar que dei uma grande abada ao João =) Não? O joelho dele deu sinal e ele achou melhor parar, disse-me para eu continuar e eu assim o fiz. Desta vez dei uma volta à pista de forma mais equilibrada. Fui bastante regular ao longo dos 400 m, puxando mais apenas nos últimos 100 m. E o que dizia o cronómetro quando cruzei a linha da "meta"? 1m31s...Mas esse já era o meu recorde!!! É que desta vez não parei para comer melancia....Mas fiquei feliz na mesma, pois desta vez cheguei viva, da outra vez puxei demasiado. Senti mesmo que novo recorde aos 400 m anda por aí a pairar...O padrinho que tenha atenção ou ainda leva alguma abada... ;)

E agora para algo completamente diferente.
Amanhã irei estar aqui entre as 14h e as 18h com a Associação Focinhos & Bigodes. É uma feira solidária onde o custo da entrada (5€ se não estou em erro) e a venda de coisinhas reverterá para as diversas associações e instituições presentes. A F&B estará lá até domingo, dia 8. Apareçam! =)

Domingo vou a Montejunto provavelmente para a corrida mais fria da minha vida. Falamos na próxima semana se entretanto eu não tiver enregelado por lá...

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Em Monsanto com dois BT'Tistas... e mais um com o Spike

No passado domingo desloquei-me a Monsanto com a Carla e o Jaime para um treino de 16 km. Acabaram por ser cerca de 18,5 não muito meiguinhos km's.

Às sextas tenho ido sempre para o EUL com o João fazer treino de séries. Não têm havido abadas porque temos estado mais contidos. Na passada sexta-feira os amigos Nuno e Sandra juntaram-se também a nós numa manhã algo fresquinha e bastante chuvosa. Mas o treino fez-se e soube bem.

No domingo estava mais uma manhã algo fresquinha e juntei-me ao Jaime e à Carla para um treino. Mal sabia eu no que me ia meter...O Jaime e a Carla conhecem muito bem Monsanto. Mesmo muito bem! Vão para lá pedalar já há vários anos. Conhecem os carreirinhos todos. E para eles aquilo é quase peanuts. Mas eu queria fazer um treino de preparação para o Trail de Montejunto que é já no próximo domingo, por isso tinha que me sacrificar. Para além disso precisava de sujar mais um bocado os ténis novos ;)

O Jaime já tinha delineado o percurso todo. Não tinhamos GPS, não tinhamos nada que nos indicasse os km's, mas tinhamos a memória do Jaime que foi mais do que suficiente... Ele sabia o percurso todo de cor.
Começámos junto às hortas em frente ao Colombo, depois entrámos em Monsanto pela zona do Califa e ainda corremos por uma das zonas onde costumo treinar. Mas Monsanto é enorme e não tardou muito a estarmos a correr em sítios desconhecidos para mim. 

Sinceramente o meu cérebro já "apagou" algumas partes do treino. Só me lembro de subir, subir, subir, a Carla comentar que se eu quisesse apertar o pescoço a alguém, esse alguém seria o Jaime...Eu comentei que já o estava a fazer em pensamento. Comentei também que estava a ponderar não lhes dar uns docinhos que tinha feito e que carregava comigo na mochila...hihihi...

Fomos dar à prisão, altura em que comentei que ia esganar o Jaime e ficava já por ali....Vimos também uma ave de rapina, pareceu-nos um falcão. Comentei que se não ficasse na prisão, ficava com o falcão. Felizmente que a seguir era a descer, primeiro em alcatrão e depois já novamente em trilhos. Demos voltas e mais voltinhas, lembro-me de passar em vários sítios, no viaduto que passa por cima da A5, no anfiteatro Keil do Amaral, junto a um lago com patos, numa descida óptima para testar a tracção às duas rodas dos meus ténis, de vermos um rapaz a correr com um galgo, de subirmos novamente, de descermos novamente, de irmos por zonas enlameadas e de eu chegar à conclusão que os ténis tinham uma boa tracção às duas rodas :)

