A semana passada não foi grande coisa. Em termos pessoais o que acabou por afectar também a corrida. Mesmo assim esforcei-me e fui correr quarta e sexta. Dois treinos sem grande prazer, dois treinos sem grandes momentos. Quando cheguei a domingo, ao dia da Corrida do Aeroporto estava a ver a minha vida negra. Não me apetecia correr. Não me apetecia estar ali no meio daquela confusão. Não estava com grande vontade. E depois ouvi as habituais bocas quanto à t-shirt da equipa. Eu sou uma pessoa muito pacata, muito pacífica mas se não estou nos meus dias a tampa pode saltar-me. A Isa amorosa e querida desaparece para dar lugar a uma Isa prestes a passar-se. Ainda nem estou na corrida, ainda vou na Quinta das Conchas a caminho da corrida e já vou a ouvir uns atletas a meterem-se comigo por causa da t-shirt que diz "Eu corro NOS 4 ao km", não diz "Eu corro a 4 ao km"!!!! Primeiro respondi na brincadeira, mas depois eles seguiram e continuavam a comentar que os atletas dos 4 ao km não corriam a 4 ao km...Ui....não se metam com uma mulher que não está nos seus dias...
Não gritei, mas num tom de voz um pouco mais alto disse-lhes que na t-shirt não dizia que corriamos a 4 ao km!!!Dizia que corriamos NOS 4 ao km!!! Eles não ligaram e ainda bem porque como eu estava irritada aquilo podia ter descambado para uma troca de palavras menos bonita. Quem me conhece sabe que eu não sou assim, mas não tenho andado muito bem e as bocas parvas não ajudam.
Quando cheguei ao pé do João, Sandra e Nuno não estava muito bem-disposta. Melhorei um bocado depois da corrida mas a Sandra disse, e com toda a razão, que eu estava muito refilona.
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Epá...esta foto que o Nuno me tirou capta na perfeição o meu estado. Vejam só o meu ar de "Despacha-te lá com isso que eu hoje estou refilona." |
A maratona foi há apenas 2 semanas, tinha planeado fazer esta corrida acima da hora. Só corri duas vezes durante a semana e esses treinos não foram grande coisa. Não valia a pena estar a forçar apenas 2 semanas depois de completar os 42 km.
Desejei uma boa prova à Sandra e ao João. Pelo caminho encontrei a Marta Andrade e o Gil. E dirigi-me para a zona da partida, ficando mais atrás do João e da Sandra que tinham melhores planos que eu para esta prova. Eu nem sabia se conseguiria terminar tal era a minha vontadinha...
E eis que começou a prova.
Logo nos primeiros metros novos atletas armados em campeões. Relembro que parti do meio do pelotão juntamente com mais pessoas. Cada um à sua velocidade. Nem muito rápidos, nem muito lentos, daí partirmos do meio do pelotão. Então passam por mim uns gaijos. Um deles comenta com o outro "Vamos embora que esta gente não vem para aqui correr." Apetece-me pregar-lhe uma rasteira mas controlo-me. O "atleta" ia a empurrar tudo e todos porque segundo ele as outras pessoas não iam a correr... Até o amigo dele lhe disse para ter calma e que a corrida ainda agora tinha começado...tinham ainda muito tempo para acelerar.
Para mim correr não é fazer tempos. Correr é alegria, amizade, respeito, companheirismo, felicidade, algum sofrimento. Correr não é insultar os outros, gozar com os outros ou empurrar os outros. Correr é sorrir para os outros, é pedir desculpa quando sem querer os empurrarmos ou pisamos.
Agora se há pessoas que acham que correm muito e que correr é só fazer tempos e os outros que se lixem, bom para eles. Façam bom proveito. Mas tratem os outros com respeito.
Se eu já não gostava das ditas provas mais comerciais, agora passei a gostar ainda menos. E começo a achar, não querendo mesmo assim generalizar, que quanto mais para a frente do pelotão pior. Menos companheirismo, mais empurrões, menos sorrisos, mais preocupação com o tempo que se vai fazer.
E é assim que tomo a decisão que daqui para a frente provas deste género serão escassas para mim.
Para mim quanto mais espaço entre atletas durante uma corrida melhor. Quanto mais companheirismo, sorrisos e respeito melhor.
10 km agora em principio só dia 31 de Dezembro na S.Silvestre da Amadora.
Continuando então com o relato da prova de cujo percurso gostei e cujos abastecimentos não falharam (que eu tenha dado por isso) e que no geral estava bem organizada.
