quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Enfrentando a minha "amiga" subida do Memorial Francisco Lázaro

Ontem à tarde saí para a rua para mais uma corrida. Não tinha objectivos de tempo, nem distância. Aliás, nem sequer levei o relógio. Foi mesmo de propósito para me sentir mais livre. Só tinha um objectivo e tudo devido à prova que fiz no domingo: "Fim da Europa". 
Gostei tanto das subidas (vamos lá ver se isto não é só uma paixão passageira ou se é o princípio de um grande amor...) que decidi que o meu treino de ontem teria apenas um objectivo: fazer a "subida do Memorial Francisco Lázaro" sempre a correr.
Se bem se lembram, o Memorial Francisco Lázaro foi a minha segunda corrida de 10km e a primeira que descrevi aqui no blogue. Tenho-lhe um carinho especial, pois foram os vários acontecimentos desta prova (positivos e negativos) que me levaram a criar este blogue.
Na altura foi para mim quase um suplicio correr numa determinada subida. Para quem esteve presente, estou a falar da última subida da ciclovia paralela à Radial de Benfica. Ao inicio é uma subida quase imperceptível, mas a certa altura tem uma certa inclinação. O que mais me custou foi a subida nunca mais acabar. Não é daquelas subidas que acabam em poucos segundos. Pode não ser das mais inclinadas, mas claramente não é das mais curtas. 
Desde o dia da prova já enfrentei novamente essa subida nalguns treinos, mas de há uns tempos para cá que já não ia lá e depois do desafio das subidas do GP Fim da Europa decidi enfrentar novamente a minha "amiga".

Dirigi-me a Monsanto e quando lá cheguei pude observar que várias árvores continuam no chão, assim como os cabos. Portanto, limpezas zero. Virei à esquerda, vi que iam dois homens a correr um pouco à frente. Daí a nada iriam a correr bastante à minha frente. Um senhor cruzou-se comigo e cumprimentou-me. Já tinha saudades disto. Quando corro pelas ruas, não só não há quase ninguém a correr, como ninguém cumprimenta ninguém. Em Monsanto vive-se um espírito diferente. 
Mais à frente voltei a virar à esquerda, já a entrar na ciclovia.
Para ser sincera não me sentia nos meus dias. Mas o objectivo tinha de ser cumprido. 
Devagarinho lá fui eu. Havia algum vento de frente, mas também não era impeditivo. As pernas é que já se iam a queixar. Mais devagarinho ainda lá "subimos" a rampa e "chegámos" ao topo muito cansadas. Tivemos de andar um bocadinho já em zona plana para recuperar, mas o sentimento era de dever cumprido. Voltei outra vez para dentro de Monsanto e aqui até haviam árvores caídas atravessadas no caminho. Depois há uma descida e nesta altura comecei a ouvir passos atrás de mim. Era outra vez o senhor que me tinha cumprimentado há pouco. Desta vez disse qualquer coisa sobre correr fazer bem à saúde. Não percebi muito bem e acho que ele tinha ali algum sotaque, talvez brasileiro. Sorri. Depois voltei para casa.

Uma coisa eu sei, quero dedicar-me mais às subidas. Com o passar do tempo veremos se isto é uma coisa passageira ou se é uma paixão para ficar.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

GP Fim da Europa

Sem dúvida que há provas que nos marcam mais do que outras. Esta é uma delas.
Uma pessoa tanto ouve falar e tão bem ouve falar que as expectativas ficam bem altas. No meu caso as expectativas foram correspondidas e passei uma óptima experiência.

Antes da prova estava a chover, mas com o aproximar da hora de partida a chuva parou. Tempo para tirar uma foto com 4 dos 5 membros dos "4 ao km" que participaram nesta belíssima prova.


Fizemos um pequeno aquecimento no qual encontrei algumas pessoas conhecidas e dirigimo-nos para a partida. 
Eu não tinha grandes expectativas em relação à minha performance nesta prova. Com tanta subida, eu estava preparada mentalmente para andar sempre que necessário. O importante era desfrutar da corrida sem grandes stresses.
Esta prova começa em grande, logo a subir e não subimos pouco...Deixei-me ir nas calmas e sem pressas ao lado da Rute e do João. A subida custou e não custou pouco, mas lá me fui aguentando devagarinho, embora mentalmente estivesse a pensar "vamos ver até quando vou aguentar sem parar", mas curiosamente consegui superar a primeira grande subida e passados 3 a 4 km veio uma zona plana. O paraíso. Depois de termos subido aquilo tudo pensei para comigo que aquilo era canja. Não foi canja, mas foi pacífico.
Durante a subida tirei algumas fotos:
As árvores caídas foram uma constante ao longo de quase todo o percurso.