No final o Jaime informou-nos que fizemos um pouco mais que os 16 km previstos, comemos os docinhos, que coitados estavam um pouco amassados devido aos constantes saltos derivados da corrida, e tirámos a foto para a posteridade. 
Jaime, Carla e eu (não se deixem enganar pelo sorriso,
eu era a que estava mais partidinha)
Não encontrámos o zombie, mas também não andámos a correr nessa zona por isso não tenho ainda mais testemunhas da existência de um zombie em Monsanto =P

Hoje fui novamente correr com esse terror chamado Spike. Ele é mesmo esperto, já começa a perceber que só lhe coloco a coleira quando ele acalma. O problema é que ele senta-se, deixa-me pôr a coleira, mas depois falta prender a fivela. Ele levanta-se novamente, ladra, ladra, ladra para a porta. Esperto...Mas não é teimoso como eu. Eu sou teimosa e paciente. Por isso podes ser chato e estares a armar-te em teimoso mas não vamos sair deste canil enquanto não te acalmares e me deixares colocar-te coleira e trela em condições. Temos tempo. Eu espero...

Saímos. Ele tem muita energia por isso vai ali a alternar entre momentos de acalmia e momentos de loucura. 
Para mim ele vai a dizer-me "VAMOS CORRER, VAMOS CORRER!!!!" e eu sou a mazona que vai a impedi-lo de soltar o Bolt que há dentro dele. Alternamos entre caminhada a corrida. Nos momentos de corrida por vezes corremos demasiado depressa. Cheguei a fazer uma descida a uma velocidade quase vertiginosa porque o maluco vai a puxar-me feito louco. "Anda, anda! É mesmo bom correr!"

Cheguei à conclusão que ele é uma Maria vai com todas, ou antes um Spike vai com todas. 
Uns senhores andavam a fazer a sua caminhada e mais atrás vinha a cadelinha de um deles solta. Estão a ver o filme? Ela queria brincar com ele, ele queria brincar com ela, andavam ali nuns avanços e recuos sem nunca se tocarem. Parecia que estavam a jogar à apanhada. Depois ladravam um ao outro, ela desafiava-o, ele desafiava-a mas eventualmente ela virou-lhe as costas. "Au, au, au, au, oh porque me fazes isto? Não me deixes aqui a sofrer! Au, au, au, não te vás embora, au, au, au, au. Volta para mim! Au, au, au, au!" 
E foi isto. Tive que me sentar numa pedra a consolar o coraçãozinho partido do Spike. E ele ainda queria ir atrás dela! 

Mais à frente voltámos a sentar-nos noutra pedra porque ele ainda estava um pouco agitado e aproveitei para lhe tirar umas fotos.


Reparem como ele está sempre a olhar para o horizonte em busca da sua paixão.

Ele correu uma meia hora, eu corri 1h40 porque comecei o meu treino logo à saída de casa e depois voltei para casa outra vez a correr. Como não congelei logo nos primeiros minutos do treino é um mistério completo para mim...Estavam 6ºC. A diferença entre esta semana e a semana passada é notória. Na semana passada quando fui correr com o Spike ainda levei calções e t-shirt, esta semana fui de calças, t-shirt...mas por cima levava camisola de manga comprida. E ainda levei a minha fita "tapa-orelhas".
Para Montejunto não vou facilitar. Vai gorro, vai luvas, vai tudo, depois se não for preciso vai para dentro da mochila.

Boas corridas!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Eu e o Spike fomos estrear os meus novos ténis de trail...

Na semana passada finalmente fui comprar uns ténis mais adequados para trilhos e companhia.
Optei por ir à Pro Runner sabendo que aí teria pessoas experientes e bons profissionais que me poderiam ajudar na minha escolha.