Começamos com uma subida que segundo o João era a única de relevância durante a prova...Hanhan..claro que sim...Depois damos uma volta pela zona, sou ultrapassada por um atleta que vem falar comigo e que me dá os parabéns pela maratona. Agradeço e fico mais bem-disposta. Ao longo da prova houve mais pessoas a gritar por mim e a dar-me os parabéns pela maratona. Não reconheci a maior parte delas. Mas calculo que sejam leitores deste blogue. A eles muito obrigada. Ontem não estava nos meus melhores dias, mas acreditem que a vossa força e os vossos sorrisos me deixaram mais feliz e bem-disposta.
Seguimos até à Pista do Professor Moniz Pereira o que achei uma ideia interessante e gostei de correr num piso diferente para variar. Aqui já ia perto do João, talvez a uns 50 m, ao longo dos 3 primeiros km's fui ganhando velocidade e como conseguia ver o boné dele fui tentando aproximar-me dele e apanhá-lo. Mas depois da pista entrávamos num jardim para darmos a volta a um lago e a certa altura passávamos em cima duma ponte de madeira. Devido à grande afluência de atletas a esta prova era quase impossível fazer ultrapassagens por isso deixei-me ir e acabei por desistir da ideia de apanhar o João. Ainda há 2 semanas corri a maratona, é melhor não me meter com avarias.
Quando cheguei aos 5 km havia abastecimento. Aproveitei para me molhar e para beber água. Estava nublado e nem estava muito calor mas ao mesmo tempo parecia um bocado abafado.
Continuei a correr e aos poucos comecei a sentir-me mesmo bem por estar a correr. Havia uma descida e depois entrada no Parque das Conchas onde não havia subidas nenhumas...
Só tenho a dizer que acho que nunca vi tanta gente a andar numa corrida de 10 km. Quando chegou tudo aquela zona de trilhos na Quinta das Conchas, aquelas belas subidas...era vê-los quase todos a andar. Mas esta prova só tinha uma subida digna desse nome no inicio dizia o João... =P
Comecei a ultrapassar algumas pessoas. Iam a andar e eu ainda conseguia correr. E então subidas assim mais técnicas do que a simples subida no alcatrão. Assim é que sabe bem. Estava mais feliz. Cruzei-me com a Mafalda por duas vezes.
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Lá segue a amarelinha. Foto tirada pela Mafalda. |
Andámos num sobe e desce dentro da Quinta das Conchas. Comentei com outra rapariga que um amigo meu me tinha dito que esta prova não tinha grandes subidas...Tinha sido bem enganada...
A certa altura parei uns segundos num chafariz só para encher um pouco da minha garrafa que já ia vazia.
Finalmente lá saímos do parque e já estávamos no km 9. Mais subida agora já em alcatrão e depois sempre a descer até à meta. Talvez até conseguisse fazer abaixo da hora. Já que ainda havia essa possibilidade lá alarguei a passada e cheguei com 59m33s. Nada mau tendo em conta que há 2 semanas atrás corri o que corri.
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| Com o meu companheiro João que me enganou bem enganada =P |
Em defesa do João tenho que dizer que ele não se lembrava da parte dentro da Quinta das Conchas e não se lembrava mesmo que esta corrida não era assim tão plana como isso.
Eu pessoalmente achei das corridas de 10 km mais difíceis que já fiz. E também foi a corrida de 10 km em que vi mais gente a andar. Não me parece uma boa corrida para quem esteja à procura de recordes. Tem algumas zonas estreitas difíceis para ultrapassar, tem alguma confusão e depois tem várias subidas quer em alcatrão quer em terra batida.
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No final a habitual foto-convívio: João, Nuno, eu, Sandra, Orlando, Catita e Gil |
Achei que no geral a organização esteve bastante bem. Não notei falhas. As únicas falhas que notei foram falhas dos atletas para com outros atletas. E isso não é desportivismo. Eu também gosto de pensar em tempos, eu também tenho objectivos, eu também fico feliz e orgulhosa quando consigo bater um recorde pessoal mas não é por isso que ando para aí a empurrar outros atletas ou a mandar-lhes bocas. Principalmente quando tenho plena noção que muitas vezes aqueles que correm a velocidades mais lentas são precisamente aqueles que vão em maior esforço e a quem a corrida vai a custar mais. Basta olharmos para as caras de alguns atletas que chegam alguns bons minutos atrás de nós. Alguns vêm em grande sofrimento. Não andaram a passear a ver as vistas. Estiveram a correr! Todos merecem o nosso respeito. Até o último a chegar. Principalmente o último! É precisa muita determinação, muita vontade para se ir em último, ir ali muitas vezes isolado e com uma ambulância colada aos calcanhares, mas mesmo assim continuar a correr! E para mim é muito mais atleta o último a chegar do que muitos que fazem bons tempos mas que não têm qualquer respeito pelo próximo. E tenho dito.
Venham os 20 km de Almeirim de preferência com mais respeito, mais companheirismo e amizade.