Aqui já se começa a notar o nevoeiro.
Quando chegámos ao cimo da serra começou a notar-se um nevoeiro que, à medida que avançávamos, se ia adensando. Como consequência não tivemos grandes vistas deslumbrantes, mas em compensação tivemos uma atmosfera mais misteriosa e mística, própria de uma serra.



Corremos, corremos, a certa altura até se juntou a nós outro atleta que perguntou se podia juntar-se à "boleia". Não retive o seu nome, mas acabou por fazer grande parte da prova sempre junto de nós. Simpático, trocou breves palavras, mas na maior parte do tempo em silêncio. E nós também.
A certa altura o João disse que a última subida, a tal do km 10, era ao virar da esquina, por isso preparei-me, mais uma vez, para o pior. Às vezes falam-nos tanto de uma coisa que ganhamos mesmo respeitinho por essa coisa e na nossa mente essa coisa é mesmo horrível. O raio da subida não era mesmo nada fácil, mas tinha imaginado uma autêntica parede e afinal não era uma subida assim tão feia. Aliás, era bem bonita, em plena serra de Sintra. 
Eu gosto de desafios e gosto de superar esses desafios. Meti na cabeça que ia tentar fazer a subida a correr. Muito devagarinho lá fui eu. A passar por alguns atletas que iam a andar e que mais tarde me viriam a ultrapassar na descida, a respiração já ia pesada, mas ia controlada e portanto continuei até ao topo. Depois era sempre a descer. Tanto tempo a descer que eu já estava farta de descidas. Começo a perceber quando alguns de vocês dizem que preferem subidas a descidas. Por alguma razão maluca eu até gostei das subidas desta prova. Não gostei do sofrimento, gostei do desafio. Já as descidas, quem é que não gosta de descer um bocadinho depois de ter subido? Mas uma descida interminável de cerca de 6 km também é demais!

Lindo, lindo, lindo!
O nevoeiro começou a dissipar-se e entrámos na descida para o Cabo da Roca, onde estaria a meta.


Algures durante esta descida começou a dar-me uma ligeira dor na planta do pé esquerdo. Não era bem uma dor, era um incómodo que sentia sempre que o pé tocava no chão. Como não era nada de doloroso, continuei por ali abaixo sempre com a Rute, João e o nosso companheiro. Só em casa vim a descobrir que o meu "incómodo" era uma bela bolha. Não me lembrei que podia ser uma bolha, pela simples razão que nunca tinha tido uma bolha na planta do pé.

Estávamos a aproximar-nos da meta.


Uma bela recta rodeada de verde e ao fundo já se via o pórtico. Cerca de 1h52m depois de partirmos chegámos ao Cabo da Roca. Adorei esta prova e a organização esteve 5*. Dois abastecimentos durante a prova e mais um no final. Bebidas energéticas e bananas no final. E devido ao temporal da semana passada a prova esteve em risco de não se realizar, apenas se realizou devido a uma incansável equipa que trabalhou para limpar a bela serra de Sintra e para que nós atletas pudéssemos usufruir desta experiência maravilhosa.
A eles um muito obrigado!

Para o ano quero estar novamente presente nesta belíssima prova.

Boa semana e boas corridas!

sábado, 26 de janeiro de 2013

3 treinos com Fim da Europa "à porta"

Após duas ou três semanas em que os treinos foram poucos, esta semana voltei à "normalidade". 
Terça-feira corri 45 minutos no ginásio, portanto nada de especial a relatar. Mas na quarta-feira tive um treino como já não tinha há muito tempo. Uma hora de puro prazer e à chuva.
Saí de casa e estava apenas a chuviscar. Segui em direcção a Carnide para fazer algumas subidas e depois voltei em direcção ao Colombo. Por esta altura começou a chover bem. Só vos digo que me soube tão bem! Também estava algum vento e lembro-me de a determinada altura ir de frente para o vento e a levar com a água na cara e no corpo todo. Os transeuntes que iam na rua olhavam para mim com uma cara que mostrava claramente que me achavam maluca. Mas eu não quis saber. Ia num daqueles momentos mágicos em que nada nem ninguém nos consegue estragar o momento, correr à chuva. Sentia-me bem e corri bem. Haja mais treinos assim.