Desloquei-me à loja numa quinta-feira e nesse dia a Adidas estava na loja a fazer testes da passada. Fui atendida por uma senhora muito simpática e prestável que me fez correr descalça para podermos ver o meu tipo de passada e verificar mais algumas coisas interessantes sobre os meus pés. O teste deu passada neutra o que eu já desconfiava, quando corro apoio o pé maioritariamente na parte central. Depois disse-lhe quais eram os meus ténis de corrida em estrada e pedi-lhe a sua opinião sobre uns ténis para trail que no fundo vão funcionar como estreia, pois apesar de já correr em Monsanto habitualmente e de já ter feito duas ou três provas em trilhos, a partir de agora é que me vou dedicar mais a sério aos chamados trails.
A senhora era da Adidas por isso claro que me mostrou uns ténis da Adidas. Após algumas explicações indicou-me uns que eram os que ela também usa. Claro que tive de experimentar e inclusive andei feita maluca a correr com eles pela loja, a subir e a descer escadas e a simular travagens. Isto foi-me tudo aconselhado por um senhor da Pro Runner (e que não era da Adidas) que também corre (óbvio...e não corre pouco...). Também elogiou os ténis. Expliquei-lhe as distâncias que por enquanto tinha em vista e até lhe falei no Monge e no Montejunto que são as mais próximas e ele continuou a referir que aqueles ténis cumpriam bastante bem com o seu papel. Portanto, após os ter experimentado e após ter ouvido a opinião da senhora da Adidas e a opinião do senhor da Pro Runner optei por comprar uns Adidas Response Trail. 
Depois de já os ter escolhido ainda tive não sei quanto tempo na conversa com o senhor da Pro Runner. Sobre o quê? Que raio de pergunta vocês me fazem...Corrida...Dahhhhhh =P

Aqui estão os bichos:

Tendo em conta que já estávamos muito perto do Monge, ele aconselhou-me a estreá-los primeiro em Monsanto. Mas já estou autorizada a correr com eles em Montejunto e aí é que vai ser giro ;)

Entretanto eu já andava cheia de saudades de voltar aos treinos com o Spike. Meteu-se o Verão, meteram-se os treinos para a maratona...desculpas...
Para quem não acompanhava o meu blogue antes do Verão ver aqui, aqui e aqui como foram os treinos que fiz com este ternurento e amoroso, ah enganei-me, chato e refilão cão =P
Na realidade ando cheia de vontade de fazer muitos treinos com o Spike e com outros canitos também, mas como tenho um carinho especial por este refilão ele tinha a primazia. E foi assim que ontem logo pela manhã me desloquei ao canil da F&B. Comigo levei a D. Quechua, taça para água e petiscos para o Spike.

Quando ele percebeu que íamos sair ficou louco. Ele já é louco e chato, mas é que não se calava mesmo. Só a ladrar, a ladrar, a ladrar. Muito pacientemente esperei que ele acalmasse um pouco, lá lhe coloquei a coleira e a trela e lá saímos para o nosso treino. Primeiro deixei-o cheirar umas ervas e fazer uns xixis, até porque precisávamos ambos de aquecer antes de desatarmos por ali a correr. 
O problema é que assim que dou uns ligeiros passinhos de corrida, ele entusiasma-se e dá logo um puxão querendo acelerar logo por ali fora. 
Se vocês nos vissem fartavam-se de rir. Eu a falar com ele, ele a acelerar feito maluco quando eu dou um passo ligeiramente mais rápido....deve ser mesmo lindo de se ver...

Até chegarmos a Monsanto não deu para perceber bem como os ténis se comportam, mas pelo menos não tinha razões de queixa. Chegados a Monsanto, eu gosto sempre de me meter com ele na subida, mas o safadito tem resistência. 
Bebemos água e continuámos a correr. Meti-me pelos trilhos de terra batida e algumas zonas com pedras para poder testar melhor os ténis e correu tudo bem. Passaram por nós dois atletas, um senhor a passear o cão e pouco mais. A certa altura andei um pouco perdida, só um pouco, e como não sabia bem como voltar ao Parque do Calhau meti-me numa descida algo pedregosa e enquanto descia pensei para mim "Agora é que vamos testar bem os ténis..."
Sabemos que uns ténis se adequam a "trail" quando vamos correr com um cão amalucado a puxar-nos pela ravina abaixo...ok tou a exagerar um bocado, não era nenhuma ravina mas era uma descida suficientemente acentuada para existir a possibilidade de eu me estatelar nela. Milagrosamente cheguei lá abaixo sem nenhuma queda e sem nada torcido, por isso para mim os ténis ficaram aprovados na hora! =)

Depois disto voltei a parar para dar água ao Spike, só que ele viu outro cão e ficou cego. Não sei se era cadela e aquilo foi paixão, não sei se era cão e aquilo foi um "quem manda aqui sou eu". O que sei é que ele começou a ladrar ao outro e não desviava os olhos dele. Lá se resignou e lá continuou a correr comigo. Se calhar separei dois apaixonados. Shame on me!

O treino durou quase 45 minutos, mas ele aguentava mais, eu é que não quero abusar e arriscar-me a puxar demasiado por ele. Prefiro que a coisa seja feita mais moderadamente.

De volta ao canil o Spike era quase um cão novo. Fiz-lhe umas festas, ele até estava meiguinho, pelo menos não estava chato só a rosnar e a ladrar como habitualmente. Correr faz maravilhas! Sejamos nós humanos ou cães!

Na próxima semana....novo treino com o Spike =)

Ele deu-me uma lambidela!!!
É pena já não ter apanhado esse momento tão raro.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Treino solidário Ajuda de Berço + Corrida do Monge

Perdoem-me a ausência, mas o tempo não tem sido muito.
Vamos então proceder à actualização dos relatos dos meus treinos.
Na semana passada fiz treinos relativamente curtos e sem grande história por isso vou passar directamente para o fim-de-semana.

No sábado desloquei-me pela segunda vez à ProRunner (a primeira foi na quinta para comprar uns ténis para trilhos =D, mas essa história fica para outro artigo). O João acompanhou-me a este treino solidário cuja inscrição era gratuita bastando apenas levar donativos que foram dados à Ajuda de Berço. 
Estava muito friozinho, mas uma manhã solarenga. Eu e o João inscrevemo-nos apenas no treino de 5 km, embora também houvesse um de 10 km, tendo em vista poupar-nos para o dia seguinte para o Monge. Para além disso as sextas agora são dias de séries por isso não queríamos abusar. Correr com o coração sim, mas sempre com cabeça :)

A Naide Gomes apadrinhou este treino. Treino esse que foi bastante completo, com aquecimento e alongamentos no final.

Foto de grupo com a Naide Gomes logo à frente em grande estilo
Os 4 ao km presentes =P
Primeiro partiu o grupo dos 10 km, depois partimos nós e depois partiu o grupo da caminhada.
Começámos o treino a um ritmo bastante aceitável, 6 e qualquer coisa min/km mas seria sempre a baixar até ao fim... O treino foi pelo Parque das Nações e eu e o João mantivemo-nos sempre perto dos dois elementos da organização que lideravam o treino. 


À medida que íamos acelerando de km para km o grupo foi-se partindo. Mas haviam elementos da ProRunner no meio e no fim do grupo por isso penso que não terá havido nenhum problema. Eu e o João fomos tentando manter-nos perto dos líderes do grupo embora estivesse a ser difícil pois o ritmo já ia em 5 e qualquer coisa. 
Foi então que a uns 500 ou 400 m do final os líderes do grupo viraram-se para trás e perguntaram se queriamos acelerar nos metros finais. Todos dissemos que sim. Quando eles arrancaram...senhores...eu disse que não me importava de acelerar, mas ligar o turbo??? Ora quem é que aguentou a pedalada? O João e mais outro senhor. Mais ninguém...Eu acelerei o que pude, tentando acompanhá-los e foi quando reparei que à minha frente não seguia nenhuma senhora... Eu era a primeira mulher do grupo! Epá! Eu sei que isto é só um treino mas ser a primeira mulher a chegar deixa qualquer mulher animada. E assim continuei a dar o meu melhor, sem conseguir correr tanto como os "turbos" João Lima e companhia, mas mesmo assim fui a primeira senhora a chegar à loja da Pro Runner =) E o João foi o primeiro juntamente com outro senhor. Quem é que se atreve agora a meter-se com os 4 ao km? =)

Depois do treino tivemos direito a uma banana a a uma garrafa de água, assim como a uma sessão de alongamentos e um sorteio de artigos. 
Quando estávamos a vir embora alguém chama por mim. Uma atleta de seu nome Fátima (espero não estar a enganar-me), minha leitora. Gostei muito de falar com ela, no domingo ia à Corrida dos Palácios em Mafra, espero que se tenha divertido Fátima :)

Foi uma manhã muito bem passada.