Ontem saí de casa um pouco mais cedo que o habitual e decidi ir a Monsanto. Mas se a corrida de quarta correu muito bem, já não se pode dizer o mesmo da de ontem. Não que tenha corrido mal. Também corri 1h e ainda dei uma bela volta, mas não me sentia tão leve, tão livre como senti na quarta. Chegada a Monsanto fiquei um pouco chocada. Sim, eu sei que o temporal da semana passada fez bastantes estragos e eu bem vi isso pelas ruas de Benfica, mas não estava preparada para o que vi em Monsanto. Árvores caídas, ramos por todo o lado, os fios de electricidade quase a rasar o chão. Tirei algumas fotos com o telemóvel mas, não sei bem o que aconteceu, o telemóvel só gravou uma. Fica aqui uma pequena amostra do que vi:

Estava também alguma lama e já sujei um pouco os ténis novos, mas é para isso que eles servem, não é?
Decidi ir até ao Parque do Calhau, também em Monsanto, mas do lado de Sete Rios. Lá não estava tão mau como do "meu" lado pois provavelmente como essa zona é mais usada já fizeram a maior parte das limpezas.
Dei uma pequena volta por lá e voltei à minha zona, seguindo depois para casa.

Amanhã é dia do GP Fim da Europa. Estou ansiosa e entusiasmada, pois toda a gente fala tão bem daquela prova e ao mesmo tempo da sua dureza devido à subida interminável da Serra de Sintra. Estou curiosa para ver como me vou sair, mas não tenho ilusões. Sei que é muito difiil fazer entre 6 a 10km em subida sempre a correr. Vou mesmo para desfrutar, sofrer um bocadinho provavelmente, mas no fim chegar bem e feliz.
Adoro aquela zona e poder desfrutar da beleza da Serra de Sintra enquanto corro é algo de fenomenal.

Bom fim-de-semana!


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

"Je vais faire mon jogging" ou um treino em Paris

Fui completamente apanhada de surpresa quando pouco mais de 1 semana antes da minha mãe fazer anos, ela se vira para mim e diz que este ano não quer passar o aniversário em Lisboa. Pergunto-lhe onde está a pensar ir, pensando que ela me vai responder sei lá Sintra, Coimbra, Serra da Estrela, mas ela responde-me "PARIS!"

Paris???!!!???!!!??

Toca a fazer preparativos e malas. Se há uma cidade que eu sempre quis conhecer essa cidade é Londres. Felizmente que há cerca de 2 anos tive o prazer de lá ir. E correspondeu às minhas expectativas. Adorei Londres! Paris nunca me puxou muito. Quem diria que também iria adorar Paris?

Dois dias depois de ver um filme sobre um piloto alcoólico a aterrar um avião...levantei voo da Portela no "Humberto Delgado". Para quem não sabe, ou nunca reparou, os aviões (não sei se de todas as companhias) costumam ter nomes. Eu adoro andar de avião, por isso não é um filmezinho que me vai deixar com medo, mas saber que vou no "Humberto Delgado" deu-me mais confiança.
Quando aterrámos em Paris até me virei para a minha mãe e disse "Só isto? Bem, que podíamos ter tido um bocadinho de mais turbulência". Se estão a pensar que estou a gozar, não estou. Um bocadinho de turbulência tem mais piada." Pronto, é oficial, sou mesmo maluca! =)

Já tinha planeado tudo para a viagem e inclui na mala equipamento de corrida =)
Mas apesar de termos visto o boletim meteorológico, ver é uma coisa e sentir é outra, por isso vou tentar descrever-vos o tempo que apanhei em Paris. E o pior dia foi mesmo o primeiro, porque estava um vento GELADO! Todos os dias a temperatura rondou sempre os -5ºC a 2ºC, mas no primeiro dia estava vento e passei a tarde mais fria de toda a minha existência, apesar de já ter estado mais a norte no globo. Estava tanto frio, mas tanto frio que apesar de eu ter dois pares de meias, collants, calças de bombazine, duas camisolas grossas, casaco, luvas, cachecol e gorro, passei imenso frio na mesma. Esse primeiro dia serviu mais para passearmos nas ruas e só vos posso dizer que cada vez que eu via uma loja (até algumas nos Champs Elysées! tipo Adidas que mesmo a metade do preço é cara) arrastava a minha mãe lá para dentro só para ver se aquecia. Podíamos estar 10 minutos dentro duma loja como tivemos dentro duma livraria e eu aquecia todo o corpo excepto os pés que continuavam gelados como nunca os tivera antes.

Isto só para vos dar o panorama de como viria a ser o meu treino em Paris.
Planeei o meu treino para quinta de manhã, precisamente há 8 dias atrás. Mas no dia anterior cheguei à conclusão que a não ser que quisesse morrer congelada era aconselhável comprar mais alguma coisa para vestir no treino. Foi assim que comprei na Decathlon um casaco e uma fita para o cabelo de modo a tapar as orelhas. Se dúvidas houvessem bastava ver como os parisienses corriam, todos tapados e com gorros na cabeça, tirando só um ou dois malucos que vi a correrem de calções, mas estes só podiam mesmo ser malucos.