No dia seguinte fui à Corrida do Monge. Ah o Monge. Foi a minha primeira prova em trilhos e claro que há um grande carinho por ela. Desta vez fui com o João que se ia estrear nesta prova e acabámos por acompanhar também a Marta. Padrinhos juntam-se novamente à afilhada =)

Padrinho babado com as suas duas afilhadas.
Minha mãe (que foi à caminhada), eu, João, Marta, mãe e pai da Marta
E claro que não podia faltar a Mafalda =)
O Monge começa a subir. Por muito que goste de subidas, não gosto de começar um treino ou corrida logo com subidas. Os gémeos ressentiram-se, mas a verdade é que na segunda parte da prova eu já me sentia mais embalada e sentia que podia ter continuado a correr/caminhar por vários km's. 
Não vou fazer um relato tão extenso como o do ano passado, que podem ler aqui. Vou apenas dizer que ainda fiz esta prova com os meus ténis de estrada por aconselhamento de especialista. Apesar de ter dado vários jeitos aos pés e de ter escorregado algumas vezes, não caí nem torci nada. Por mais que uma vez estava a ver que o João se espalhava ao comprido, mas a verdade é que estes três atletas se aguentaram muito bem por entre raízes, pedras, folhas, terra e areia :)

E que tal irem correr, não? =P
E foi assim que por entre fotografias, gargalhadas, rosnadelas, caminhada e corrida passámos duas óptimas horas.
N'A subida...
Ainda brinquei um bocadinho com eles, dizendo-lhes que daí a pouco íamos chegar a uma autêntica parede. Quando chegámos ao fim dela, eles pensaram que tinha acabado....mas ainda havia mais...ahahah

Na descida final embalei um bocado (já com o pensamento no pãozinho com chouriço que nos dão) mas esperei pelos meus companheiros.
E foi assim que chegámos à meta.


E depois tivemos uma maravilhosa notícia. 
O colega de equipa Carlos brilhou em Istambul. Foi apenas a sua 2ª maratona mas fez 3h15! E sabem em que lugar ficou? 149º da geral....de entre 2799 atletas!!! Foi 6º no seu escalão. E foi SÓ o melhor português em prova...GRANDE CARLOS! Está de parabéns por todo o seu trabalho e dedicação. É um orgulho para os 4 ao km! Grande atleta!


Entretanto hoje fui testar os meus ténis novos em Monsanto. Sabemos que uns ténis de trail são bons quando os testamos numa descida...com alguém a puxar-nos a alta velocidade...alguém de seu nome.... Spike :) Mas isso fica para outro artigo.

Boas corridas!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Meia Maratona da Nazaré ou quando rosnei à mãe

No passado domingo foi dia de mais uma prova. Uma maravilhosa prova. Acho que nunca tinha feito uma prova tão na galhofa como fiz esta.

Fui até à Nazaré com o João e lá encontrámo-nos com o Nuno e a Sandra. Se por volta das 10h parecia estar fresquinho, às 11h, hora da partida, estava um calorzinho como já não se via há algumas semanas. Aqueci com o João pois perdemo-nos do Nuno e da Sandra, mas encontrámos a melhor maratonista de sempre, Rosa Mota como é óbvio. Eu não sou nada destas coisas, mas pedi ao João para me tirar uma fotografia com essa grande senhora do atletismo português e mundial. Ela foi muito simpática, eu apenas lhe consegui dizer "Gosto muito de si", ela disse-me algumas palavras mas como eu estava meia atordoada por estar ao lado desta grande mulher nem retive o que me disse. Apenas sei que me disse palavras muito amáveis.


Depois deste momento que deixa qualquer pessoa bem-disposta, seguimos para a partida. Partida essa que foi dada pela Rosa Mota e pelo Garrett McNamara, embora eu não o tenha visto, soube mais tarde disto.
Enquanto estávamos à espera que fosse dada a partida conheci pessoalmente o Joaquim Costa, no final haveríamos de voltar a encontrar-nos.
Os primeiros km's são uma volta dentro da Nazaré, primeiro pela marginal e depois viramos para dentro, voltando à vila onde temos imenso apoio das pessoas. Vou acelerar o relato desta fase pois apesar de termos tido bastante apoio e ainda ter dado uns quantos hi-5's em mãos de miúdos, houve algo que marcou pela negativa esses primeiros km's. Começa por c e acaba em elas. Não fiquei contente com a volta destas dores pois pensava já ter-me visto livres delas. Mas sou eu, a Isa. Rosnei. Literalmente. Fartei-me de rosnar e dizer "vocês não são mais teimosas que eu". Felizmente que o João ia a correr ao meu lado, senão os outros atletas haveriam de pensar bem de mim...a rosnar e a falar sozinha...
Já conheço estas dores, já sei que acabam por passar, por isso era uma questão de me ir arrastando até elas passarem. O João aproveitou para brincar com a situação, dizendo que aquelas rosnadelas todas só poderiam significar que eu tinha sido atacada pelo zombie...Ahahahahahah....E com esta história das rosnadelas e da zombie Isa lá fomos entretidos. E quando as dores passaram entretidos continuámos =)
Continuei a rosnar mas agora já na brincadeira, fingindo que ia atacar o João a qualquer momento. O João de vez em quando afastava-se um pouco, fingindo-se assustado (se calhar estava genuinamente assustado...hihihihi....).

A partir daqui fomos numa galhofa que só visto. Eram as rosnadelas, era a zombie Isa, era a senhora que dizia o tempo quando as pessoas passavam e eu toda bem-disposta virei-me para os atletas que já vinham em sentido contrário, já no km 15 e nós para aí no 10, e disse completamente no gozo "1h e ??? (já não me lembro)!!!???!!! Somos muita bons!!!!" Hehehe, tem de ser este o espírito. Sempre na brincadeira.

Já há algum tempo que não corria uma prova do ínicio ao fim com o João. Apesar do calor que se fez sentir e que causou algum cansaço, a partir do retorno começámos a pescaria. Não de peixes, mas de atletas ;) Nem íamos a acelerar por aí além mas ainda tinhamos alguma energia que já faltava a alguns atletas. Começaram por serem só 4. Eu virei-me para o João e disse "Vamos ultrapassar aqueles 2, depois aqueles 2 e depois aquele de azul. E assim foi. Depois foi a vez do João dizer quem iamos ultrapassar a seguir. E foi assim que desde o retorno até ao final da prova fomos apenas ultrapassados por 1 atleta e ultrapassámos dezenas deles. Sempre na galhofa, sempre com ameaças de ataque da zombie Isa =) 
E assim chegámos ao final de mais uma meia. Em festa.

Isa está a dançar? Ou estará a esticar o braço para
agarrar João Lima?....
Eles andem aí.....
É só festa.
Demorámos 2h15 a completar esta meia, a minha segunda mais lenta de sempre, mas foi uma galhofa que só visto =)

No final reencontrámos o Joaquim e a Natércia. 
Foto para mais tarde recordar.
Neste dia haviam mais provas, pelo menos duas que eu também gostava de ter ido. Trilhos dos Casaínhos, Corrida das Castanhas. Mas duvido muito que alguma dessas provas tenha dado algo tão bom no final da corrida como nos deram na Nazaré. Uma broa de mel....bem...não vos conto porque só provando. Delicious!

Depois de um banhinho tomado no quartel dos bombeiros fui almoçar com os amigos João, Sandra e Nuno. E depois fomos ver as famosas ondas da Praia do Norte. Eu aproveitei para surfar umas ondas....hehehehehehehehehe...tou a brincar, mas houve quem acreditasse durante várias horas que eu tinha levado uma prancha e que ia mesmo surfar aquelas ondas...hihihihi

Confesso que estava à espera de ondas maiores, mas já se sabe que cada dia é um dia. 
Uma autêntica romaria ao farol e à praia do Norte só para ver as ondas. Confesso que estava mais encantada com o pôr do sol.





Eu com 3 grandes amigos.
Obrigada pelo excelente dia!