Quinta-feira de manhã, dia de anos da minha mãe.

No dia anterior já lhe tinha dito para ficar sossegadinha a dormir quando eu saísse  mas para depois estar atenta à porta quando eu voltasse cerca de meia hora depois. Teve de ser assim, eu ia correr de madrugada num sítio que não conhecia. Tive de dizer à minha mãe para contar comigo cerca de meia hora depois.
Foi mesmo só um treino para eu poder dizer que corri em Paris.

Cerca das 7 da manhã, saí do quarto de hotel vestida com duas camadas de roupa, tapa orelhas e luvas! Chego à porta do hotel e esta está fechada no trinco. Oh não, não posso sair para a rua! Felizmente os senhores devem ter ouvido barulho no hall de entrada e foram lá abrir a porta. A senhora da recepção olhou para mim e eu disse-lhe "Je vais faire mon jogging", ela sorriu e fez-me sinal que estava muito frio, mas depois fez-me o sinal de "fixe" com o polegar. Entendi como um incentivo "vá, vai lá correr ao frio que só te faz é bem". E portanto fui. Ainda era de noite, mas já haviam algumas pessoas nas ruas a abrir os cafés e assim. 
No dia anterior eu tinha olhado bem para o mapa e escrito num papel o trajecto com as ruas que deveria seguir para chegar a um parque que ficava perto do hotel, o Parc Monceau. Sou ou não sou organizada? Levei o papel comigo, mas o parque era perto. À medida que me aproximava é que comecei a aperceber-me duma pequena falha no meu plano. Mas eu estaria doida? Ainda estava de noite. Uma coisa era correr nas ruas já algo movimentadas, outra coisa era correr dentro dum parque escuro. E se calhar nem estava aberto. Decidi ir só cuscar a entrada, mas quando me aproximei comecei a ver algo através do gradeamento...Eram pessoas...a correr! Várias pessoas. Quando cheguei ao portão ia mais outra pessoa a entrar comigo e dentro do parque estavam várias pessoas a correr, incluindo mulheres. Avaliei rapidamente a situação e decidi que era seguro entrar no parque. 
Haviam de ver o pessoal a correr, iam todos tão certinhos, uns atrás dos outros e todos a seguirem pelo mesmo percurso, à volta do parque, nunca pelo meio, que juro que por momentos pensei que se tratasse de uma prova. Meti-me entre eles, ia a correr atrás de uma senhora que aos poucos foi-me ganhando terreno.Depois fui ultrapassada por um senhor. Caramba, eles correm bem!(se calhar era mesmo uma prova) Ultrapassei outra senhora, mas não conta porque ela ia a caminhar. Basicamente, e não me perguntem porquê, eles só corriam à volta do parque e nunca iam pelo meio. Curiosamente à volta não havia muita luz, por isso eu nem via onde punha os pés e no meio é que havia vários candeeiros. Mas como eles só corriam à volta achei mais seguro correr onde havia várias pessoas do que correr onde havia luz. A única explicação que encontro para eles só correrem pelo perímetro do parque é fazerem uma maior distância. Mas foi mesmo super estranho, porque dei uma volta ao parque e na segunda volta decidi virar em direcção ao meio para depois ir-me embora e senti que estava a cometer uma grande infracção. Quem ousa deixar a "fila"? Quem ousa violar as regras e seguir pelo meio do parque? A portuguesa... 

Voltei para o hotel e tomei um belo duche quentinho. Durante o treino não tive muito frio, até transpirei, mas relembro que eu ia toda tapada e com duas camadas de roupa!

Pronto, e foi isto o meu treino em Paris. Pequenino, mas interessante e...estranho. 

No dia seguinte fui lá ao parque para o ver de dia e podem ver aqui umas fotos.

Estação de metro de Monceau, à porta de uma
das entradas do Parc Monceau
Um lago com alguns patos.
Embora não se vejam eles estavam lá a queixar-se do frio
Uma simulaçãozinha para vocês me imaginarem a correr em Paris =P
Aqui estou mesmo a correr, mas também foi só para a foto.
E estou a correr pelo meio! Que afronta! Prendam-me já!
Ahah! Aqui é que se pode correr! Lá vão eles lá ao fundo.
E até vai lá um doido a correr de calções!
No dia do treino à tarde fui passear com a minha mãe a um parque bem maior e já um pouco afastado do centro da cidade. Chama-se Bois de Boulogne e se eu vivesse em Paris era o sítio onde eu gostaria de ir correr. É um parque/bosque e é enorme e lindo.

Palavras para quê?
Até tirei as luvas para tocar na neve de tão feliz fiquei por ver tanta neve,
pois não se via tanta no centro da cidade



Aiai...tenho de voltar um dia a Paris só para correr no Bois de Boulogne.

Só pela piada, embora não tenha nada a ver com corrida:
Hehe!
Não, não comi o palmier gigante sozinha, mas bem que podia ter comido. Mhan mham.
Para terminar estes dias em beleza nada como chegar ao aeroporto e saber que o nosso voo foi cancelado por causa da neve. Não percebi porque raio foi o nosso voo cancelado, se depois nos meteram noutro cuja previsão era de sair de Paris passado uma hora e meia... Não, não saiu passada hora e meia. Era suposto chegarmos a Lisboa às 20h30 e chegámos às 00h30. Quando entrámos no avião era este o panorama:
Mete respeitinho.
A visão da minha janela...
Para quem tenha medo de andar de avião, não eram as condições ideais. Para quem adora andar de avião é uma experiência gira, mas mete muito respeito. O avião não podia partir naquelas condições e teve de vir uma equipa qualquer, que segundo o piloto se denominava qualquer coisa como "De-ice, anti-ice", cujo objectivo era derreter toda a neve acumulada por cima do avião. De regresso a Lisboa foi a noite que se viu, um temporal que até metia medo. Apanhámos mais turbulência a aterrar em Lisboa do que a sair de Paris. Felizmente que o avião era o "Pêro Vaz de Caminha" do tempo dos Descobrimentos. O gajo tinha alguma experiência em tentar encontrar o caminho certo, mesmo quando as condições não eram as melhores, por isso e mais uma vez, lá conseguiu levar-nos a bom porto (neste caso aeroporto) =P.
Depois disto tudo só ganhei ainda mais admiração pelos aviões e pelos pilotos e todo o pessoal que trabalha em aeroportos. É impressionante como as coisas funcionam, mesmo em condições adversas. Claro que por vezes as coisas falham, mas é raro. Muito mais depressa temos um acidente de carro do que um de avião, por isso continuo a sentir-me muito mais segura a andar de avião do que de carro.

Foram umas mini-férias (fomos terça a meio da manhã e voltámos sexta à noite) muito boas e adorei conhecer Paris. Espero poder lá voltar, pois gostei mais do que estava à espera. Até gostei mais dos franceses do que estava à espera, embora não sejam o povo mais acolhedor do mundo, não tenho razões de queixa. Foram sempre cordiais e amáveis e muitos deles até correm, por isso não podem ser assim tão más pessoas, não é? ;)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Semana de treinos 07.01-13.01 e Corrida S.Domingos de Benfica

A ver se deixo o blogue actualizado. 
Ainda fica a faltar a semana passada, mas isso fica para amanhã.

Só por curiosidade e para saberem novidades do Spike, na segunda-feira lá fui ao canil. Caso não tenha ficado bem explícito no treino com o Spike o quão stressado é este cão, aqui vai uma amostra do que o Spike pode fazer num pequeno momento de distracção da nossa parte e mesmo pensando nós que ele não chegaria a uma prateleira um pouco alta (não que não chega...).
A tampa da minha garrafa SIGG toda roída pelo Spike
E depois para lhe tirar a garrafa da boca? É preciso tentar ser-se mais esperto do que o Spike, o que não é fácil. O Spike tem mesmo muito stress acumulado e é capaz de comer tudo o que apanha. Ele até consegue abrir o frigorífico. Não estou a gozar! O pequeno frigorífico que temos no canil tem de estar fechado com uma corrente à volta, visto que o Spike e a sua companheira Fafá costumam estar soltos na zona da entrada que é onde se encontra o frigorífico. Ele até já foi internado de urgência no veterinário e teve de fazer uma limpeza ao estômago. Palavras do veterinário: "ele tinha o estômago cheio de todo o tipo de porcarias". 
Depois de o ter visto a comer dois toalhetes de limpeza não fiquei muito espantada com isto. 
Enfim, isto tudo para que não hajam dúvidas que o Spike é um cão mesmo muito stressado e que precisa mesmo de libertar as suas energias. Está para breve o próximo treino com o Spike =)

No dia seguinte, 8 de Janeiro, fiz 25 anos.
E no dia seguinte acordei com algumas dores de garganta. É um facto que quase todos os anos fico doente pela altura do meu aniversário e este ano não foi excepção. Ao que parece também é um facto (li uma vez na revista Sábado) que temos maiores probabilidades de morrer no dia do nosso aniversário. Ok, calma. Não quer dizer que vamos todos um dia morrer no dia do nosso aniversário, não é? Mas que não é uma coisa assim tão rara como se possa pensar. O que quero dizer com isto é que aparentemente ficamos mais sensíveis, mais fracos talvez, no dia do nosso aniversário. Eu pelo menos fico. Claramente.
Apesar de estar com algumas dores de garganta não parecia ser nada de especial e eu sentia-me bem por isso à tarde fui ao ginásio experimentar os meus novos ténis de corrida. 
Como ainda estou na fase de experimentação ainda não corri com eles na rua e por isso ficará para mais tarde um artigo de comparação entre os ténis velhos e os novos. "Velhos" é como quem diz. Vou continuar a usá-los por enquanto nas provas até estar completamente habituada aos outros e nalguns treinos onde chova mais ou assim.
Para já o que posso dizer é que, pelo que corri na passadeira do ginásio, os meus novos ténis de corrida parecem ser bastante jeitosos. São leves, dão um bom amortecimento e estou-me a dar bem com eles.
Corri apenas 20 minutos, mas a primeira impressão com que fiquei foi boa.

No dia seguinte estava ligeiramente pior das dores de garganta e estava mais chochinha. Apesar disso e porque numa decisão um pouco em cima da hora e numa oportunidade que não podia deixar passar, eu e a minha mãe tivemos entretidas com os preparativos para a viagem que faríamos na semana seguinte (a semana que agora passou). Sexta parecia estar melhor, mas como estava a chover achei melhor não ir correr à chuva para não ter uma recaída. Fiquei sossegadinha em casa, mas nesse dia tive um grande desgosto. Um amigo meu desiludiu-me. E desiludiu-me por ter falhado, e em grande, para com uma amiga nossa. Pensamos que se há pessoa que não nos vai desiludir é aquela, e depois...
Talvez devido a esse stress extra no sábado estava outra vez pior. De tal maneira pior que ao final da tarde estava toda embrulhada nos cobertores e a sentir-me claramente com febre. O termómetro veio confirmar aquilo de que já suspeitava. Não gosto nada de tomar medicamentos. Evito sempre ao máximo, mas como tinha a Corrida de S.Domingos no dia seguinte não queria facilitar. 
É que ainda por cima a prova do dia seguinte seria mesmo especial:

  • 1ª prova do ano
  • 1ª prova com a camisola dos 4 ao km
  • 1ª prova com 15 km
  • 1ª prova com 25 anos

Tinha tudo para ser uma prova espectacular e inesquecível. Infelizmente esteve longe da perfeição.

Eu sou um bocado teimosa. A teimosia, embora com algumas semelhanças com a persistência ou determinação não é bem a mesma coisa. Normalmente, entendemos a teimosia como uma coisa negativa, enquanto que a persistência é uma coisa positiva. Penso que tenho um pouco das duas. Por isso o facto de ter acordado cedo no domingo e ter corrido os 15 km de uma prova com um percurso super monótono pode ser entendido como um acto de grande persistência e coragem, mas também pode ser entendido como "esta gaja é mesmo teimosa e devia era ter ficado quietinha, pois podia ter arranjado um belo dum 31".

A verdade é que quando acordei no domingo me sentia um pouco melhor e não estava com febre, por isso decidi arriscar e lá fui eu. Quando cheguei à zona de partida, junto ao jardim zoológico senti-me até um pouco mais animada e pensei para comigo que até me ia fazer bem correr e que ia ficar mais bem disposta (vêem o sorriso?).
Os membros dos 4 ao km presentes: Orlando, Eberhard, Lúcia, João, Isa e Carlos
Aqui também com o Nuno e a Sandra
E aqui com a Mafalda
Eu até estava animada graças a este convívio e quando foi dado o tiro de partida eu sentia-me mais ou menos bem. Os primeiros kms correram bem e o meu pensamento era que iria conseguir terminar a prova, mas então já não me lembro bem por volta de que quilómetro comecei a ficar para trás e a sentir-me cansada e sem forças nas pernas. O João manteve-se comigo, mas não disse nada. Mais à frente recuperei um pouco as forças e voltámos mais ou menos ao ritmo inicial. Aí é que o João comentou comigo que eu me tinha ido um pouco abaixo e perguntou se eu já me estava a sentir melhor. Disse-lhe que de facto tinha tido uma quebra, mas que no momento já me estava a sentir melhor e que em principio iria conseguir terminar a prova. Só que infelizmente este momento na "mó de cima" não durou muito e a partir do km 10 todos os kms, excepto um que foi ligeiramente melhor, seriam feitos acima dos 7min/km. Ia numa luta interior para não parar e disse isso ao João. As pernas pesavam-me, doía-me a anca, doíam-me os joelhos. Seria tão fácil parar ou andar só um bocadinho. Mas era a minha primeira prova com a camisola dos 4 ao km, era a minha primeira prova com 25 anos. Não podia desistir! Não queria desistir.
O João ia tentando distrair-me com a conversa e isso ajudou um pouco. Íamos passando por algumas pessoas conhecidas, principalmente do João, mas algumas eu também conhecia. Acenavam-nos, sorriam-nos, davam-nos força. Era como que mais um empurrãozinho para mim. Mas havia algo muito aborrecido nisto tudo. É que o percurso era do mais monótono que há. Andámos para a frente e para trás na mesma avenida sei lá quantas vezes, ao que parece 3 vezes e meia. Para quem já está com vontade parar, não foi uma grande ajuda. 
Ah já chegámos ao fim da interminável avenida...ah, mas agora temos de voltar tudo para trás...agora seguimos para outro sítio, não? Não. Voltamos tudo outra vez para trás. 
Quem me viu a correr entre os 10 e os 15 km pode confirmar que eu ia praticamente a arrastar-me. Ia quase a andar de tão devagarinho que ia. O João até me disse que eu fiz um km mais lento do que o meu  km mais lento da Meia! Isto diz tudo.
Se esta prova teve uma coisa boa foi precisamente mostrar que mentalmente até me aguento bem. Mas ia mesmo numa conversa interior comigo mesma, a convencer-me a mim própria a não parar.
Quando finalmente virámos à direita e saímos da longa avenida foi um grande alívio. Havia uma descida, mas eu não conseguia acelerar. Eu só queria a meta. Estávamos quase. Já se via a meta. FINALMENTE!!!


1h40 depois acabou o sofrimento.
Se me perguntarem como consegui, tudo o que posso dizer é que fui teimosa ao bom estilo duma rapariga do signo Capricórnio =P. Estou a brincar (mais ou menos). Se há prova que foi feita sobretudo mentalmente foi esta. O corpo pedia para parar, mas eu convenci-o a aguentar, que à tarde viria o descanso numa cadeira de cinema.

Agradecimentos especiais:
João Lima
Obrigada pela companhia, por te teres mantido junto à tartaruga e a teres distraído com as tuas conversas sempre interessantes.

À tarde sentia-me um pouco melhor e como já tinha combinado ir ao cinema com uma amiga minha que não via há 6 meses e que só esteve em Lisboa dois dias, não faltei ao combinado e lá fomos nós ver "Decisão de Risco". Um bom filme para ver quando vamos andar de avião dois dias depois...

domingo, 20 de janeiro de 2013

Corrida Luzia Dias

Tenho duas semanas de relatos de treinos em atraso (não que tenha feito muitos...), um relato como deve ser de uma prova em atraso (S. Domingos de Benfica), mas o relato da prova de hoje segue já =)

Depois da prova da semana passada, os meus desejos para a Corrida Luzia Dias eram apenas sentir-me bem e ir correndo, de preferência fazer abaixo de 1h. Estava longe de imaginar que iria fazer a prova que fiz.

Por volta das 9h encontrei-me com a restante equipa dos 4 ao km e com mais pessoal que tenho vindo a conhecer nestas andanças. Ainda é estranho para mim fazer parte dos 4 ao km, mas ao mesmo tempo já me sinto "em casa", pois já os conhecia (quase todos) anteriormente e são todos super acessíveis e simpáticos.

Foto tirada antes da prova:
João Branco, Orlando, João Lima, moi, Lúcia e Eberhard
Fizemos o nosso aquecimento, conversámos um bocado e são quase 10h, hora da partida. Quando começámos a correr eu sentia-me bem. Comparando com a semana passada eu sentia-me bem melhor, por isso não havia motivos para não desfrutar da corrida e fazer um tempo abaixo da hora. Parti junto do João Lima, João Branco e Lúcia, mas pouco depois o João Branco e a Lúcia ganharam algum avanço e embora mantendo-se no nosso campo de visão, iam um pouco mais à frente. Eu e o João fomos correndo a um ritmo muito bom. O km mais lento foi o primeiro e foi feito a 5.39min/km, a partir daí foram todos abaixo de 5.39. Logo a seguir ao abastecimento apanhámos o João Branco e a Lúcia e a partir daqui fomos numa competição brincadeira para ver quem chegaria primeiro. Por esta altura eu e o João Lima, mas principalmente ele já estávamos a fazer contas mentalmente e ambos percebemos que eu bateria o meu recorde pessoal dos 55m11s. Era só manter. 
Esta prova ainda tinha umas 3 rampas, mas nada de especial. Faziam-se. E felizmente sinto que à medida que vou ganhando mais experiência, vou enfrentando melhor as subidas.
Por volta do km 8 percebi que iria mesmo conseguir fazer novo tempo aos 10km e acelerei um bocadinho, sempre junto do João Lima, João Branco e Lúcia. 

No km 9 já não consegui manter este ritmo e então quando recebemos a notícia de que "a meta é já ali" eu e o João Lima fomos completamente abaixo. O João comentou logo comigo que a prova não tinha os 10km. Ao que parece tinha aproximadamente 9500m. Fiz um tempo de 51.09m (tempo real: 50.51) e ao ritmo a que íamos, daria claramente para bater o meu recorde pessoal. Mas com cerca de 500m a menos (devido ao temporal, algumas árvores caíram na Quinta das Conchas) nem eu, nem a Lúcia batemos os nossos melhores tempos. A Lúcia também iria bater o seu recorde pessoal. Fica para a próxima, não é Lúcia? ;)

Fiquei em 17º no meu escalão num total de 62. Ainda estou aparvalhada. Estou muito satisfeita com esta prova, apesar da ligeira frustração da prova não ter os 10km. Senti-me bem, 1000 vezes melhor do que na semana passada e gostei do percurso e da companhia. A segunda parte da corrida teve até alguma piada graças à competiçãozinha que fizemos na brincadeira. Foi uma manhã muito bem passada. Para a semana há mais, no famoso GP Fim da Europa =)

Foto tirada depois da corrida
Estão a ver a menina de t-shirt branca? Chama-se Sandra e chegou ao pódio na classificação por equipas!
Grande Sandra. Muitos parabéns!
Uma boa semana para todos e óptimas corrida!

p.s. Agora vou tentar pôr a leitura dos vossos blogues em dia.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Corrida S.Domingos Benfica -resumo

O título diz "resumo" porque não tenho tempo suficiente para escrever tudo o que quero escrever. Ainda por cima tenho uma semana de treinos para relatar em atraso. Não tenho tido muito tempo e para além disso estive (e ainda estou um pouco) adoentada.
Sábado ao fim da tarde tinha 38.5 de febre. Não se assustem. Sim, não é pouco, mas também não é assim tanto. Apesar de não gostar nada de tomar medicamentos, lá tomei um Benuron, porque no dia seguinte seria a prova e eu não queria mesmo faltar. Domingo quando acordei sentia-me melhor, por isso arrisquei ir à corrida. Não estava com febre, mas ainda estava "chochinha".
A minha "grande estreia" com a camisola dos 4 ao km foi a prova que até hoje mais me custou fazer (a Meia foi claramente mais fácil). Quando comecei a correr, talvez pelo convívio  até me sentia melhor e achei que não ia ser assim tão mau. 4 elementos dos 4 ao km partiram juntos (eu incluída). Que acham que aconteceu? Sim, eu comecei a ficar para trás. O João Lima foi um grande companheiro que se manteve comigo até ao fim. O percurso foi do mais aborrecido que há. Andámos para trás e para a frente numa longa recta e eu já me estava a passar. O corpo não estava a colaborar, felizmente a mente ajudou. Thank God que sou teimosa como tudo. Eu só não queria andar. Fui devagar que nem um caracol (acho que até fui ultrapassada por alguns =P ), mas aguentei-me sempre a correr. Talvez a camisola amarela dos 4 ao km me tenha dado uns poderes especiais ;)
O que sei é que agradeço a todos os atletas bloggers e outros que passaram por mim e me acenaram ou lançaram um "força". E principalmente ao João Lima. Eu sei que não preciso de agradecer, mas eu quero agradecer.
Acreditem que se não vos consegui sorrir, foi mesmo porque não conseguia. Aos que consegui acenar ou sorrir, foi porque nesse momento arranjei algumas forças extra.
Foi a minha primeira prova do ano, foi a minha primeira prova com a camisola dos 4 ao km, mas também foi a prova que mais me custou fazer até hoje.
Estarei fora uns dias, por isso não se admirem se não publicar logo os vossos comentários e se só responder aos mesmos no sábado. A partir de amanhã em principio não terei acesso à net.

Beijinhos e boa semana para todos.

p.s. Quando voltar actualizo o blogue com os treinos em falta e com um relato mais completo da prova.